Brasil

Lembranças dos tempos de escola – Parte XXI

Redação DM

Publicado em 2 de novembro de 2015 às 22:22 | Atualizado há 11 anos

Iniciando meu oitavo ano escolar, fiquei sabendo que os alunos que compunham a turma, a qual eu faria parte eram Heine, Leide, Cal, Cleidiene, Dil, Eleno, Edu, Evanilde, Andson, Hélia, Gil, Landa, Jota, Josi, Jusci, Santo, Mari, Marly, Paty, Regina, Róger, Galega, Vavá e Edésia.  Para a nossa sorte, a professora Zeni além de ensinar Língua Portuguesa era também a nossa professora de Serviços Bancários. Dominava todo e qualquer conteúdo voltado para essas disciplinas. Educação Artística, Geografia, Inglês e Matemática agora eram ministradas pelos mestres Naide, Carlitos e Miro, respectivamente. Esse ano foi um ano de brilho e glória para nós. Viajávamos muito, passeávamos, apresentávamos peças teatrais no auditório da escola e ficamos conhecidos e respeitados por todos. E como eu disse anteriormente, aquele foi o nosso ano de brilhar e ser reconhecidos como estudantes de verdade. Se for verdade o que prega a teoria de que todo indivíduo em algum momento de sua vida tem os seus quinze minutos de fama, naquele ano tivemos os nossos.

Em nosso turno, havia outra oitava série que ficava num corredor, depois da nossa sala. Muitas meninas daquela sala, não se uniam muito bem com as meninas da minha sala e quase sempre havia brigas entre elas. A direção da escola não permitia esse tipo de comportamento e tentou coibir aquela ação, tentou de muitas maneiras mudar a atitude daquelas, mas nada adiantou, elas paravam com a rivalidade temporariamente, porém, quando não havia ninguém da direção por perto, tudo começava outra vez. Então Lucíola, uma garota recém-chegada à cidade e recentemente matriculada, pediu, para a direção da escola transferi-la para a nossa sala, uma vez que ela não tinha nada haver com tais intrigas. A direção se sensibilizou ao seu apelo, enviando-a para a nossa classe. Como ela já havia feito muitas amizades na primeira sala e, posteriormente, na nossa, ela serviu de elo entre ambas as salas e as brigas chegaram ao fim. Alunos como Érick, já muito bem conhecido, principalmente por Edu e eu, e outros que passamos a conhecer a partir dali compunham a outra sala.

Roney que até então tinha um ano escolar em nossa frente, se encontrava cursando o sétimo ano, devido a duas reprovações em anos anteriores. Maick se encontrava atrás dele, não por reprovação e sim por questão de idade.

Falando em Maick, engraçado mesmo foi a primeira aventura que vivemos juntos. Claro que já havíamos passados por outras situações aventureiras dentro da cidade, mas essa aconteceu muito longe.

Tudo começou quando meus colegas de aula resolveram fazer um passeio, numa fazenda num dado fim de semana e para isso, começamos a nos preparar. O local escolhido para o nosso passeio foi a fazenda da família de Paty, afastada da cidade, cerca de noventa quilômetros. Feito toda a programação, procurei saber se poderia levar comigo alguém de fora da sala de aula. Sabido que poderia, cuidei de convidar Maick, Roney e Érick. Roney não pode ir conosco, uma vez que já tinha programado ir para a fazenda de sua família, Érick recusou o convite, forçadamente, pois teria que passar todo o fim de semana na cidade, para fazer umas pesquisas escolares na biblioteca e Maick liberado por sua mãe Elisa, foi conosco.

Nossos colegas eram muitos, talvez uns quarenta e cinco. Seria necessário um ônibus para nos levar, o problema era que a prefeitura, naquela época, ainda não dispunha de ônibus e nos cedeu um caminhão-caçamba com um condutor para nos levar. Então combinamos com o motorista Tom que o nosso lugar de encontro seria em frente à residência da família de Paty no outro dia antes das seis horas matinais.

Naquele dia, como quase em todos os dias, me levantei cedo, depois de ouvi uma continuidade de recomendações de minha mãe, fui à casa de Maick, chamá-lo, poupei nesse trabalho, pois o encontrei a caminho da minha casa. Aquilo foi um fato inédito, estranho e inacreditável para alguém que já sabia que, nos dias sem aulas, ele só se despertava aproximando do meio dia, quando já estava quase na hora de sua mãe servir o almoço. Depois de nos cumprimentarmos, seguimos em direção ao lugar combinado com o motorista e demais colegas. Chegado lá, avistamos quase todos os meus colegas e aqueles que ainda não haviam chegados, logo, se fizeram presentes, juntamente com o motorista, exceto Eleno e Gil que moravam num pequenino povoado chamado Cadete, que ficava retirado da cidade a mais ou menos seis quilômetros, mas isso não seria problema, uma vez que teríamos que passar por lá, se quiséssemos chegar à fazenda, pois era o único caminho. Então partimos para lá…

 

(Gilson Vasco, escritor)

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