Brasil

Síndrome de desadaptação social

Redação DM

Publicado em 17 de junho de 2022 às 13:48 | Atualizado há 4 anos

Grandes e diversas são as anomalias que constatamos nas relações humanas. E quem o dizem são a Psicologia, a Psicanálise e Psiquiatria, entre outros ramos do saber e das ciências. São fenômenos da chamada hipermodernidade, como a cunhou o filósofo Zigmunt Bauman. Ele foi um desses estudiosos que titulou nossos tempos de tempos líquidos. Era da pós Informática e Pós Internet e suas ubíquas redes sociais. Tudo, em se tratando de consumo, bens e relacionamentos se tornaram fluídos e plásticos.As pessoas, as relações sociais e as coisas se tornaram efêmeras, plásticas e descartáveis. Até mesmo o afeto, as amizades, o amor, os namoros, as uniões conjugais vêm se tornando passageiras, superficiais e frágeis. Parodiando João Guimarães Rosa, a vida e os amores têm se tornado perigosos.Para os estudiosos e profissionais do ramo, os de doenças mentais, dos transtornos psíquicos e de relações pessoais; para todos esses terapeutas tem havido um verdadeiro desafio no enfrentamento da alta procura e demanda de pessoas, de famílias, de fato, doentes em busca de ajuda terapêutica. Basta ter em conta que somos o país que mais consome psicotrópicos e drogas psicoativas; além das ilícitas.Aumentaram tanto os casos de doenças emocionais e psiquiátricas que vêm surgindo até novas doenças, nova classificação internacional de diagnósticos (Cid 10) e DSM VI. Trata-se do manual diagnóstico e estatístico (DSM) da sociedade americana de psiquiatria, catálogo das doenças mentais. Um exemplo são os transtornos emocionais pela hiperconexão com a Internet e mídias digitais (webdependência).  Há, de fato, uma pandemia de cretinismo digital. O sistema capitalista e consumista se tornou uma universidade de idiotização dos usuários das mídias digitais.Mas, em uma análise concisa e clara, quais são os fatores causais do número crescente e desafiador dos múltiplos distúrbios das relações humanas, dos comportamentos classificados como desviantes dos chamados padrões de convivência social, familiar, conjugal, profissional e corporativo? Porque atentemos para este significativo destaque. Muitas são as searas humanas afetadas. Lembremos sempre: o homem é um animal social e político, na definição de Aristóteles.O primeiro fator na gênese dos transtornos sociais de modo robusto e consistente está no processo educacional do indivíduo. Atenção! O ser humano é resultado de genética e meio social. O meio social predominantemente é representado pelo entorno familiar. Família se entende pelo domicílio paternal (pai e mãe) e todos os membros parentais das relações sociais. Sejam essas físicas ou à distância; notadamente com o advento das mídias, das redes sociais e telefone celular. É muito comum as pessoas estarem distantes, mas, de forma fácil, ágil e em tempo real em frequentes contatos diários. Portanto, a influência e interação educacional estão presentes. Tomando os exemplos práticos: muitos são os filhos que são criados e pouco educados e instruídos para os embates e desafios da vida. Esse jeito canhestro, torto e muito protegido de se criar um filho não é próprio e exclusivo da era digital e da hipermodernidade. São aquelas famílias que por uma complacência e leniência hereditária (social, de costumes) trazem a cartilha pedagógica de tudo patrocinar para os filhos. É o comportamento do tudo pode e nada é proibido. Sim, sim, está tudo bem. Quando, em um processo de moderação e equilíbrio seria não, não, por isso e esse motivo.Nossos adolescentes, nossos jovens e muitos adultos (porque foram adolescentes e jovens mal-educados) vêm sendo acometidos da agora chamada síndrome de desadaptação social. Basta ver, registrar e analisar os motivos que levam as pessoas aos psicólogos, aos psiquiatras, aos grupos de Constelação Familiar e outras terapias de apoio social.Um segundo fator na gênese de tanta desadaptação social tem sido a digitalização e materialização na vida das pessoas. Não se quer nem se pode execrar e demonizar a internet e redes sociais. Elas foram criadas para o bem das pessoas, o mal está nos usuários e adictos delas. O que se abomina e esconjura são as futilidades e frivolidades que se passaram a ser a ocupação de um enorme rebanho de pessoas, jovens, adultos.Pessoas que quando veem os desafios, os embates e responsabilidades da sobrevivência produtiva e autônoma, elas, essas pessoas adictas de celulares, redes sociais, internet, não dão conta de viver sem as escoras, apoio e ajuda, inclusive financeira de outras pessoas: cônjuges, pais, irmãos, parentes e até amigos apoiadores, até mesmo da ajuda do Estado, com aposentadorias, benefícios previdenciários etc.

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