Brasil

Os sinais do novo governo

Redação DM

Publicado em 22 de maio de 2016 às 01:49 | Atualizado há 10 anos

Nos últimos dias o Brasil experimentou consequências de uma novidade anunciada e construída pelo amontoado de desacertos geradores de incertezas.

Não muito longe no tempo, acompanhamos atônitos num domingo, dia naturalmente destinado ao descanso, uma sessão intensa da Câmara dos Deputados em que, por razões não contidas nos votos que exteriorizaram – argumentos os mais estapafúrdios –, afastou-se a “presidenta”.

Com a urgência que a situação exigia, o vice-presidente foi empossado, recebendo a pecha de “interino”, quando não é difícil concluir que Dilma jamais voltará ao exercício das funções presidenciais. Essa conclusão não é desejo deste escriba, é a constatação que os fatos autorizam.

Essa inusitada realidade trouxe-nos aos olhos e aos ouvidos as ocorrências previsíveis no mundo político e impensáveis no mundo real. Ministros de Estado do mandato Dilma, líderes de seu governo, companheiros de todas as horas do petismo que está encerrando seu ciclo, mudaram de remo e tudo para a canoa de Temer.

Essa debandada confirma que os políticos, principalmente os que têm mandato na Câmara e no Senado, à exceção de Waldir Maranhão, estão convencidos que o mundo mágico de Dilma está definitivamente desfeito.

A segurança da nova gestão estriba-se na credibilidade nas nomeações de Henrique Meirelles e José Serra, bem como na boa história política do próprio presidente.

Embora não seja comum, a credibilidade outorgada pelo presidente a seus dois ‘ministros maiores’ evidencia que, diversamente do que vínhamos assistindo, as novas autoridades poderão exercer a plenitude de suas atribuições sem puxões de orelha, prática comum nos governos autoritários ou naqueles que não têm rumo definido.

Essa nova realidade permitiu-nos assistir o novo ministro das Relações Exteriores responder com firmeza as declarações de desconfiança emitidas pela Unasul – União de Nações Sul-Americanas, exigindo respeito à autonomia brasileira para resolver suas questões internas.

Demonstrando a mesma coesão administrativa, vimos o ministro da Fazenda designar seus auxiliares, até mesmo os diretores do Banco Central, cuja dimensão dos cargos é de tamanha grandeza que só serão empossados após a aprovação pelo Senado da República, sem a tutela do presidente.

Óbvio que tais práticas caracterizam ações administrativas combinadas, mas a mecânica operacional deu-se de forma a evidenciar a merecida e indispensável autoridade dos ministros.

Sem ser presunçoso, mas assumindo o risco da afirmação, entendo que governo faz-se valorizando as relações administrativas dos cogestores, com agendas préconstruídas dentro do mundo das probabilidades reais, como as novas práticas estão sugerindo que acontecerá.

 

(Felicíssimo Sena, advogado)

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