Santa Cruz de Goiás: o que cada casa poderá nos contar?
Redação DM
Publicado em 4 de novembro de 2015 às 22:50 | Atualizado há 11 anosUm cenário de beleza desfila em Santa Cruz de Goiás com suas serras “verdejantes”; “caudalosos” rios e exuberantes cachoeiras convidando a um passeio singular; suas matas [na linguagem popular] “quaiadas” de pequi, baru, gabiroba, milho de grilo, veludo e muito mais; suas frondosas árvores com singulares sombras refrescam as faces nos dias de tamanho calor, embora, tantas árvores tombadas; seu céu, ímpar, cheio de nuvens com belos e elaborados desenhos; suas noites silenciosas, faz-nos imaginar as histórias que cada canto pode narrar.
Ao longe, debruçada em uma janela imaginária, tal e qual se fazia nos bons tempos que ali vivi: debruçávamos na janela para vermos o desfile de Sete de Setembro; as procissões em dias festivos ou apenas prosear com quem estava passando. Nesse debruçar, imaginário, revivo momentos ou povoo a minha mente de questionamentos sobre as inúmeras casas de portas e janelas cerradas, sem habitantes diários; abertas, esporadicamente. Tantas vezes, na minha infância ou juventude, passei em frente a essas casas e lá estava alguém, debruçado na janela ou em pé, na porta, encostado em um portal, desejando um dom dia, boa tarde, boa noite, ou comentando sobre o tempo… Quem foi cada individuo envolvido nas histórias narradas nessas casas? Foi alguém que contribuiu com o desenvolvimento ou com o retrocesso de Santa Cruz? O que cada casa poderá nos contar?
Convido voce a debruçar em uma janela, qualquer, que sua memória lhe apresentar. Deixe a imaginação fluir. Debruce e Respire fundo! Pronto! Agora comece a perambular pelas ruas, matas, serras, rios de Santa Cruz de Goiás. Quanta maravilha para apreciar. Acesse as informações e escolha a que lhe for mais conivente. Vamos transcrever essa Memória! Há muito a entender sobe a polarização política; avaliar as oportunidades que deixamos Santa Cruz perder e aquelas que lhe chegaram às mãos.
Assistimos, atualmente, iniciativas pontuais, partidárias, desvinculadas de qualquer compromisso com resultados estruturantes. Será necessário qualificar a atuação da sociedade civil para que esta conheça a sua força e vá além da mobilização, apenas, pelo atraso do salário. Esse processo de (re) conhecimento e avaliação da História e Memória, a começar pelas casas de portas e janelas cerradas poderá nos direcionar os caminhos às prioridades atuais. Podemos perguntar: Quais resultados esperados dessa Iniciativa? A meu ver podemos avaliar os erros e/ou acertos e, a partir daí continuarmos, ou não com determinadas atitudes.
Precisamos de muitas forças sociais engajadas, porém, os atores que as constituem devem estar conscientes do significado do tão falado e não executado “desenvolvimento de Santa Cruz” e compreender as ferramentas disponíveis, as soluções e recursos existentes e, principalmente, seu papel. Uma coalizão da sociedade civil, governo local, com o propósito de discutir e propor meios de implementação de propostas que levem a resultados mais consistentes.
É necessário inscrever-se nas paisagens que Santa Cruz nos oferece. Em cada rua que caminhamos há muito que aprender, apreciar. Percorrer, mesmo que imaginariamente, cada pedacinho, cada canto, cada espécie de planta, cada casa de portas e janelas cerradas, cada membro das famílias que ali viveram. Caminhando e, mentalmente, fazendo uma prece para o livramento de cada lugar. Como se fosse uma via-sacra; Cada estação, (re) conhecida, intercedida e mentalizado o desenvolvimento, o desapego.
Quando eu, Fátima, estava vereadora, me disseram: “Você é muito pequena em política!” O motivo? Melhor nem dizer! Tudo isso, talvez, porque vejo o “pensamento como passaporte; bilhete de partida”! Eu pensava da mesma forma que continuo pensando: Santa Cruz tem tanto a oferecer, mas têm gananciosos demais e, por mais que Ela ofereça, não dá para saciar a fome de todos. Resultado: miserável, mesquinha, tacanha disputa pelo ouro. Acredito que não cresci, politicamente, na forma pejorativa, alcunhada. Continuo esperando o dia em que Santa Cruz terá o seu reconhecimento por algumas “pessoas do lugar”; para “os de fora”. Ela é a veneranda dama antiga do Sul goiano.
Cada frase que nosso pensamento emitir para a limpeza espiritual de Santa Cruz poderá anunciar uma nova estação. Ao invés de fortalecermos o eterno coro “aqui nada vai pra frente”, vamos mentalizar o desenvolvimento; as gavetas do comércio cheias de dinheiro e as prateleiras abarrotadas de mercadorias de boa qualidade e preços compatíveis para a população; as cadernetas de fiados sem registros de dívidas quilométricas e caloteadas…Pode ser que uma nova estação se instale.
Vamos aprender a enxergar, nossa querida Terra, além das aparências, considerando as entranhas emocionais para que sequelas irreversíveis não mais apoderem do corpo do município e o mutile.
Antes do político, Santa Cruz requer o cidadão e não apenas o detentor de cargos pelos quais recebem o seu salário e nada fazem, de fato, que traga resultados estruturantes.
Pensamento tem poder! Imagina todos pensando o bem em vez de pragas, xingamentos, escárnio e maldizer? Aos poucos vamos abrindo as sendas de boas vibrações!
Que tenhamos em mãos a Memória/ História de Santa Cruz para uma possível avaliação e que possamos transcrever melhores momentos para as gerações futuras.
(Aparecida Teixeira de Fátima Paraguassú é historiadora, musicista, poetisa, escritora – [email protected])