Sofrimento intenso
Redação DM
Publicado em 26 de maio de 2016 às 02:33 | Atualizado há 10 anos
Sim, o sofrimento humano é intenso, a dor fere e machuca sem piedade. Ricos e pobres, bons e maus, sofrem no corpo, na alma e no coração, porque o homem deixou de amar, fechou-se em si mesmo; escolheu ser egoísta, ser feliz sozinho. Solidariedade, respeito, amizade, o cuidado com o outro, raramente, se percebe nos relacionamentos.
No Parque Amazônia, encontro uma senhora gemendo de dor, não consegue se mexer, e, junto dela, o esposo em desespero, porque o retorno pelo SUS foi agendado para julho. Cenas como essa se repetem em todos os cantos sem que a assistência médica aconteça. Família pobre já não consegue pagar conta de água e luz, e, muito menos, tem dinheiro para o aluguel. A comida está faltando também.
Diariamente, dezenas de pessoas vêm à Paróquia em busca de ajuda, deixando-me, não apenas constrangido, mas também envergonhado. A maioria dessas pessoas precisa, não somente de oração, mas também de pão, de leite; precisa de comida e de dinheiro para pagar o aluguel e comprar remédio.
Somos impotentes diante das necessidades do povo que é tratado pelos governantes como gado destinado ao matadouro.
Saúde, segurança, respeito, justiça … tudo isso não passa de propaganda, de discurso eleitoreiro, e é coisa de governantes que não têm os pés no chão, muito menos o coração em Deus. Não deveríamos eleger homens e mulheres que conhecem a vida somente à distância, de ouvir falar, como objeto de propaganda para conquistas pessoais. Se hoje os governantes não nos respeitam, não nos levam em consideração é porque somos irresponsáveis, inimigos de nós mesmos. Como podemos eleger para atividade política essas pessoas que vivem no mundo da lua! Nunca andaram de ônibus e muito menos passaram pela fila do SUS.
Nos hospitais, nos presídios, nas casas de família, nas escolas públicas, e, particularmente, nos semáforos, há a certeza de que a vida perde força, porque os governos gastam milhões em autopromoção, para mostrar na mídia uma realidade perfeita. O mais grave de tudo isso é que o povo está sem atitude, tanto é que o governo faz o que quer, jogando todo o peso nas costas da população: aumento dos impostos e aumento do tempo de aposentadoria.
Enquanto os governantes forem eleitos à força do dinheiro, não temos qualquer chance de vida digna, porque quem não conhece a vida como ela é, em hipótese alguma, vai trabalhar por amor, por vocação. Discurso e prática estão a léguas de distância um do outro.
Recorro à oração para que a esperança volte a ser nossa arma de combate e peço a Deus que tenha misericórdia do povo brasileiro, que, atualmente, vive pior que bicho.
Amado Pai, às vezes me vejo cantando: “Será que o Senhor não vê que o teu povo está vivendo num sofrer? Por favor, ó Deus, salva-nos de nós mesmos!”
(Pe. Luiz Augusto F. da Silva, Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus)