Brasil

Quem irá nos salvar do dilúvio de lama que nos rodeia

Redação DM

Publicado em 28 de outubro de 2015 às 22:53 | Atualizado há 11 anos

“O sol… há de brilhar mais uma vez

A luz… há de chegar aos corações

dO mal… será queimada a semente

O amor… será eterno novamente

É o Juízo Final, a história do bem e do mal

Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer

O amor… será eterno novamente”

(Nelson Cavaquinho)

 

Nós estamos nos albores do século XXI. Mais precisamente escrevo este artigo em outubro de 2015 e ponho-me ao exercício de algumas reflexões sobre os vícios e virtudes da humanidade. A história do mundo, didaticamente, é dividida em vários estágios e idades. Hoje, as Ciências têm tido recursos e tecnologias para entender a evolução do planeta, mesmo antes do surgimento do homem. Grosso modo, basta lembrarmos as eras  paleolítica,  paleozoica, neolítica etc. Os dinossauros, por exemplo, dominaram o planeta nos períodos jurássico e cretáceo. Como as Ciências e a História dão conta desses primórdios? Com os estudos de Paleontologia, dos achados fósseis e do carbono 14. Ainda na pré-história tivemos o período do homem das cavernas, os fósseis dos ancestrais humanos, Cro Magnon, homem de Neandertal. Os vestígios de nossa espécie, o homo sapiens sapiens etc.

E dando já um gigantesco salto na trajetória do planeta temos os achados daquelas civilizações antes de Cristo (a.C); povos da antiga Babilônia, do antigo Egito, da Mesopotâmia etc.

Na História não muito remota temos a idade média, a idade moderna, a era industrial surgida no Reino Unido, o século das luzes dos iluministas franceses, o século XX com as duas piores guerras da humanidade ou três para ser mais preciso, I e II mundiais e do Vietnã nos anos 1960. E chegamos então ao século XXI, esperado e almejado por toda a humanidade. A introdução foi longa, mas foi de propósito para melhor contexto da odisseia do homem (gênero) no planeta.

Faço então uma digressão do comportamento desse diferenciado animal que é o homem. Vamos partir do pressuposto de que a explicação do gênero humano se dá pela  teoria do criacionismo. E mesmo partindo dessa tese a evolução narrada e difundida por Darwin nos ajuda a entender diversas adaptações e melhoramento genético e  social da espécie. Qualquer que sejam as crenças e intuição de cada pessoa, penso ser pacífico que o homem surgiu na Terra destinado  ao bem, à virtude; enfim à felicidade.

Eu pinço duas frases que foram estampadas na capa da revista veja nº2442 de 9-09-15. “Deus , sendo bom, fez todas as coisas boas. De onde então vem o mal?” Santo Agostinho, nas confissões. “O mal (e o bem) vem do homem”- Czeslaw Milosz, poeta polonês (Nobel de literatura).

Criado e evoluído ,era esperado  e é natural esperar que o homem dotado de tantos atributos, que lhe são exclusivos, cuidasse não só do planeta, mas sobretudo uns dos outros da mesma espécie e de toda forma de vida na terra. Entretanto, tais desígnios e objetivos  não têm se cumprido pelos fatos que tomaram conta do Brasil e do planeta.

A devassidão e a ignomínia tomaram conta da humanidade. A putrefação e corrupção invadiram todos os segmentos da sociedade. Fica a parecer que estamos dominados pelo império do diabo. Sequer os palácios de governos e templos sagrados escapam de tamanha abominação e indecência.

A tal ponto chegaram os vícios, a desonestidade e toda sorte de mal que aqueles fatos pecaminosos pré-diluvianos se tornaram fichinhas ou pequenas causas  frente ao que assistimos em nosso dia a dia. Todas as formas de mídia que acessamos se transformaram em shows de horrores, sobretudo capitaneadas pela TV e internet. Não há um só dia que abrimos um jornal, ligamos a televisão ou acessamos a internet sem depararmos com as notícias policiais de crimes, de corrupção generalizada , inclusive nos órgãos e seções públicas e todas as combinações delituosas nos mais variados graus de torpeza dos gestores públicos e dos governantes.

E então imagino que Deus e seus santos assessores devem estar pensando em alguma solução. Busquemos o que o criador pensou na época de Noé, época antes do dilúvio.

Genesis 6 – A corrupção da humanidade 6-5. E viu o senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má, continuamente. Idem 6-6- Então arrependeu-se o senhor de haver feito o homem sobre terra, e pesou-lhe em seu coração. Capitulo  6-7- E disse o senhor: destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até a ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

O resumo e final dessa história é que em meio a tanta corrupção e devassidão daqueles tempos teve um personagem que fez a diferença. Noé. Ele vivia de forma pura e perseverante e alegre com  sua família. Graças à sua via baseada na ética e no senso de justiça, nós (a espécie humana) nos  salvamos do dilúvio em sua arca com todos os outros animais.

Em que pese, certamente, novamente a contrariedade e arrependimento de Deus pela criação do homem, com os horrores vigentes, com a devassidão e corrupção no mundo e no Brasil, nós ainda podemos ser os Noés da humanidade. O reino das virtudes, do bem e da fraternidade há de prevalecer sobre toda forma da maldade, da corrupção e da violência que vem se grassando e dominando o mundo;  quem sabe nem precisaremos de outra arca para nos salvar do dilúvio de lama que nos rodeia em pleno século XXI.  Basta que os poucos honestos, éticos e justos, façamos a diferença. Out./2015

 

(João Joaquim – médico – articulista DM – [email protected]www.jjoaquim.blogspot.com)

 

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