Brasil

Reservado para idosos

Redação DM

Publicado em 4 de dezembro de 2015 às 21:57 | Atualizado há 11 anos

A nação brasileira, meio aturdida contempla um conturbado momento político em nosso País. Notícias de escândalos envolvendo políticos e levantando suspeitas são veiculadas diariamente, pior ainda, é o assunto do momento na tratativa do impichemant da principal figura representativa do Brasil. Veremos como se desenrolará essa história e suas conseqüências. Nesse texto, porém, o enfoque será a falta de respeito e a violência contra os idosos que depois de serem provedores, educadores e darem suas importantes contribuições para as suas famílias e toda a sociedade, são explorados e violentados inescrupulosamente, principalmente por quem foi cuidado por eles e recebeu deles as condições de terem uma vida digna.

Embora exista um trabalho específico voltado ao bem estar da população idosa atendida, não existe um trabalho direcionado à informação em relação a direitos do idoso. Necessário se faz a realização de estudos para a elaboração de um projeto de intervenção que venha abranger essa população com ações direcionadas à informação sobre direitos do idoso, especialmente em relação à “Violência Financeira contra o idoso”, pois, muitos deles atualmente têm seus direitos violados, fraudes são realizadas em seus benefícios de aposentadorias, quase sempre praticadas por pessoas do seu convívio (parentes, amigos etc) e também por empresas financiadoras que, utilizando de má fé, aproveitam da confiança, da fragilidade, da ingenuidade e da falta de informação do idoso para ter acesso aos seus dados bancários, cartão magnético e senha pessoal, realizando saques e empréstimos, deixando o idoso em situação de vulnerabilidade, e até de miséria extrema, sem contar que muitas famílias são sustentadas pelo benefício do idoso, por vezes levado para determinada família, não com o intuito de zelar pela sua integridade, mas, para tirar proveito de seu benefício inclusive para financiar carros, casas etc, enquanto o financiador (o idoso) está vivendo de forma pauperizada e marginalizada, sem o mínimo de atenção e respeito, excluído da sociedade e até da própria família, sofrendo, além da violência financeira, a violência física e psicológica que o levam à doença e até a morte, antecipando ou agravando algo que já natural para a idade. O pior é que muitos desses “surripiadores”, mesmo depois do falecimento do idoso, continuam retirando seus benefícios, e, até serem descobertos já se favoreceram muito. Nessa concepção, o idoso sofre esse tipo de violência até depois de sua morte. Tais situações escabrosas contra os aposentados e pensionistas acontecem com a maior naturalidade, no silêncio e na intimidade do lar, onde teoricamente reinaria a paz e a segurança. Não bastasse toda a situação de descaso com que a sociedade brasileira trata os mais velhos, apesar das normas vigentes que os protegem, a situação de defesa e proteção à pessoa idosa passa bem longe do que seria razoável. Com raras exceções, abrigos, casas de repouso e entidades congêneres transformam-se, em verdadeiros depósitos de velhinhos indesejados por seus familiares, e que ali os enclausuram longe da família e do gozo da vida que tem direito de viver após longos anos de trabalho e exploração pelo mundo do trabalho, são condenados a viverem a solidão dos últimos anos de suas vidas, “dopados” e degredados da sociedade. Os transportes públicos, que por lei devem transportar gratuitamente todos os idosos, “queimam” as paradas quando o sinal é dado por algum idoso que solicita parada e quando param são submetidos a ficarem em pé nos minúsculos e inseguros espaços a que lhe são destinados, junto com pessoas deficientes e mulheres grávidas. Um desrespeito à pessoa humana. Lamentavelmente, dessas situações desumanas, resta aos familiares serem os piores carrascos dos seus idosos (pais, tios, avós, parentes, pessoas sem família, etc)., aproveitando-se, sem qualquer constrangimento, da fragilidade que o avançar dos anos traz, apossam-se dos rendimentos do idoso em benefício próprio, seja através da posse imoral do cartão de benefícios e da senha, cujas tecnologias atuais não conseguem compreender para o saque nas “modernas” máquinas de auto-atendimento, recorre-se ainda ao expediente da procuração pública, com validade de cinco anos, quando de vez o idoso fica refém dos parentes, que com chantagem emocional, feita das mais variadas formas, desde promessas de “desprezo” à possibilidade de violência física, ameaças de internamento em “clínicas” e “abrigos” e até em muitos casos – que se ouve falar – a suspensão de medicamentos, a que a pobre vítima indefesa necessita para viver e mesmo quando o idoso recorre ao INSS retirando essa procuração espúria, o sistema DATA-SUS não registra a ocorrência, ficando na tela do sistema somente a palavra: “Procurador: Não.” Assim sendo, essa mesma procuração, já revogada naquele momento, seja utilizada pela má fé do “procurador” por várias vezes, sem que a vítima se dê conta do golpe e em muitos casos nem procure mais a agência pela total desconfiança na fragilidade do sistema, que aceita novamente a dita “procuração”, contanto que o representante leve um “Atestado de Paciente Vivo”, que nada mais é que um atestado médico, fornecido por qualquer clínica, onde o médico atesta que o paciente tal “goza de saúde física e mental”. Fato pior é quando esses ladrões apossam-se dos documentos da vítima, que fica impossibilitada até de sacar o seu dinheiro “na boca” do caixa, uma vez que “deixam de ser gente”. Sem dúvidas, uma desumanidade sem tamanho, verdadeiros “171”. Este crime clama aos céus e clama à justiça humana, que se mantêm passiva diante de tão perversas situações.

A sociedade anseia por melhores atitudes dos ocupantes de cargos nos poderes constituídos, mas, muitos não exercem bem e não respeitam a cidadania, falta consciência em todos os níveis. Para que os idosos sejam mais respeitados é necessária a criação de Conselhos Tutelares do Idoso, coordenados pelo Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, e, que não fique somente na criação ineficaz de leis e portarias que não vinguem. Precisamos sim, de ações efetivas que fiscalizem, caso a caso, casa a casa, a situação em que se encontram grande parte dos nossos idosos, evitando que dinheiro da nação passe a sustentar quadrilhas de perversos e inescrupulosos familiares, sanguessugas na nação e carrascos de seus ancestrais ou parentes. Talvez, nesse momento em que o Brasil está sendo passado a limpo, seja oportuna uma revisão geral de nossa sociedade proporcionando-nos viver em uma comunidade que respeita os idosos e todos os nossos semelhantes.

 

(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis)

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