Zika vírus
Redação DM
Publicado em 14 de dezembro de 2015 às 23:44 | Atualizado há 11 anosEm 1930, quando o Brasil era colônia portuguesa, iniciou-se o tráfico de escravos trazidos da Africa, vinham navios barrotados de seres humanos que eram tratados como se fossem os piores dos animais. O que os malditos fazendeiros não sabiam era que estavam trazendo junto o castigo que era o mosquito Aedes aegypti: esta frase vem do grego, o danoso do Egito. O Aedes aegypti é o mesmo mosquito transmissor da febre amarela, da malária, do Chikungunya e da dengue.
Em 1904, Osvaldo Cruz desenvolveu a vacina e erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro, apesar de enfrentar fortes resistências do governo e da população. Infelizmente, o médico Osvaldo Cruz faleceu em 1913, aos 44 anos de idade, e ninguém deu continuidade ao seu trabalho. Com isso o mosquito foi se proliferando rapidamente e expandiu para o País inteiro.
O Aedes aegypti foi desenvolvendo mais doenças infecciosas, como a dengue, que só perde para a aids no seu efeito nocivo. Depois o Chikungunya, com seu efeito mais avassalador, e, por último, o mais estarrecedor ainda: o Zika vírus, esse vírus é o mais cruel e covarde, ataca o feto no útero da mãe que é contaminada. O vírus percorre as vias sanguíneas e se instala no cérebro do feto, causando a microcefalia.
A criança já nasce condenada a sofrer a vida inteira. O pior de tudo é que o efeito para a mãe não é tão forte, talvez nem saiba que foi contaminada. Os dados oficiais dos números das vítimas são alarmantes aqui no Brasil: até 2014 eram 147, em 2015 pulou para 1740.
O Zika vírus é uma doença que está assombrando as mulheres grávidas e as que têm o desejo de engravidar, porém não vejo muito empenho dos governantes para combater esse mal. No Setor Garavelo e região, dificilmente a gente vê um agente da saúde nas ruas batendo nos portões das casas. Desde quando passou a circular a triste notícia do Zika vírus em todos os veículos de comunicação, não tive o prazer de receber uma pessoa sequer da saúde em minha casa. Impressionante, antes este trabalho era mais efetivo.
Só uma coisa nunca entendi: o meu quintal e dos meus vizinhos mais próximos são super limpos, mesmo assim recebíamos a visita dos agentes da saúde todas as semanas e recebíamos as recomendações dos mesmos sobre os cuidados que deveríamos tomar contra o mosquito. Na mesma época fui contratado por vários vizinhos para limpar os quintais. Era tudo a mesma coisa, era matagal da altura da minha cintura e a mundiça de lixo coberto pelo mato. O que mais tinha eram cacos de vasilhas cheias d’água. Era difícil imaginar que aquelas residências teriam recebido a visita de um agente da saúde um dia na vida. Dava a impressão de que os agentes gostavam de visitar somente quem não dava trabalho para eles. O mais impressionante é que na hora do meu almoço e descanso eles sempre batiam no meu portão. Mas nunca compareciam nas residências imundas onde eu estava trabalhando.
Agora, mais do que nunca, nossos governantes têm que mobilizar todos os órgãos competentes no combate dessa praga que está infernizando a vida de muita gente. Exército, pessoal da limpeza fazendo varredura nos terrenos baldios, e principalmente a Vigilância Sanitária e a Secretaria da Saúde fazendo vistorias implacáveis nas residências. É preciso também desenvolver vacinas eficazes contra todos os vírus causados pelo mosquito.
É preciso também desenvolver métodos para combater esta praga de vez, porque combater a doença e não combater o Aedes aegypti, o danoso do Egito, é como dar um tiro no boi para matar o carrapato.
(Eduardo Guilherme Barbosa, aposentado)