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“Nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor!”

Redação DM

Publicado em 24 de dezembro de 2016 às 02:08 | Atualizado há 10 anos

Naqueles dias, apareceu um edito de César Augusto, ordenando que se fizesse o recenseamento de todo o mundo habitado. Esse recenseamento foi o primeiro enquanto Quirino era governador da Síria. E todos iam se registrar, cada um na sua cidade. Também José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, para a cidade de Davi, que é chamada Belém, na Judeia porque era da família e da linhagem de Davi para se registrar com Maria sua esposa, que estava grávida.

Quando estavam lá, chegou o tempo em que ela devia dar à luz. Ela teve seu filho primogênito, enrolou em faixas, e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. (Evangelho de Lucas, cap. 2, vv. 1 a 7).

José e Maria casaram-se, possivelmente com cerca de trinta e 15 anos, respectivamente. Para os judeus, o casamento e a procriação eram um dever sagrado. A única razão aceita para que um homem não se casasse era ele querer dedicar sua vida ao estudo da Torá, envolvendo o ensinamento judaico do Pentateuco, ou dos cinco livros de Moisés: Gênese, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio, contidos na Bíblia hebraica.

Segundo a tradição judaica, antes de começar a cerimônia do casamento, o noivo vai à câmara nupcial para ver a noiva, antes de cobrir o seu rosto com o véu. Isto porque num incidente relatado na Bíblia, Jacó desposou a mulher errada porque ela já tinha o rosto coberto com o véu. A cerimônia de casamento ainda é conduzida pelo rabino e pelo funcionário da sinagoga que conduz as orações e os cânticos sagrados.

É possível que Maria tivesse feito sete voltas em torno do noivo. Que todos houvessem recitado bênçãos sobre uma taça de vinho, destinada aos pais dos noivos e posteriormente aos seus respectivos filhos. Que José tivesse colocado o anel no dedo de sua noiva, diante de duas testemunhas, estando o casal na sinagoga, mas sob o pálio nupcial que é uma armação portátil, com varas, que se leva em cortejos e procissões, para cobrir a pessoa festejada. O pálio nupcial simboliza a casa do noivo, sob a qual ele se posta vestindo uma túnica de cor branca, comprida em forma de sudário, e aguarda que a noiva se junte a ele para a cerimônia do casamento. Após o noivo colocar o anel no dedo da noiva, lê-se o documento de casamento, que é dado pelo noivo a sua noiva, que o guardarão. Após novas bênçãos recitadas sobre uma segunda taça de vinho a cerimônia tem o seu término com o noivo quebrando um copo, para lembrar a todos a respeito da tristeza coletiva quando da destruição de Jerusalém, de acordo com o Salmo 137.

Segundo a narrativa evangélica, José e Maria não tiveram relações íntimas durante a gravidez. Antigamente, após a cerimônia, o casal era levado para que o casamento se consolidasse, ficando os recém-casados alguns momentos a sós. Depois do casamento, os judeus consideram como tendo nascido de novo, e todos os seus erros ou pecados anteriores lhes são perdoados.

No tempo do nascimento de Jesus, o recenseamento iniciado por Públio Sulpício Quirino, por volta de 9 a.C., quando era governador da província romana da Síria, ainda não havia sido finalizado. Tal recenseamento teria o seu término em 6 a.C. quando Gaio Sêncio Saturnino ainda era o governador da Síria. O imperador César Augusto governava de Roma um vasto império, quando Jesus nasceu. Império que abrangia do norte da Europa a Grécia, Ásia Menor, norte da África e o Oriente Médio.

Para os judeus, um recenseamento ofendia suas tradições religiosas, porquanto eram contrárias a tal, sobretudo porque um recenseamento imposto por um poder estrangeiro violava seu mais sagrado princípio: “Nenhuma lei além da lei do Senhor, nenhum rei a não ser Deus”.

Jesus nasceu em Belém da Judéia, ou cidade do Rei Davi. Devido ao recenseamento e, possivelmente, por razões religiosas, o primogênito de Maria nascera na própria cidade que a profecia identificava como o lugar de nascimento do Messias.

A viagem entre Nazaré e Belém durava quatro ou cinco dias. Quando chegaram a Belém José e Maria não encontraram lugar nas hospedarias, e por isto ficaram em algum estábulo, ou gruta, nos arredores da cidade. Em algumas dessas cavernas, que serviam para abrigar os pastores e alimentar seus animais, em manjedouras, escavados nas pedras, possivelmente nasceu Jesus.

O nascimento de Jesus representou o marco inicial da regeneração da Humanidade terrestre. A simplicidade da manjedoura contrasta com a ambição, a vaidade, o orgulho e o apego às coisas materiais. O maior dos reis escolheu num lugar destinado aos animais e aos seus pastores. Porque o “cordeiro de Deus” foi e ainda é o “Bom Pastor”, condutor vigilante e sublime de muitas humanidades, diretor de incontáveis processos evolutivos das inúmeras falanges espirituais que governa, sob a perfeita vontade de Deus.

“Logo que os anjos se retiraram em direção ao céu, os pastores comentaram entre si: “Vamos já a Belém e vejamos esse acontecimento, que o anjo nos deu a conhecer!” Eles foram, apressadamente, para lá e encontraram Maria, José e o recém-nascido deitado numa manjedoura, como lhes dissera o anjo. Depois que o viram, contaram o que lhes tinha sido falado a respeito do menino. Todos os que ouviram ficaram admirados com as palavras dos pastores. Maria, porém procurava conservar com carinho todos esses acontecimentos e os meditar em seu coração. Logo após os pastores voltaram a seus rebanhos, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes fora anunciado”. (Evangelho de Lucas, cap. 2, vv. 15 a 20).

 

(Emídio Silva Falcão Brasileiro, autor das obras Um Dia em Jerusalém, A Caminho do Deserto, Sabedoria e O Livro dos Evangelhos)

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