The Day after
Redação DM
Publicado em 10 de março de 2016 às 23:32 | Atualizado há 10 anosQuem assistiu ao The Day after, filme da década de 80, vai lembrar-se dos efeitos catastróficos e horrorosos de uma explosão nuclear.
Aqui não é Lawrence, uma pequena cidade próxima a Kansas City, Estados Unidos, onde a ficção fez lançar os mísseis nucleares de altíssimos poderes de destruição, mas o senador Delcídio do Amaral e o juiz Sérgio Moro detonaram os seus mísseis cujas radiações já arrasaram tudo.
Brasília, a semana passada, foi o retrato do cogumelo da explosão nuclear em que se tornou o Brasil político de hoje.
Delcídio do Amaral com sua delação premiada, homologada ou não, revelou raios-X que expõem as quebraduras supostamente patrocinadas pelos governos Lula-Dilma de proporções ainda inimagináveis.
Por seu lado, Sérgio Moro mandou a Polícia Federal acordar, cedinho, o Lula, os seus parentes e os seus amigos para coercitivamente fazê-los chegar aos delegados investigadores. Gesto, de cara, condenado por ministros do STF. Foi um espetáculo televisivo para todos os gostos e desgostos.
Exageros à parte, e convenhamos que foram muitos, o dia depois já é de terra arrasada. Agora é fuçar o lixo que se amontoou nas salas dos poderes.
Quem vai julgar quem, passa a ser o drama. Quase meio mudo dos que teriam a competência de processar e julgar está, para dizer o mínimo, debaixo de suspeição. Ficou sem graça. Cada qual colocando a sua autoridade como suprema e o outro cada qual a cometer desvios igualmente em descumprimento às leis. “Não fica um meu irmão”, diria Bezerra da Silva.
Separemos o joio do trigo. Que as investigações, as apurações e as condenações -dentro das regras legais- continuem, que a transparência não fique opaca, que as instituições aguentem os rojões é necessário. Só não dá mais para manter de pé o responsável por todos os desmandos, este presidencialismo em estado de putrefação.
Depois desses destroços, e com as punições obrigatórias, sem nenhum embargo, o caminho é a mudança do sistema de governo para o parlamentarismo. Mas parlamentarismo puro, insisto. Corrigir o homem, mas permitir que o que lhe dá espaço para corromper permaneça vivo de nada adianta.
Iram Saraiva, ministro emérito do Tribunal de Contas da União