O gosto de fazer e de viver
Redação DM
Publicado em 30 de junho de 2017 às 22:53 | Atualizado há 9 anos
Toda vez que entro naquela repartição, a funcionária que me atende transmite-me algo do gosto pela vida. Ela está sempre encantada com o que faz. Até parece que os problemas naturais da vida não são capazes de comprometer esse encanto. A alegria no trato com as pessoas é algo contagiante.
Quem não gosta de ser bem tratado? Ao entrar numa loja qualquer, não há pessoa que despreze um sorriso amável, a nos sugerir: “Seja bem-vindo! Quanto prazer nos dá esta sua preferência! Quero tratar você como uma visita muito especial nesta casa!”
Uma das coisas importantes no nosso dia-a-dia é esta: fazer as coisas com gosto. Além de ser um indicativo de consciência, não existe fórmula mais eficiente para quem queira saborear o lado doce da existência.
Foi muito útil para mim, na vida profissional, saber que, “se o trabalho é feito com má vontade, ele se torna pesado e não permite desfrutar da vida”.
É que tive nada menos do que quatro profissões – e é lógico que não gostei de todas na mesma medida. Por uma questão de vocação, de facilidade, gostei mais do magistério do que da assessoria em marketing, por exemplo. Mas sempre me ajudaram os ensinamentos sobre o “aprender a fazer as coisas com gosto”. O resultado é sempre notável!
Já se disse que toda vez que fazemos uma tarefa com pressa, ansiosos por terminá-la, é porque não estamos gostando do que fazemos. Lembrar disso é, por si só, uma defesa contra os momentos maus.
Para quem tenha sincero interesse no assunto, vale citar um outro aspecto: o saber criar a atmosfera propícia para cada atividade. Que significa isso? Significa que, antes de nos dedicarmos a qualquer tarefa, seja dentro de casa ou fora, devemos nos preparar.
Pensar, por exemplo, no significado, na importância e nas consequências daquilo que vamos fazer, não importa se é presidir uma grande empresa multinacional ou varrer a varanda de nosso barraco. É uma forma de aumentarmos nossa consciência e de criarmos a atmosfera propícia, interpenetrada por ondas de alegria e de gosto para fazer as coisas.
No livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, encontramos a seguinte orientação: “É preciso fazer brotar a alegria interna, para que esta se transforme em boa disposição, a fim de que tudo se faça com gosto, e nunca se mortificando por isso ou por aquilo, pois assim se estaria tirando todo valor ao que se fez. Quando uma coisa se faz com gosto, todos a estimam, desprezando-a quando se faz com desgosto. A diferença entre uma e outra forma de atuar é muito notável, fora de dúvida. Este simples fato deve estimular a todos a fazer as coisas como devem ser feitas, ou seja, com o mesmo gosto com que Deus fez tudo quanto existe.”
(Dalmy Gama, escritor, professor, docente de Logosofia)