Nova técnica para cirurgia de quadril abrevia recuperação
Redação DM
Publicado em 3 de junho de 2016 às 02:52 | Atualizado há 10 anos
A artroplastia de quadril é uma cirurgia que substitui a articulação desgastada por uma prótese que funciona como uma articulação artificial. Diversas doenças podem demandar essa intervenção, desde lesões por esforço e desgaste até a pouco conhecida osteonecrose de quadril, doença que causa o desgaste da cabeça do fêmur e que é provocada, em muitos casos, pelo alto consumo de bebida alcóolica. No consultório médico, a indicação da cirurgia fica para os casos em que o paciente já tenha experimentado outras maneiras de amenizar a dor como perda de peso, modificação de atividades físicas, fisioterapia, hidroterapia e uso de medicamentos anti-inflamatórios que já não estão mais aliviando o sofrimento.
Apesar de já bem consolidada e com índice de satisfação que chega a mais de 95%, essa técnica cirúrgica vem sendo continuamente aperfeiçoada desde que foi inventada nos anos 1960, e é fundamental que os médicos acompanhem as melhorias que a ciência proporciona. Um aperfeiçoamento recente é o “Acesso Anterior Direto ao Quadril”. A técnica consiste em uma intervenção cirúrgica menos invasiva que muda a posição da incisão, comumente feita pela região glútea, para a parte anterior superior da coxa.
Cada vez mais utilizada nos Estados Unidos e apresentando resultados animadores por lá, a técnica é pouco difundida no Brasil. Com essa nova via de acesso, um cirurgião devidamente treinado consegue fazer a intervenção através de um espaço natural entre os músculos da frente do quadril, ao invés de fazer através da região glútea, diminuindo os danos aos músculos que envolvem a articulação do quadril. No método tradicional, o corte pode ter de 15 a 25 cm, enquanto no Acesso Anterior Direto, pode ser reduzido para menos de 10cm, a depender de particularidades de cada caso.
As principais vantagens para o paciente são menor tempo de internação, menor sangramento, menos dor no pós-operatório, menor incisão em alguns casos, menor tempo de recuperação para voltar às atividades normais e menor risco de luxação da prótese. Para proporcionar essas vantagens e evitar complicações, a técnica exige equipamento especialmente desenvolvido e treinamento específico por parte do cirurgião e sua equipe.
(Fernando Portilho Ferro, médico ortopedista, especialista em quadril e membro das Sociedades Brasileiras de Ortopedia/Traumatologia e Quadril – SBOT e SBQ)