Sempre presente infância
Redação DM
Publicado em 4 de novembro de 2015 às 00:59 | Atualizado há 11 anosComo falar da infância de todos nós sem parecer piegas, saudosista, infantil… Sem parecer um menino chorão ?
Uma época tão envolta em mistério, tanta alegria, tanto sol e chuva, escola, melhor amigo, bola, televisão – pais, pai, mãe – banho, suco de uva com pão, sítio do pica-pau amarelo, brinquedo, correr, suar, aprender a ler, desenho, primeira comunhão – Deus, sonhos bons – dormir sem saber e acordar sem nem ter dormido, ir crescendo nas paredes marcadas a lápis, subir em árvores, manga, mexerica, ajudar na mudança, ter medo do escuro, chorar por nada e por tudo, pedir benção, ser abençoado, beijado, abraçado, ficar sujo, comer com gosto de impaciência, querer voar.
Isso tudo é um pouco de ser criança, período mágico que precisa ser protegido o máximo possível, não há crime maior que submeter os anjinhos a qualquer provação, só isso já bastaria para que nossos políticos tivessem mais responsabilidade em salvaguardar esse tempo da miséria, da necessidade, garantindo que os pais tenham condições de trabalhar e morar, alimentar, educar, cuidar de suas crianças – o futuro seria bem mais fácil – cuidem das crianças, por favor.
A inocência da infância é algo tão precioso que a menor afronta a ela deveria ser considerada ato terrorista e hediondo, tamanho é o prejuízo que poderia advir: ideologia de gênero, pedofilia, espancamentos, abusos psicológicos, desamparo qualquer.
Nossa infância é a massa de modelar a humanidade, monstros ou fadas são ali formados.
Sorriso algum de adulto consegue fazer florir na alma tamanha bondade, desejo de proteção, fé em Deus que o mostrar de dentes feliz de um pequenino que vem correndo para seus braços lhe mostrar, dentro das mãozinhas miúdas, uma pedrinha achada na rua, a pedra mais importante do mundo – nada é mais universal que essa pureza – pena que um dia crescemos.
Sim, já fomos crianças um dia, felizes, inocentes, radiantes, puros e atentos em nossa desatenção.
Não é nostalgia, seria impossível voltar a ser criança depois de tudo que vimos, ouvimos, dizemos ou fizemos, contudo é nosso dever proteger e preservar, não mais a nossa, mas a infância de nossos filhos e dos filhos dos outros, são todos nossa responsabilidade, assim como será deles no futuro.
Se toda a nossa luta adulta – financeira, política, emocional – tiver como objetivo principal abrigar a infância feliz dos nossos infantes, o mundo inteiro será um lugar que Deus se alegrará em ter criado para seus filhos brincarem e Lhe mostrarem nas mãos miúdas uma pedrinha qualquer, um dia.
(Olisomar Pires, escritor – olisoblog.com)