Brasil

O Brasil pós-Cunha

Redação DM

Publicado em 22 de dezembro de 2015 às 00:39 | Atualizado há 11 anos

Depois de uma semana em que o Brasil perdeu definitivamente seu “grau de investimento”, seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e também viu a batalha do impeachment ser adiada para, pelo menos fevereiro, após o recesso do Judiciário e dos parlamentares, é chegada a hora de se colocar uma questão crucial: qual será a agenda em 2016 para retirar o País de uma das piores recessões de sua história?

Essa é uma reflexão que deve ser feita tanto pelo governo como pela oposição. Enquanto tantas energias foram gastas, de um lado, para se manter no poder, e, de outro, para promover o impeachment, havia um País no meio, paralisado pela guerra política. Em 2016, o elemento novo na discussão será a provável saída do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tanto do comando da Câmara como do próprio parlamento, quando seu pedido de afastamento vier a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal – o que deve ocorrer antes da decisão do conselho de ética.

Se o presidente da Câmara foi a pedra no sapato do governo federal, com suas pautas-bomba, ele também acabou se transformando num estorvo para a oposição, ao contaminar o pedido de impeachment. Nas próximas semanas, Cunha agonizará em praça pública, até que chegue o dia definitivo de sua degola. Mas e depois? Qual será a agenda de reformas para restaurar a confiança e o dinamismo na economia brasileira? Mais do que isso: de que maneira as forças políticas poderão buscar pontos de consenso?  Haverá diálogo e pacificação ou a guerra pelo poder será mantida?

Antes da sua demissão, Levy tinha a esperança de que o Brasil, ao chegar à beira do precipício, encontrasse energias para se reinventar. Esse sonho ainda é possível. Se 2015 foi o ano da implosão de uma velha política, 2016 poderá ser marcado por reformas tanto na política como na economia.

 

(Leonardo Attuch, jornalista. Artigo transcrito da revista IstoÉ)

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