Tsunami de apostas na Mega Sena acumulada financia governo federal
Redação DM
Publicado em 27 de novembro de 2015 às 22:29 | Atualizado há 11 anosApostadores brasileiros fazem filas e colocam fortunas em apostas quase que diariamente nos cofres do Governo Federal junto à Caixa Econômica Federal. Quando o prêmio está acumulado então, ocorre um verdadeiro tsunami de apostadores que sonham em serem ganhadores e se tornarem milionários da noite para o dia. Este fenômeno ocorre em todas as classes sociais, sendo que alguns apostam mais do que podem se analisados friamente, por vezes deixam de cumprir suas obrigações e até se privam de atender algumas necessidades que requerem algum dispêndio financeiro. Quando as apostas são realizadas sem maiores proporções e não comprometer as finanças é compreensível, afinal, quem não quer ganhar uma grana preta de repente? É interessante perceber e até participar de alguma mobilização de grupos se organizando para realizar uma aposta maior nos tradicionais bolões. Porém, não consigo entender a lógica ou a falta de lógica nas regras em relação aos chamados jogos de azar. O jogo é proibido no Brasil e os bicheiros são considerados contraventores, mas, o Governo Federal fomenta a loteria através da Caixa Econômica Federal, os jogos são considerados legais e movimentam altas cifras semanalmente em todo o País. Isto é monopólio, só o governo pode movimentar loterias (jogos de azar proibidos em nosso País), não admitindo concorrência.
Curiosamente, o jogo que não é ilegal quando administrado pelo estado encontra desconfiança de boa parte dos apostadores e “volta e meia” ouço algum comentário sobre suposta manipulação de resultados. Estranhamente a mesma legislação que permite ao estado manter as loterias não permite a organização de bolões nas lotéricas e considera esta atividade como contravenção, embora, seja uma prática rotineira que aumentam os faturamentos dos proprietários das lotéricas. Ficções cinematográficas contam que existem fraudes nos jogos permitidos em outros países, algumas notícias confirmando a situação fraudulenta já foram veiculadas. No Brasil, ocorreram reportagens denunciando lotéricas que realizam bolões, recebem e não registram os jogos. E, se os jogos são registrados honestamente ainda paira a dúvida quanto à honestidade dos sorteios. Nosso país passa por momentos conturbados com o surgimento de escândalos e corrupções a todo momento, o que nos deixa desconfiados, inclusive em relação as repetidas acumulações de prêmio (não seria essa uma forma de desviar as atenções evitando um olhar crítico e observador da população?). Não é segredo que, do valor arrecadado, a maior parte se destina para fundos especiais, ficando a disposição para custear diversas despesas e investimentos públicos e menos de 50% se destina ao “sortudo” ganhador. Nesse raciocínio, o apostador com mais ou menos recursos contribui com o social, contudo, mesmo que a destinação seja correta, ainda existem suspeitas de utilização inadequada.
Confiando ou não, quase ninguém quer ficar de fora e faz alguma aposta pelo menos de vez em quando, especialmente quando existe a perspectiva de um prêmio em valor mais elevado. Não sou a favor da ilegalidade, porém, penso que é questionável a permissão para exploração de jogos pelo Governo e a proibição da iniciativa não governamental para atuar em ramo similar, afinal, diz um ditado popular: “Pau que dá em Chico, dá em Francisco.” Quem desejar jogar, que jogue, mas, é imprescindível a manutenção da razão sem perder a visão crítica e procurar ser o mais consciente possível em todos os momentos, especialmente no que diz respeito a nossa realidade.
(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)