O Natal de Jesus – Parte I
Redação DM
Publicado em 19 de dezembro de 2015 às 23:19 | Atualizado há 11 anosI – Aparição do anjo, em sonho a José
O nascimento de Jesus foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José. Ora, antes de levarem vida em comum, ela ficou grávida, por obra do Espírito Santo. José, seu futuro esposo, que era um homem justo, e não queria acusá-la resolveu separar-se ocultamente dela.
Ele já havia tomado essa resolução, quando um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse:
“José, filho de Davi, não tenhas medo de tomar contigo Maria, tua esposa, porque o que foi gerado nela vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele salvará seu povo de seus pecados”.
Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor tinha dito pelo profeta:
“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, ao qual será dado o nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco”.
Acordando do sono. José fez como lhe tinha ordenado o anjo do Senhor: tomou consigo sua esposa. Mas ele não teve relações com ela até quando deu à luz um filho a quem deu o nome de Jesus. (Evangelho de Mateus, cap. 1, vv. 18 a 25).
- Quando Maria retornou a Nazaré depois visitar Isabel?
Após o nascimento de João, Maria retornou a Nazaré, com três meses de gravidez. Teria que revelar à sua mãe Ana e a José, seu noivo, que estava grávida sem que houvesse qualquer relação carnal.
- Ao tempo de Jesus, de que modo a cultura religiosa judaica considerava o noivado?
Os direitos dos noivos eram equiparados aos dos já casados. Se o adultério da noiva fosse comprovado ela devia ser apedrejada como se já fora esposa. Não seria golpeada por muitos pedregulhos, mas esmagada, instantaneamente, por uma ou duas pedras enormes largadas de grande altura. A noiva também podia ser despedida com uma “carta de divórcio”. Tudo que o homem tinha de dizer era: “Estou me divorciando de você”. Neste caso não eram necessários juízes, advogados, quaisquer justificativas ou argumentos públicos. Bastava uma carta assinada por ele perante duas testemunhas, o que não provocava escândalo.
- Quais eram as opções de Jose diante da gravidez de Maria?
José teria que tomar uma decisão rápida quanto ao seu abatimento moral diante da revelação de Maria, porque a criança nascida na época do noivado era considerada legítima, portanto, a gravidez também seria legítima. Mas José não conseguiu acreditar que uma mulher pudesse ficar grávida sem qualquer contato carnal. É possível que ele tenha consultado o Rabi da cidade, que não poderia lhe oferecer nada além da citação da lei, que lhe autorizava a anulação do contrato de casamento. José ficou angustiado, mas não desejava envergonhar Maria, publicamente. Era um homem bom e justo e por isto planejou romper o contrato em segredo. Era uma decisão difícil porque muito amava sua noiva. Jamais a acusaria, difamando-a perante o Sinédrio. Tendo meditado nessas coisas e tomado sua resolução em dar-lhe “carta de divórcio”, deitou-se para dormir e também recebeu uma mensagem de um anjo ou de um espírito superior, repetindo-lhe as palavras que o anjo Gabriel dissera a Maria; também citando as palavras do profeta Isaías.
- Como explicar o sonho revelador de José?
José era portador de mediunidade onírica ou de sonhos. Estando parcialmente liberto pelo sono, ele recebeu a visita de um Espírito superior que lhe esclareceu, confirmando a narrativa de Maria. Ao acordar, seguiu as orientações do anjo, revelou à todos a vinda do Messias e casou-se com Maria.
Mais uma vez, por meio do fenômeno mediúnico, Deus fez cumprir Sua suprema Vontade.
- Por que o ser humano necessita da mediunidade para evoluir?
Porque é Lei de Deus. A mediunidade, em suas diversas manifestações, tem sido a base fenomênica da evolução intelecto-moral do Espírito nos planos das vidas corpórea e extracorpórea. Todos os seres humanos são médiuns, porquanto a mediunidade faz parte da natureza espiritual. Quando o Espírito encarnado ou desencarnado vê-se diante da incredulidade, da dúvida ceticista, da indiferença ou do desamor, surge o socorro da mediunidade para despertar a fé, dirimir dúvidas, estabelecer a ordem, libertando o Espírito do opróbrio da desconfiança, do egoísmo e da ignorância, geradora de todos os males. Sem a Lei da Mediunidade não existiria comunicação entre os dois planos evolutivos da vida, a reencarnação seria inviável, o amor e a justiça de Deus jamais seriam compreendidos na Terra e Jesus não encontraria condições para demonstrá-los em toda a sua plenitude.
II – Nascimento
de Jesus
Naqueles dias, apareceu um edito de César Augusto, ordenando que se fizesse o recenseamento de todo o mundo habitado. Esse recenseamento foi o primeiro enquanto Quirino era governador da Síria. E todos iam se registrar, cada um na sua cidade. Também José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, para a cidade de Davi, que é chamada Belém, na Judeia ??porque era da família e da linhagem de Davi ? para se registrar com Maria sua esposa, que estava grávida.
Quando estavam lá, chegou o tempo em que ela devia dar à luz. Ela teve seu filho primogênito, enrolou em faixas, e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. (Evangelho de Lucas, cap. 2, vv. 1 a 7).
- Quais as idades prováveis que José e Maria se casaram?
José e Maria casaram-se, possivelmente com cerca de trinta e quinze anos, respectivamente.
- O que significava o casamento para os judeus?
O casamento e a procriação eram um dever sagrado para os judeus. A única razão aceita para que um homem não se casasse era ele querer dedicar sua vida ao estudo da Torá, envolvendo o ensinamento judaico do Pentateuco, ou dos cinco livros de Moisés: Gênese, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio, contidos na Bíblia hebraica.
- Como era realizado o casamento judaico?
Segundo a tradição judaica, antes de começar a cerimônia do casamento, o noivo vai à câmara nupcial para ver a noiva, antes de cobrir o seu rosto com o véu. Isto porque num incidente relatado na Bíblia, Jacó desposou a mulher errada porque ela já tinha o rosto coberto com o véu. A cerimônia de casamento ainda é conduzida pelo rabino e pelo funcionário da sinagoga que conduz as orações e os cânticos sagrados.
É possível que Maria tivesse feito sete voltas em torno do noivo, que todos houvesse recitado bênçãos sobre uma taça de vinho, destinada aos pais dos noivos e posteriormente aos seus respectivos filhos, que José tivesse colocado o anel no dedo de sua noiva, diante de duas testemunhas, estando o casal na sinagoga, mas sob o pálio nupcial que é uma armação portátil, com varas, que se leva em cortejos e procissões, para cobrir a pessoa festejada. O pálio nupcial simboliza a casa do noivo, sob a qual ele se posta vestindo uma túnica de cor branca, comprida em forma de sudário, e aguarda que a noiva se junte a ele para a cerimônia do casamento. Após o noivo colocar o anel no dedo da noiva, lê-se o documento de casamento, que é dado pelo noivo a sua noiva, que o guardarão. Após novas bênçãos recitadas sobre uma segunda taça de vinho a cerimônia tem o seu término com o noivo quebrando um copo, para lembrar a todos a respeito da tristeza coletiva quando da destruição de Jerusalém, de acordo com o Salmo 137.
- Durante a gravidez José e Maria tiveram relações?
É provável que não. Antigamente após a cerimônia o casal era levado para que o casamento se consumisse, ficando os recém-casados alguns momentos a sós. Depois do casamento, os judeus consideram como tendo nascido de novo, e todos os seus erros ou pecados anteriores lhes são perdoados.
- O que pensar do recenseamento no tempo do nascimento de Jesus?
Na época do nascimento de Jesus, o recenseamento iniciado por Públio Sulpício Quirino, por volta de 9 a.C., quando era governador da província romana da Síria, ainda não havia sido finalizado. Tal recenseamento teria o seu término em 6 a.C. quando Gaio Sêncio Saturnino ainda era o governador da Síria.
- Que imperador governava Roma na época do nascimento de Jesus?
O imperador César Augusto governava de Roma um vasto império, quando Jesus nasceu. Império que abrangia do norte da Europa a Grécia, Ásia Menor, norte da África e o Oriente Médio.
- O que os judeus pensavam a respeito de um recenseamento?
Para os judeus, um recenseamento ofendia suas tradições religiosas, porquanto eram contrárias a tal, sobretudo porque um recenseamento imposto por um poder estrangeiro violava seu mais sagrado princípio: “Nenhuma lei além da lei do Senhor, nenhum rei a não ser Deus”.
- Onde Jesus nasceu?
Em Belém da Judeia, ou cidade do Rei Davi. Devido ao recenseamento e, possivelmente, por razões religiosas, o primogênito de Maria nascera na própria cidade que a profecia identificava como o lugar de nascimento do Messias.
- O que pensar a respeito de José e Maria encontrarem em Belém um local mais apropriado para uma gestante nas horas do parto?
A viagem entre Nazaré e Belém durava quatro ou cinco dias. Quando chegaram em Belém José e Maria não encontraram lugar nas hospedarias, e por isto ficaram em algum estábulo, ou gruta, nos arredores da cidade. Em algumas dessas cavernas, que serviam para abrigar os pastores e alimentar seus animais, em couchos ou manjedouras, escavados nas pedras, possivelmente nasceu Jesus. O nascimento de Jesus representou o marco inicial da regeneração da Humanidade terrestre. A simplicidade da manjedoura contrasta com a ambição, a vaidade, o orgulho e o apego às coisas materiais. O maior dos reis escolheu num lugar destinado aos animais e aos seus pastores. Porque o “cordeiro de Deus” foi e ainda é o “Bom Pastor”, condutor vigilante e sublime de muitas humanidades, diretor de incontáveis processos evolutivos das inúmeras falanges espirituais que governa, sob a perfeita vontade de Deus.
(Emídio Silva Falcão Brasileiro, doutor em Direito, autor da obra O Livro dos Evangelhos – Site: www.cultura.trd.br)