Os acontecimentos falam por si
Redação DM
Publicado em 12 de dezembro de 2015 às 22:52 | Atualizado há 11 anosAos que criticam sem conhecer, seria melhor conhecer para fazê-lo. Assim procedi após alguns problemas de saúde, período que me dediquei mais a fundo praticando o que mais gosto, a leitura. Aprofundei-me em livros mais espiritualistas que, presumidamente, contêm respostas mais concisas sobre vários temas e que outras filosofias e a teologia não fazem.
O certo é que depois de muitas leituras, a exemplo de Médico de Homens e de Almas, Paulo e Estevão, A Bíblia, A Bíblia Segundo o Espiritismo, Zelota, O livro do Espíritos, O Temperamento Controlado pelo Espírito, aproveitei para reler e refletir muito sobre o Velho e o Novo Testamentos e tantos outros livros.
Em todos redescobri a grandeza de Deus, esse Deus que se manifesta, em especial, através da natureza e suas ocorrências, às vezes tão explícitas e outras não menos implícitas e por incontáveis acontecimentos através de pessoas especiais, que buscam no bem estar do próximo a própria realização como ser humano. Até mesmo naqueles que não se locupletam nas funções que lhes são confiadas ou nunca estão satisfeitos com o que possuem de bens materiais e saem por aí à caça de mais lucros e dividendos, tirando dos que quase nada têm para satisfazerem a avareza, luxúria e orgulho, tornando-se verdadeiros déspotas de si mesmos.
Meditei muito sobre a passagem do Evangelho que diz: “Quem tem ouvidos que ouça, quem olhos que veja!”.
Embora simples, a magnitude dessa colocação é de um transcendentalismo incomparável, pois basta observamos tudo que nos cerca; os fatos e circunstâncias, as pessoas que nos acompanham, as palavras que ouvimos e tudo que complementa nossa vida e parte do o mais simples ao intelectual. Se soubermos trazer tudo isso para o nosso dia a dia, veremos que somos apenas uma peça que se encaixada neste grande quebra-cabeça que nos cabe perscrutar e tentar entender.
Diante disso e pelas circunstâncias, fui parar numa visita ao médium João de Deus, em Abadiânia. O que lá ocorreu comigo, tudo que lá vi, ouvi e continuo vivenciando, no momento oportuno será levado ao conhecimento do nobre leitor através do livro intitulado “Cara a Cara com João de Deus”, de nossa lavra e já no prelo.
Mas a propósito do tema deste artigo, há pouco tempo empreendi viagem à cidade de Belém do Pará, para uma visita de cortesia a um membro da família que um dia fora padre. Muito apegado à religião, por vezes relutava em aceitar minhas colocações, em especial quando mais aprofundadas sobre o espiritualismo. Resolvi deixar tudo correr normalmente, até que ele convidou, minha esposa e eu, para conhecermos a Igreja Nossa Senhora de Nazaré e lá assistirmos uma missa. E, diga-se de passagem, na capital Paraense, encontrei luxo apenas nas igrejas que visitamos. Um paradoxo se levarmos em conta o que nos ensinou o fundador da Igreja Cristã.
Pois vejam só o teor da primeira leitura que lá ouvimos: “Naqueles dias, o Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés. Retirou um pouco do espírito que Moisés possuía e deus aos setenta anciãos. Assim que repousou sobre eles o espírito, puseram-se a profetizar, mas não continuaram. Dois homens, porém, chamados Eldad e Medad, tinham ficado no acampamento. O espírito repousou igualmente sobre os dois que não tinham ido à tenda e eles profetizaram no acampamento. Um jovem correu para avisar Moisés que os mesmos profetizavam no acampamento. Um ajudante de Moisés desde a juventude disse: – Moisés, meu Senhor, manda que eles se calem! Moisés respondeu: – Tens ciúmes de mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito!”
Se não bastasse, na leitura do Evangelho: “ João disse a Jesus: – Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não os segue. Jesus disse: – Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor…” Para o bom entendedor, um pingo é letra.
Diante do ocorrido restou-me o silêncio e a certeza de que nunca tinha sido tão patente a assertiva do Mestre dos mestres: “Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”
(José Cândido Póvoa, poeta, cronista e advoado)