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No caminho dos espíritos

Redação DM

Publicado em 24 de maio de 2016 às 02:47 | Atualizado há 10 anos

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Há mudanças de estado de espírito como intervalos de notas musicais, em que silêncio e melodia se alternam e corpo e alma entram em sintonia. Há momentos de elevações e abismos como o encontro de extremos, tudo e nada, em que a presença se alimenta da ausência e o vazio é cheio de lembranças. Há fé e dúvida entre o uno e o múltiplo como encontro de opostos, que se amam, em que nas somas nos subtraímos e nas subtrações nos reinventamos.

 

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Vai e aprende a ver o invisível. Nascerás para o mundo das formas e das cores e aparências. O tempo passará por teus sentidos e tua percepção invadirá espaços em busca de horizontes impossíveis. A vida te fará revelações bruscas e inesperadas sobre a morte. E a morte imprevisível e certa, muito te ensinará sobre a vida. O mundo certamente te sorrirá por sua face ambígua. Vai e decifra seus enigmas.

 

O espírito, preexistindo ao corpo, liga todos os seres a todas as existências que compõem o conjunto harmonioso da obra do criador. Deus criou o universo e, com ele, as vidas que se repetem em todos os seres e entes da natureza.

O caminho dos espíritos tem a extensão e o desdobramento do caminho dos seres humanos no sentido da busca do autoaperfeiçoamento. A trajetória espiritual é como a trajetória existencial retomada em outra dimensão.

Os espíritos têm categorias de valores correspondentes às dos seres humanos e acompanham nosso livre arbítrio. Os espíritos, energia pura, não são divindades personificadas como concebi¬das na mitologia antiga.

As influências dos espíritos no mundo material são correspondentes às suas categorias hierárquicas. A natureza má tem a simpatia dos maus espíritos que, desencarnados, podem ainda conservar animosidade. Exemplo, nas guerras, nas catástrofes e nas intempéries da natureza.

Os espíritos habitam diferentes mundos que correspondem aos seus estágios de maior ou menor adiantamento. Os diferentes mundos podem ser classificados em linhas gerais do seguinte modo, segundo Kardec:

Mundos primitivos – destinados às primeiras encarnações da alma humana.

Mundos da expiação e de provas – onde domina o mal. Mundos regeneradores – onde as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta. Mundos felizes – onde o bem se sobrepõe ao mal. Mundos celestes ou divinos – morada dos espíritos depurados, onde o bem reina inteiramente. A terra pertence à categoria dos mundos de expiação e de provas, e é por isso que o homem nela é alvo de tantas misérias.

A vida presente tem continuidade na vida futura que tem raízes na vida passada e todas as vidas são uma vida na unidade do ser e na variedade dos fenômenos. A vida corporal é uma manifestação temporal da vida espiritual que é eterna.

Tal como disse Cristo – Há muitas moradas na casa de meu pai – há diferentes mundos habitados no universo infinito. As diferentes moradas são espaços infinitos da erraticidade dos espíritos que se distinguem conforme o estado de evolução em que se encontram.

Os espíritos se encarnam em progressivos mundos até alcançarem sua evolução ou ascensão ao mundo celeste. Conforme seu adiantamento dá-se logo a progressão dos espíritos para um mundo melhor, assim como se prolonga sua permanência em um mundo inferior, segundo seu merecimento.

A habilitação dos espíritos sobre a Terra é apenas uma fração da humanidade inteira espalhada nos diversos mundos do universo, e os males que prosperam neste pequeno planeta não afetam a harmonia do conjunto universal.

Há um estado errante dos espíritos nos intervalos das reencarnações, quando vagam por diversos mundos. O ser humano precisa de muitas existências para redimir-se de suas faltas e para alcançar sua destinação espiritual.

Quem não quiser voltar sucessivamente a este mundo de tribulações deverá buscar seu autoaperfeiçoamento para poder ser promovido a mundos melhores até chegar ao reino dos céus.

O reflexo de outra existência vem pela voz das vidas pretéritas. O esquecimento da vida passada é útil para a vida atual no sentido da reconstrução da experiência existencial sem amarras e com base no princípio do livre arbítrio.

Para o homem que visa à vida futura as perdas desta existência são insignificantes. Segundo Kardec: “Deus não condena os prazeres terrestres, mas o abuso desses prazeres em prejuízo das coisas da alma”.

A vida presente deixa de ser angustiosa quando se tem a certeza da vida futura como meta a ser alcançada. O espiritismo veio trazer a certeza e a evidência da vida post-mortem.

 

(Emílio Vieira, professor universitário, advogado, escritor, membro da Academia Goiana de Letras, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa. E-mail: [email protected])

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