Brasil

Papai Noel: a mentira que insiste. E como persiste!

Redação DM

Publicado em 22 de dezembro de 2016 às 00:47 | Atualizado há 10 anos

Uma frase me chamou a atenção, recentemente. Ei-la: “A mentira é uma vilã; quando parece dar a felicidade, a arrebata”.

Ela me fez refletir sobre as verdades e mentiras do mundo dos homens. E concluí que os pagãos e cristãos de todas as crenças e descrenças oscilamos entre esses dois polos do mesmo eixo. E como a força maior que nos empurra para um ou outro polo tem sido o interesse e a conveniência, torna-se visível que o mundo pende mais para a mentira.

É uma pena porque, conforme nos ensina o criador da ciência Logosófica, Carlos B. González Pecotche, “a verdade é rica, enormemente rica; e a mentira é muito pobre, enormemente pobre”.

E são tantas as mentiras desse mundo de meu Deus…

O Natal nos faz lembrar de uma delas: o lendário Papai Noel. É mentira ou é verdade o que ouvimos, desde a infância, sobre esse bondoso velhinho?… Claro que o pensamento de generosidade e afetividade que está por trás dos presentes natalinos é verdadeiro e, portanto, merece aplauso. Mas, na minha opinião, devemos estar atentos para aspectos dentro desse contexto.

O primeiro deles: Não devemos iludir as crianças com a desnecessária mentirinha de que os presentes são distribuídos por um velhinho bondoso, o Papai Noel.

O outro é que não devemos iludir a nós mesmos com o convencionalismo de que no Natal deve-se dar e receber presentes.

No primeiro caso, penso que a intenção da mentirinha é ingênua; mas seus efeitos podem ser danosos à tenra e fértil mente da criança, onde inadvertidamente são plantadas as sementes da ilusão e da mentira. É assim que estas chegam de forma tão familiar a esse ser em formação que cresce convivendo com as mentiras, dentro e fora de casa; considerando-as normais no dia a dia da sociedade, em todos os seus níveis e âmbitos.

No segundo caso, as tradições – mais pagãs do que cristãs – dos festejos de fim de ano foram, de há muito, superadas pelo mercantilismo. O cada vez mais selvagem sistema capitalista se aproveita disso e, estrategicamente, cria hábitos e convenções com todas as datas possíveis: dia dos pais, das mães, da sogra, das crianças, dos namorados… E foi assim que as sociedades cultivaram e fortaleceram a mentira do papai Noel! E é assim que o sistema mercantil tenta criar (não conseguiu ainda!) o hábito do dia do desaniversário, com direito a lembranças e presentes todo mês.  Criaram até a canção “Feliz Desaniversário” (Unbirthday), num filme animado da terra do Tio Sam; e também campanhas para propagar esse convencionalismo. E pensar que todo mundo em todo o planeta tem, em 11 meses do ano, uma data de desaniversário para comemorar!

Oportuno é relembrar a passagem de um livro do pensador e educador Carlos B. González Pecotche, criador da Logosofia, cujo conteúdo me advertiu para as intenções e pensamentos que estão por trás das coisas e dos fatos. Esse pensador nos adverte que “a mentira é como uma marionete: aparenta ter vida própria e na realidade é movida por fios que agitam a imaginação. Por carecer de vida, sua existência é fugaz. (…) Um nada que, caprichosa e obstinadamente, pretende existir à margem da criação”.

Sua vida é efêmera e a quimera é o seu paraíso; “por isso os iludidos sofrem tão amargas decepções cada vez que são obrigados a voltar seus olhos e seu entendimento para a realidade” – adverte Pecotche.

 

 (João Nascimento, jornalista)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia