Sabotagens virtuais
Redação DM
Publicado em 4 de fevereiro de 2017 às 00:39 | Atualizado há 9 anosOutro dia li que “sabotagens virtuais” estão se multiplicando como expressão de uma guerra fria. Nas redes sociais, o conteúdo é poder para hackers. Eles costumam fazer uso do espaço para disseminar mensagens ofensivas e de ódio. Alguns usuários chegam a acreditar que uma notícia compartilhada pelo colega seja verdade absoluta, tão mergulhados que estão numa crença quase doentia por “hoax” — como é chamado qualquer boato ou farsa na internet — ou já habituadas ao que recentemente passou a se chamar de “pós-verdade”.
As eleições americanas, diga-se de passagem, foi um dos principais alvos de embustes — tentativas de enganar um grupo de pessoas, fazendo-as acreditar que algo falso é real —, pois o americano passou a ser bombardeado por uma enorme gama de boatos infundados, mas que tiveram visibilidade superior ao conteúdo de jornais.
O resultado desse malfeito foi revelado no final das eleições: a democrata Hillary Clinton, candidata até então preferida dos americanos, perdeu para o republicano Donald Trump. Exemplos assim deixam lições. A primeira e mais importante: nenhuma notícia de impacto torna-se viral sozinha.
No caso de uma empresa, antes mesmo das redes sociais, alguns poucos indivíduos sem escrúpulos já tentavam ganhar em cima do sucesso das marcas. Foi por isso que o marketing digital virou essencial para driblar dificuldades nas quais as empresas estão submetidas. Permanecem vivas aquelas organizações que se preparam para os embustes.
A Catuaba Selvagem, por exemplo, merece ser aplaudida de pé. Depois de ter sido acusada de ter “vermes” na bebida, a marca foi mente aberta e fez um convite ao acusador, e seus amigos, para uma visita à sua fábrica. Quem melhor que o próprio denunciante para desmentir a falsa notícia? O consumidor é quem detém a palavra final.
Empresas concentradas em oferecer informações relevantes continuarão existindo. Todavia, é fundamental que produtores e consumidores de notícias aceitem, de uma vez por todas, que os tempos são outros. O desafio é consumir informação de forma responsável, pensando nas consequências de sair compartilhando tudo aquilo que aparece em seu feed.
(Janine Brito. Diretora executiva da Ferragens Pinheiro)