Brasil

Porta Santa: tradição, reflexão, desafios e superações, que marcam o Ano Jubilar

Redação DM

Publicado em 19 de dezembro de 2015 às 22:30 | Atualizado há 10 anos

Dentre as comemorações que marcam o Jubileu da Misericórdia, a Arquidiocese de Goiânia preparou uma programação especial para os fiéis vivenciarem o Ano Santo da Misericórdia. Hoje, 20 de dezembro, se procederá a abertura da Porta Santa na Igreja Matriz de Campinas, às 17h.30min. A celebração especial será presidida pelo arcebispo Dom Washington Cruz, e concelebrada pelo Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás, Pe. Robson de Oliveira. A Santa Missa terá transmissão, ao vivo, pela Rede Vida de Televisão, para todo o Brasil.

Mas o que seria Uma Porta Santa? É uma porta especial instalada em uma catedral ou em uma basílica, que é aberta apenas nos anos jubilares. Em geral, isso deveria acontecer a cada 25 anos (intervalo entre os anos santos ordinários). Ela se abre para marcar simbolicamente o início de um ano santo. Cada uma das basílicas maiores de Roma, por exemplo, tem a sua Porta Santa, que é fechada e murada fora deste período especial. A tradição remonta a 1423, ano em que o papa Martinho V abriu, pela primeira vez na história, um ano jubilar através de uma Porta Santa na Basílica de São João de Latrão.  Já a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro remonta ao natal de 1499. Até ao jubileu do ano 2000 era costume que o Papa abrisse a Porta Santa da Basílica de São Pedro, delegando depois esse poder a um cardeal para a abertura das portas das três outras Basílicas de Roma.  O Papa João Paulo II rompeu esta tradição fazendo ele mesmo a abertura e fecho de todas as quatro Portas Santas de Roma.

O ritual obedecia a uma tradição diferente em cada tempo.  Por exemplo, de 1500 a 1975, cada Porta Santa era trancada pelo lado de fora com uma parede. Para abrir as portas do portão, era necessário derrubá-la: o Sumo Pontífice, usava um martelo para começar, dando três pancadas, que não eram inteiramente simbólicas, os operários, em seguida, completariam o trabalho de demolição. No jubileu de 2000 o Santo Padre não demoliu o muro, tendo apenas empurrado a Porta Santa, que foi completamente aberta por dois sampietrini (operários do vaticano). Dessa forma, quando o ano Santo termina, o Sumo Pontífice fecha ele mesmo a Porta Santa. A reconstrução de um novo muro começa com pedras e tijolos previamente abençoados.

Os peregrinos transpõem a Porta Santa durante o tempo em que ela fica aberta, isto é, quando termina o ano jubilar.   Atravessar hoje a Porta Santa, segundo o Papa Francisco, nos compromete a adotar a misericórdia do bom samaritano.  Este é o espírito com o qual se deve viver o Jubileu Extraordinário, conforme disse Papa Francisco na missa celebrada por ocasião da Solenidade da Imaculada Conceição (08/12), na Praça S. Pedro. Na homilia que antecedeu a abertura da Porta Santa, o Pontífice ressaltou a primazia da graça: “A festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino.” Este Ano Santo Extraordinário é, também, dom de graça, prosseguiu Francisco. “Entrar por aquela Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhem e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que nos procura, que vem ao nosso encontro. Neste ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia.”

Continuou sua homilia criticando a arrogância dos governantes e proclamou que com o Jubileu começa o tempo do grande perdão. “Num contexto histórico de grandes abusos e violências, por causa sobretudo dos homens do poder, Deus faz saber que Ele mesmo governará o seu povo, que não o deixará nas mãos da arrogância dos seus governantes, que o libertará de cada angústia”.

A não ser a Porta Santa da Basílica de São Pedro, cada uma das demais basílicas maiores romanas e de todo o mundo poderá ter uma Porta Santa, que será aberta. Isto porque o Papa Francisco instituiu algo novo: cada bispo tem permissão de designar uma porta da sua diocese como Porta Santa. Portanto, todos os católicos têm acesso a uma Porta Santa em sua diocese ou nos principais Santuários do seu país. É por isso que esse simbolismo se realizará em Goiânia, no Santuário Mãe do Perpétuo Socorro. Lá foi construída a Porta Santa. Ela representa o passo do pecado à redenção, da morte à vida, do não crer à fé. Jesus se descreve como “a Porta”. Precisamos entrar por ela para chegar ao Pai. A porta é a via da salvação. Neste contexto, há também um simbolismo mariano, pois a Virgem Maria é a porta através da qual a salvação entrou no mundo. Abrir as portas na solenidade da Imaculada Conceição tem, portanto, um duplo significado. Além de Goiânia, no Brasil, onze Santuários da Mãe e Rainha serão pontos especiais de encontro com o amor misericordioso do Pai, tendo suas portas proclamadas santas, locais onde se recebe a indulgência plenária. São eles: Atibaia/SP; Belo Horizonte/MG; Brasília/DF; Curitiba/PR; Garanhuns/PE; Jacarezinho/PR; Londrina/PR; Poços de Caldas/MG; Rio de Janeiro/RJ; Santa Cruz do Sul/RS; Santa Maria/RS

Oficialmente, este Ano Santo Jubilar da Misericórdia teve início com a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro, no dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, e será encerrado na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, em 20 de novembro de 2016. “O Ano Jubilar é um momento de rever os passos dados, desafios e superações. Mas, principalmente, olhar para o futuro, abertos às ações do Espírito e o que Ele suscita para a vida da Igreja, do cristão”. explicou o coordenador de pastoral da Arquidiocese de Goiânia, Pe. Rodrigo de Castro Ferreira.

Dessa forma, é uma alegria dos goianienses por mais este feito de fé e tradição Cristã. Estamos todos de parabéns e agradecidos ao nosso querido Dom Washington Cruz, por sermos integrantes do grupo de igrejas e locais sagrados que terão suas portas elevadas à Porta Santa neste ano jubilar.

Como integrante da comunidade Campineira, sinto particular orgulho e emoção por sermos privilegiados em receber na nossa Matriz de Campinas a Porta Santa. Assim, espero levar ao conhecimento de toda a população goianiense o significado dessa graça.

 

(Célia Valadão, cantora, bacharel em Direito e vereadora)


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