Brasil

Sistema educacional e seus mecanismos de exclusão

Redação DM

Publicado em 25 de agosto de 2015 às 22:49 | Atualizado há 11 anos

Quando me deparo com algumas atitudes que são disseminadas no meio educacional fico perplexo e até acredito estar morando em outra dimensão. No entanto, quando olho ao meu redor vejo que não estou residindo em outra orbita, pois ainda existem pessoas que também tem a mesma sensação de perplexidade com algumas atitudes relacionadas à educação e ao sistema educacional. Pois bem, as atitudes que me refiro e que aqui esboçarei, na maioria das vezes passam despercebidas aos olhos de muitos indivíduos e em alguns casos são elaboradas por pessoas que estão ou até pouco tempo estavam trabalhando na docência ou em alguma ramificação desta ocupação. Diversas vezes observei nas instituições que trabalhei mecanismo de premiações aos discentes que se “destacavam” intelectualmente, ofertas de diplomas, prêmios, brindes uma vastidão de reconhecimento pelo seu magnífico “desempenho intelectual” e esta situação sempre se deram em dias especiais nas instituições (algumas levavam até vereadores para condecorar os discentes). Mas o que me inquieta não é a felicidade dos “condecorados” e nem a sensação que os gestores apresentam ter de dever cumprido. O que gostaria de chamar atenção é para os discentes que por diversos motivos são excluídos desta “festa intelectual” que a maioria das escolas adota como correto. Na minha singela visão este processo de condecorar, premiar, enaltecer discentes pelo seu desempenho acadêmico confirma a real situação e os reais interesses do sistema educacional vigente, onde a educação é pautada nos princípios neoliberais da meritocracia e no individualismo (existe uma vastidão de outros preceitos). Esta situação que em minha visão se transforma em um grave problema social, não condiz com os princípios norteadores da educação pensada por autores que, estes mesmos indivíduos que propõem estas formas excludentes entre os discentes leram em seus cursos de licenciaturas. Esta situação que chamo de problema se agrava no momento que estas “festas intelectuais” são operacionalizadas pelos colégios militares, pois o sentimento que estes discentes podem atribuir quando são condecorados é de uma posição superior aos demais, (vejamos que nestas instituições, alunos são classificados como “oficiais” representantes). Essas alegóricas formas de excluir quem já está excluído e de uma tamanha repugnância por minha parte. Estes discentes que não recebem tais “honrarias” podem ser vistos como incapazes e serem tratados como tais não somente pelos discentes pares, mais por uma parcela de docentes que não detém uma instrução cognitiva cabível para exercer a função. Acredito que a educação e o sistema educacional que temos necessitam de ser pensados de forma integradora e emancipatória, como ocorre em diversas outras instituições educacionais e não ficarmos buscando mecanismos para excluir cada vez mais os indivíduos. Se está pratica é benéfica? Não posso afirmar, mas afirmo que ela defende a meritocracia, sendo assim ela não permite a emancipação e nem provocará um sentimento social de igualdade. Já detemos de problemas gigantescos dentro da educação, desde militarização de instituições a problemas de terceirizações (não mencionarei estrutura física, pois já é evidente). Tais práticas somadas aos outros problemas que temos na educação transformam-se em retrocessos. Não estou aqui desmerecendo os discentes “condecorados” pelos seus atributos intelectuais mais buscando lançar luz sobre o processo de exclusão que estes “condecoramentos” causam nos demais discentes. Espero que um dia os ditos “representantes e pensadores da educação” observem que não estão ajudando em nada para a emancipação dos indivíduos.

 

(Flávio Henrique da Silva, professor)

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