Qual o melhor currículo dos três candidatos da OAB?
Redação DM
Publicado em 16 de novembro de 2015 às 22:57 | Atualizado há 11 anosAs eleições da OAB estão próximas e o jovem advogado precisa se posicionar. Lembro que ao me formar em direito e conquistar a tão sonhada carteira da OAB fui alertado por um veterano: advocacia deve ter líder e líder deve ter boa formação. E sem líder, a classe encolhe. Isso quer dizer que: 1) por mais que as coisas estejam ruins, ou que existam contratempos na profissão, ela pode ficar pior. 2) nem todos são líderes.
A Ordem não deve ser usada para se fazer política. É a primeira regra. A segunda: a Ordem é uma autarquia que deve zelar não apenas pela advocacia. Fosse apenas isso, ela estaria apartada da sociedade, sem funcionalidades. Restaria o isolamento e a morte institucional.
Acredito que a Ordem deve estar em uma posição estratégica, entre a sociedade civil e o Estado – e, claro, com uma imensa lanterna para orientar o jovem advogado pelos novos caminhos.
Diante disso, e de novo com o olhar voltado aos mais jovens, muitos deles ex-alunos que tive, resta uma pergunta: qual o peso do currículo em uma decisão de voto? No passado, escolhia-se o mentor ou líder por conta de seu conhecimento.
Temos três professores de direito processual civil em disputa no estado de Goiás. Quer dizer, dois. O atual presidente da OAB se especializou na área, mas não tem esta reputação de ‘professor’. Sobram dois. Vejam vocês, portanto, que temos um debate de alto nível em Goiás.
Com dois professores teremos – vencendo um ou outro – uma OAB mais sistematizada e menos subordinada a quem quer que seja. Professores são lideres natos. Diante deste cenário, chamo atenção para o currículo do Flávio Buonaduce, que tem se desdobrado para frequentar um doutorado e sustenta em seu currículo um mestrado em processo civil defendido em uma das mais tradicionais universidades do Brasil.
Conheço as agruras do candidato, pois estou na mesma posição em termos de forma acadêmica e sei bem o quanto demora e é dificultoso finalizar uma pesquisa desta espécie. Para o advogado desatento isto pode parecer nada e sem importância, mas será a pesquisa a apontar as mudanças legislativas necessárias. Em outras palavras, as motivações do projeto de lei terão como fundamento estes doutorados e mestrados. Mas chamo atenção para a modelagem de caráter e de formação. O título realmente não significa nada e pouco importa, mas o compromisso de se estudar e atualizar, sim. Uma classe sem boa formação desaparece.
Buonaduce tem um currículo internacional, com ações e cursos em outros países. Diria que, se fossemos escolher o que conhece mais em sua área, não teríamos duvidas nenhuma em apontar o professor Buonaduce – hoje uma das principais mentes do processo civil em Goiás. E o que é, afinal, o Direito sem o processo?
Suas propostas representam isso: como professor, ele conhece bem a realidade dos alunos de baixa renda, as dificuldades de acesso à Justiça, os empecilhos da lei, as filigranas, os dispositivos que para nada servem, as imposições malucas do Judiciário.
Esse conjunto de propostas tem repercutido entre os mais jovens exatamente pelo contexto em que vivem: são ex-alunos e que muitas vezes se deparam com uma realidade de contradição. Em vez dos céus, encontram dificuldades após a barreira do Exame da Ordem.
Por isso bato na tecla da razoabilidade. Ao perceberem o currículo do candidato, e seu discurso, pensam duas vezes entre se aventurar e realizar a manutenção de um sistema que nada ofereceu nos últimos meses.
Sugiro ao jovem advogado que veja a formação curricular e os feitos educacionais de nossos dois professores e escolha o melhor para o atual momento da OAB. Temos dois opositores à Ordem que se tornou objeto de denúncias e escândalos. Afinal, queremos mais escândalos? ‘Mutatis mutandis’, estou começando a acreditar que pela lógica e pelo óbvio o professor e advogado Buonaduce é a melhor saída pra uma OAB em crise.
É hora de usar a razão e modular o pensamento. E escolher bem. Afinal, nenhum advogado quer ser liderado por aqueles que podem colocar em risco a imagem da nossa profissão.
É hora da jovem advocacia goiana, que preza pelo estudo e pela boa formação, colocar em prática a meritocracia. Escolha realmente o melhor.
Welliton Carlos é pesquisador da UFG nas faculdades de Direito e de Ciências Sociais, jornalista e advogado