Brasil

O dezoito de março

Redação DM

Publicado em 21 de março de 2016 às 00:04 | Atualizado há 10 anos

O dezoito de março refunda o Brasil. Momento central para todos os trabalhadores livres, conscientes e afinados por um país justo, decente e soberano; não será apenas mais uma data no tumultuado tempo político do país. Será o dia da dignidade política das esquerdas, de suas doutrinas sempre centradas na liberação do homem e em sua plena realização.
Talvez a maioria dentre nós, não compreenda a importância de estarmos todos nós, nas ruas do Brasil para mostrarmos e escancaramos força, número, presença e toda a moral histórica dos lutadores do povo mas precisamos pensar e aprender juntos.
Não será mera data; quem assim entender, não compreendeu nada de toda essa brava e resistente luta. Estou seguro de que virá desta movimentação a energia e o espírito que representantes populares da Câmara dos Deputados ou do Senado da República estão carecendo. Surgirá desta potente “tsunami vermelha” a energia que corações, mentes e verbos, sobretudo, destes nossos representantes e que estão no exercício de suas funções públicas tanto necessitam.
Para o embate mas para a palavra firme, clara e bem pronunciada; para o confronto de ideias mas para a poesia que exige silêncio e que arrebata a arrogância do poderoso; para a discordância mas também para a disciplina que o rito da boa oratória, sempre ética, criativa, moralizante e séria impõe. A verdade é que não pode haver vitória sem dança e poesia pronunciada.
Não é pra menos, a luta e até os fósseis sabem, é muito desigual, injusta e perversa. O inimigo é mal e mesquinho; suas acusações vomitadas de uma cloaca televisiva do tamanho do Brasil viram fatos inquestionáveis; suas ilações pueris e irritantes, tornam-se verdades divinas; suas denuncias mesquinhas se convertem na quintessência da existência humana. É pelo menos, esse o esforço, a artimanha e a estratagema do “arquipélago mídia”.
O dezoito… Não é uma data, é rito de passagem; não é uma cronologia, é o espírito de um tempo que se converte em força política para transformar, a partir de agora, com profundidade e decisão, as malevolentes estruturas sociais, políticas e econômicas desse país.
O ano da luta começa agora para os que pelejam com e pelo povo; para os que estão nos bairros populares, nas periferias desassistidas, na igreja popular e que assumiu o Evangelho do Cristo, este escrito provocante e absolutamente revolucionário como horizonte profundo para a mais íntegra e abissal transformação humana; aos que estão nos campos, aldeias, fábricas e trabalhos informais; aos encarcerados, doentes e envelhecidos por um tempo de grandes dificuldades, enfim, aos que não são vistos, que são invisíveis, aos que não “fazem falta ou diferença”. O ano já é dos pequenos e serão exatamente eles que, neste benfazejo dezoito de março irão acionar a grande transformação pela qual o país irá passar.
Estar fisicamente nas ruas nesse dezoito é ser parte da mais justa e necessária sinergia espiritual que o bom senso do país espera de cada um de nós porque tal qual as dores de um parto, é nossa vez de lançarmos luz e o melhor de nossas energias para esse rebento que quer nascer e que irá, não tenho dúvidas, nascer com nosso jeito, nosso sangue e nossa cor.
Um filho nasce da mistura de corpos, mas também de ideias, de sonhos e de utopias; da encantadora teimosia de se crer que a vida vale porque ela, tão somente, é teimosa e mesmo os mais tenebrosos tempos não podem vencer a vida e seus amplos mistérios.
Iremos todos renascer e fazer nascer a esperança que cada um de nós tanto precisa para superarmos esse dramático tempo de perseguições, de humilhações e de temores.
O dezoito de março virou uma grande casa onde devemos nos abrigar desta turva tempestade. A casa é sua!

(Ângelo Cavalcante, economista, cientista político, doutorando (USP) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara)


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