Brasil

Política privada S.A

Redação DM

Publicado em 4 de agosto de 2016 às 03:22 | Atualizado há 10 anos

Eleição é sempre esse instante dúbio e contraditório onde esperança e desesperança, dúvidas e certezas, apatia e empatia se combinam de forma desigual para dar face e forma às sempre ríspidas pelejas políticas e que acontecem, sobretudo, nos interiores do Brasil.

Já é tempo de um modelo político eleitoral mais moderno, republicano e social entrar em vigor ou seguiremos com a já péssima política brasileira capturada pelo poder econômico de grandes corporações. Ou redefinimos as formas de representação ou a política seguirá caudatária de uma lógica econômica fundada em oligopólios e monopólios e que em nome de estranho conceito de “desenvolvimento” ou “produtividade” emasculam o Estado de suas funções básicas de regulação social e econômica.

Nesse sentido, o princípio da democracia onde a vida na “pólis” é conduzida por cidadãos, independente de sua origem ou condição social e econômica, cai e se esfacela por terra. A globalização das finanças especulativas reduziu os Estados-nação, sobretudo, a partir de 1960, em autarquias de validação fiscal e contábil das mais alucinadas e inimagináveis proezas do rentismo global.

Reformar a política e seus modelos de organização é nossa exigência moderna, aliás, é condição para seguirmos, mesmo que feridos e atordoados com nossa democracia “meia boca”. Tal qual o Renascimento e que lançou as sementes teóricas e militantes para a fundamental separação entre igreja e Estado e que irá se realizar com profundidade e inteireza com os revolucionários franceses de 1789, a separação da (des) economia das especulações globais da vida civil é condição para a integridade do próprio Estado, dos seus princípios universais e da vida comum, em suma, se está a tratar da própria atualidade da democracia brasileira, essa velha doente, manca e abusada.

Enquanto “nossos” legisladores não se ocupam de mudar o que deve ser mudado, afinal, é preciso fazer política na cidade para as eleições municipais e eleições no estado para os pleitos estaduais, vamos nos arrastando sob o solo enlameado do modelo eleitoral vigente onde o crime eleitoral é a regra, o abuso econômico é condição e o vício político da negociata bairro a bairro, casa a casa é a principal e mais eficaz estrategia eleitoral de ricos e abonados. E tudo isso sob os olhos míopes e burocratizados de nossa “justiça” eleitoral.

A outra alternativa é “a alternativa”. É a organização das populações pobres nos partidos populares ou em muito bem articulados movimentos sociais a partir de projetos emancipatórios e centrados na realização de profundas reformas estruturais. Na verdade, esta é a única opção que de fato que nos interessa e em condições de realizar justiça histórica, justiça aos pobres e invisíveis sociais mas… Isso é outra história.

 

(Ângelo Cavalcante, economista e  professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara)


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