Brasil

O negócio é não entender!

Redação DM

Publicado em 23 de março de 2016 às 00:41 | Atualizado há 10 anos

Quase não assisto e na verdade, quase não vejo TV, mas em 16/03/2016 decidi acompanhar o Jornal Hoje, esse “folhetim do almoço” produzido pelo “fantástico mundo da Rede Globo”.
Os trejeitos, as performances e a oralidade que seus apresentadores, Sandra Annemberg e Evaristo Costa assumem ao anunciar as graves denuncias de corrupção envolvendo a Petrobras é, em si e de longe, um show à parte.
As narrativas são especialmente preparadas; o cenário recheado de efeitos especiais, comunicacionais e muita, mas muita… Computação gráfica, tática definitiva para a lobotomia tucano-global que se realiza por mais de dois anos contra o povo brasileiro; a grande questão é que a força e o sentido desse tipo de noticiário e de seus comprometimentos é que o fundamental da notícia não está no visto, anunciado, ao contrário, está no que não está visto, dito e naquilo que, aparentemente, não tem a menor importância.
Acontecimentos? Verdade? Isso não existe para o jornalismo empresarial e de massa. Não existe porque, simplesmente, nunca existiu. Pura ideologia e estratagema da profissão… O negócio é a impressão, o simulacro, sua potência e a condução célere e bovina de mentes e espíritos em favor do projeto social de nação que por quinhentos anos inviabiliza três quartos do povo brasileiro.
Costa e Annemberg surgem sérios e resolutos; rostos formais, ternos bem ajustados, discursos emparelhados e cronometrados; vê-se uma fina sintonia no “pinguepongue” discursivo que fazem com a notícia. Não é noticiário é um fantástico e muito visual musical da Broadway.
Rostos rijos, fala tensa e agoniada; Anemberg executa um impressionante contorcionismo verbal; acusatória e ritualística, tal qual um predador que busca a vítima, vai se aproximando, ensaia falas paralelas para com “peixes menores”; dramatiza, exagera, vocifera… Mas seu alvo, como determinação do clã Marinho, é ele, Lula da Silva e; vai, vai, vai… Mas… Quando chega perto de Lula, esse vulto, para o bem ou para o mal, da recente história nacional, se altera por completo; fica em um conta-não-conta; diz, mas não diz; denuncia sem saber; é juri, juiz e carrasco… Tudo ao meso tempo. Se perde…
Acusa sem saber do que acusa e no grande jogral da Lava Jato tenta, de qualquer forma, situar a “peça” Lula mas os encaixes não permitem. Força uma adaptação, insiste prostra-lo na boca do vulcão, mas, de novo, não cabe.
É experiência de difícil lida e gestão; A “bola” é passada para o bem alinhado Costa que assume e como que jogando a toalha arremata, daí… trivialidades importantes como o zika vírus, dengue e eleições nos Estados Unidos capitaneadas pelo circense Donald Trump.
Mas, o negócio é não entender! Diferentemente do que se pensa, a estrategia e a grande opção é confundir; é inocular a dúvida atroz e enviesada que jamais será sanada; é sulcar o juízo da população ao nível da imbecilidade em fina e interminável desconstrução de Lula, Dilma, do PT e das esquerdas. Ao fim, o que se espera após essa lavra ideológica é a legitimidade social para a derrubada de Dilma e Lula.
Vejam os telejornais da Globo mas estejam seguros de que não estão vendo qualquer tipo de telejornal. São liquidificados de missa matinal, com Ana Maria Braga, com a novela das nove e a Tela Quente. Verdade? Qual nada! O importante é o espetáculo!

(Ângelo Cavalcante – economista, cientista político, doutorando – USP e professor da Universidade Estadual de Goiás – UEG, campus Itumbiara)


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