Brasil

Tempo de renovar as esperanças

Redação DM

Publicado em 2 de março de 2016 às 23:07 | Atualizado há 10 anos

Ano bissexto (fevereiro com 29 dias), 127° da Proclamação da República, 194° da Independência do Brasil, 516°do Descobrimento do Brasil e 524° do Descobrimento da América, o ano de 2016 foi considerado pelo horóscopo chinês e no elenco das 12 divisões (signos) do Zodíaco, o ano do “Macaco de fogo’’, ou seja, um período de grandes desafios,de profundas mudanças, de grandes tribulações e de muita agitação. Por outro lado, a mesma tradição chinesa prevê um tempo de muita sorte, de fluídos bastantes positivos e com muitas chances para as pessoas que buscam espalhar o bem na face da terra. Daí, a exigência de muita criatividade, de diplomacia, de jogo de cintura e de outros malabarismos para enfrentar as situações difíceis que poderão surgir pela frente.

Neste ano, conforme dita o artigo 29 da nossa Constituição Federal, serão realizadas no primeiro domingo de outubro, as eleições para os cargos de prefeito, vice prefeito e vereador. E os eleitos por certo deverão enfrentar os inúmeros desacertos até então existentes, fazendo tudo para debelarem os efeitos da crise que se instalou em nosso País de uns anos para cá. Com uma economia estagnada, alto índice de desemprego, inflação provocando conseqüências desastrosas por todos os lados, corrupção avançando nos mais variados setores da administração pública e privada, enfim, diante de um cenário realmente desastroso e que está a exigir criatividade, bom senso moral, ética, competência e inúmeros outros atributos próprios das criaturas de bem.

Ainda neste ano, os atuais gestores municipais entram na fase de arrumação das gavetas, enfrentando assim certas dificuldades no fechamento das contas, quando estarão rebolando para fugirem dos riscos de terem seus balancetes rejeitados pelo Tribunal de Contas dos Municípios. E por vários anos atuando neste órgão na área jurídica, sem dúvida, pude sentir tal drama dos prefeitos. E na atualidade, com as últimas medidas do governo federal, a situação se agrava e poderão dificultar bastante as próximas gestões.

Vivemos, portanto, uma época que requer profunda reflexão por parte dos irmãos brasileiros que estão sendo massacrados por tantos erros cometidos pelos governos. Precisamos romper com as ações corruptíveis de décadas, marcadas pela completa omissão, pelo combate frouxo, burocrático e ineficaz dos criminosos que desviam grandes somas de recursos públicos. E estamos pagando caro por tais comportamentos que impedem o progresso econômico, financeiro, social, cultural e arruína a nossa democracia conquistada com muito sacrifício.

Apesar dos resultados tão negativos instalados pela crise política em nosso país, ainda resta a esperança de um futuro melhor para nossa população tão sofrida. Urge a instituição de um amplo estágio de modernização e de desenvolvimento, com inteligentes mudanças na estrutura administrativa como um todo, objetivando a melhor divisão de competência entre os poderes constituídos, aprimoramento do sistema político-eleitoral, do sistema tributário – fiscal, da previdência social. Ainda o redimensionamento do perfil institucional e criação de formas lógicas de elevação do processo cultural do nosso povo. Isto é justificado diante de enorme carência de uma profunda revolução nas esferas do conhecimento e da educação em todos os níveis.

Merece acurada reflexão o pronunciamento feito recentemente pelo papa Francisco, quando ele enumerou algumas virtudes que podem salvar a humanidade de tantos sofrimentos. São elas: idoneidade, respeito, racionalidade, coragem, sagacidade, atenção, verdade, prontidão, honestidade, determinação, generosidade e exemplariedade. E mesmo pressionado e boicotado por fortes adversários, dentre estes os conservadores do clero que rejeitam a abertura antidogmática, e o poder econômico preocupado com suas pregações em favor dos mais pobres, o Sumo Pontífice contínua firme na sua nobre missão evangelizadora. E reafirma: “Todos nós podemos ajudar o mundo a ser melhor; todos nós somos vocacionados à promoção da vida, da verdade e da justiça. É com nossas escolhas, decisões e ações e máxima boa vontade que somos capazes de usar o poder que Deus nos deu para fazermos florir e alegrar tudo o que está à nossa volta.”

Justificando o título desta matéria, cumpre-nos enfatizar que a esperança é um sentimento que leva o ser humano olhar para o futuro, considerando-o portador de condições melhores que as oferecidas pelo presente, de tal sorte que a luta pela vida e os sofrimentos são enfrentados como contingências passageiras, na caminhada em busca de um objetivo maior. Ela, por certo, acalenta a imaginação. E por piores e difíceis que sejam os momentos vividos, mesmo assim cada um deve contar com o poder e a força proporcionados por ela. Não podemos desanimar diante dos infortúnios, do cotidiano e dos problemas da vida, acreditando que dias melhores virão pela frente. Tudo na vida passa, bem como os dissabores e as desilusões.

É interessante saber que a esperança é, sem dúvida, a arma mais poderosa do ser humano, infinita como o tempo, a arte de ser feliz, é fonte de sol, maior bem da terra e uma engenhosa máquina que faz com que o espírito se levante desde o mundo para a eternidade. Ela precisa ser renovada sempre, pois ela é a mais cristalina fonte da felicidade.

 

(Aníbal Silva, jornalista, delegado de Polícia de Classe Especial, professor aposentado, membro da Acadêmica Goiana Maçônica de Letras e da Academia Cezarinense)


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