Brasil

Neste País, o melhor negócio é ser político

Redação DM

Publicado em 27 de fevereiro de 2016 às 01:08 | Atualizado há 10 anos

O homem é um animal que gosta de viver bem na Polis, a Polis, cidade no idioma latino, nasceu do grego, onde foi criada para dar fama universal ao cidadão. Polis, por derivação, ao longo de séculos, originou Política, logo, o homem, por natureza, é um animal político. Em nosso país, político é aquele eleito pelo voto, ou ocupa cargo de relevo na esfera pública. O cidadão comum, no jargão popular, não é considerado político. Embora, o melhor negócio nesta terra é ser político, consoante este diálogo entre compadres, Joaquim que sempre sabe tudo, aturdido com a roubalheira na Petrobras, puxa conversa, perguntando ao Manoel:

– Compadre Manoel, qual o melhor negócio deste mundo?

Este, já antevendo a armação, olha para um lado, para outro, remoí tal qual ruminante e nada responde. Aquele, outra vez, aproveita para azucrinar seu compadre, zombar com classe, ao esbravejar, todo falante:

– Tu és mesmo, meu caro compadre, um poço de ignorância, não sabe nem me dizer que o melhor negócio é um banco, ser banqueiro!

O compadre cabisbaixo, pela jactância costumeira de compadre Joaquim, põe a mente para pensar e contra-atacar, assim, de forma não menos irônica, contra-ataca o poço de sabedoria:

– Qual será o segundo melhor negócio, não do mundo, mas deste país, insigne compadre? – Ao que contra-ataca o orgulhoso compadre.

– Ora, pois, pois, um banco arruinado!

De alma lavada, para espanto, debocha o compadre:

– Nunca – nadica de nada.

Presunçoso poço de sapiência, contradizendo, afirma incisivo:

– O melhor negócio deste País, compadre, é ser político, quanto ao segundo melhor negócio, vem a ser, compadre sabidão, muito melhor do que um banco arruinado é um fulano político arruinado, senão veja o caso do senador Delcides Amaral, recentemente preso, por falta de decoro parlamentar, trama contra operação lava jato, é liberado após meses de interrogatório, e volta para o luxuoso hotel que residia. Embora, sentenciado à prisão domiciliar, é ela, paradisíaca, e certeiramente custeada com todas as mordomias, pela sociedade contribuinte, onde milhões de patrícios que, mesmo, regateando, fazendo parcimônia, para não passar fome, paga tributo, sobre o minguado consumo.

– O fausto é maior ainda, compadre, há mais benesses asseguradas por lei, como carros, passagens aéreas, assessoria gorda custeada pela república, república do faz de conta. Além do mais, não é só ele, – compadre sabedoria – há dezenas de outros, naquela mais alta corte, acusados de receber propina do Petrolão, de igual forma, gozando de privilégios assegurados pela constituição da generosa república. Quanta bonomia ensejando o lugar de melhor negócio, desta bendita terra, ao príncipe político – douto compadre – contrariando o princípio milenar da democracia, de alternância do poder, sua marca registrada.

– Existe, na constituição outro artigo, também, imposto, porquanto, nunca se procedeu, uma consulta popular, não obstante, malsinado artigo assegura a deputados, senadores, vereadores, o direito de se reeleger por toda a vida. Quanto ao famigerado estatuto de reeleição, no poder executivo: município, estado e nação, também, inimigo visceral da democracia, creio ter chegado ao fim, mas, ao aprová-lo, o congresso, outra vez, traiu o povo, pois, tinha o dever cívico de consultar a sociedade eleitora, por meio de plebiscito, mas, nem sequer pensou nisto, como diz o ditado, o hábito do cachimbo faz a boca torta. Neste caso, como em tantos outros, no lugar da coalizão, houve cooptação, a diferença marcante é que, esta última se faz pela compra de voto, negociata, com o dinheiro de tributos, oriundo da sociedade contribuinte.

– Outra benesse que permite assegurar ao profissionalismo politiqueiro, o melhor negócio deste país, solapando o lugar, trono do banqueiro – compadre sabe tudo – é ser político, com voto mercantilizado. O eleitor, vítima da escola, continua destituído de cultura política, por isto, acaba abraçando a corrente maquiavélica, arte de vender o voto, por falta de consciência política. Ele, desde a era do coronelismo, velha república da política dos governadores, onde os governos de São Paulo e Minas Gerais, já então maiores colégios eleitorais, se revezavam no poder, moureja subserviente. As eleições eram apuradas bico de pena, como aquela feita, em 1909, fraudada pelo senador Pinheiro Machado, maior cabo eleitoral do grupo dominante, tornando vitorioso, o marechal Hermes da Fonseca, da patota dominante, por 400 mil votos exatos, enquanto, o eleito, Rui Barbosa, da oposição, com o movimento civilista, conseguiu sensibilizar a nação e ganhar o pleito, porém, foi mascarado pela fraude eleitoral.

O voto como dizia leitor, continua subserviente-leniente, sublimando a política velhaca, como o melhor negócio, em nossa mal arquitetada república, que já poderia ser direta, no entanto, por falta de cultura política, política como a arte de promover o bem-estar do povo, e nunca, meio escuso de ungir de privilégios, os ocupantes do poder, continua indireta. O negócio é tão “bão”, que o candidato eleito, como dito, pelo voto subserviente-leniente, jamais pensa em deixar o poder, luta de unhas e dentes, para perpetuar nele. Como ave de rapina, suga a pátria e para mascarar a verdade, usa a farsa, do lobo em pele de cordeiro: “Homo, Homini, lupus” – Homem lobo de si mesmo.

Voltando ao diálogo, ele diria, quanta bonomia compadre Joaquim! Mesmo assim, continuará blasfemando, insistindo em primar, como segundo melhor negócio, aquele do banco arruinado, cometendo engano, ledo engano, pois o segundo melhor negócio, como demonstrado aqui, nesta generosa terra, continua sendo, um político condenado, senão, anote, além do senador Delcides Amaral, miríade deles que deveriam estar pagando pelos crimes cometidos, seja devolvendo a propina recebida, seja prestando serviços a nação, com targeta colada em local bem visível, dizendo o motivo, pelo qual, se encontram trabalhando a serviço da comunidade.

Na compra da refinaria carcomida de Pasadena, na América do Norte, o super-faturamento foi, consoante denuncia de 1 bilhão de reais, a presidenta Dilma, era, na época, presidente do conselho da Petrobras, quem pagará a conta leitor? O processo de cassação da ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, por uso de recursos públicos na sua campanha, encontra-se, no STF sem julgamento, quem irá pagar a conta? O ex-senador Estevão, cassado por superfaturamento de obras, no escândalo conhecido, como “Juiz Lalau”, em São Paulo, quando irá ele leitor, pagar a conta? O escândalo financeiro que levou a extinção da SUDAM, de dois bilhões de reais, quando era seu superintendente, o atual senador Barbalho, aliado do governo, como irá devolver a verba ao erário público?

Vamos parar por aqui, não tenho espaço para enumerar tanta roubalheira, mas, por tudo isso, ser político neste País, mesmo arruinado, ainda é o melhor negócio. Pari passu a toda sorte de desvios de recursos públicos, a sociedade vem sendo coagida a consumir o combustível mais caro do planeta, prova cabal de que o petróleo não beneficia nossa gente, mas sim, os ladrões do colarinho branco, estado prepotente, enquanto o preço caiu no mundo de 100 dólares para 30 dólares o barril, aqui, faz o contrário, sobe tal qual foguete, inclusive, óleos diesel e combustível, paradoxo, na contra mão da história, pois, são geradores e transportadores da riqueza nacional. Vem a ser você, consumidor, coagido a pagar o rombo da Petrobras, malefício do próprio governo, há treze anos no poder, inimigo mortal da democracia.

Conforme Rousseau, filósofo mor do movimento Iluminista, que solapou o rei figura divina e ressuscitou a milenar república, a vontade geral é indelegável, privativa do cidadão eleitor, mas por falta de conhecimento, cultura, foi usurpada, pela atual subcultura politiqueira. O estado, no lugar de servo, para o qual foi criado, continuará impondo a comunidade, à servidão do sem fim. Embora toda sorte de tributos impositivos e mal aplicados, a sua cobiça insaciável, sustentada por infindas regalias faustosas, acabará impondo, outra vez, a escabrosa CPMF, o congresso, de novo cooptado, com a vontade geral usurpada, passará a rasteira na sociedade, aumentando impostos no lugar de reduzir despesas, mormente, mordomias, numa conjuntura, na qual ser político constitui o melhor negócio, idílico mel, para a sociedade contribuinte, amargo fel.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)


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