Política

81% dos policiais querem posse de eleito e 84% preferem a democracia

Redação DM

Publicado em 29 de agosto de 2022 às 14:51 | Atualizado há 4 anos


Pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 80,9% dos policiais de todo o País concordam que o vencedor das eleições declarado pela Justiça Eleitoral deve tomar posse em janeiro de 2023.

O trabalho ouviu 5.058 policiais civis, militares, federais, penais, guardas civis e bombeiros militares em todos os Estados e Distrito Federal. E mostra que a adesão dos policiais à democracia atinge 84%, que responderam preferi-la ante a qualquer outra forma de governo.

”Esse resultado surpreende pela intensidade da adesão à legalidade democrática”, afirmou o ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronelJosé Vicente da Silva Filho. Ainda mais, segundo ele, em razão da adesão tradicional dos policiais a pautas conservadoras e, ultimamente, ao governo Jair Bolsonaro. “Há uma enorme simpatia por Bolsonaro, principalmente nas PMs, mas isso não significa adesão a qualquer ideia de ruptura institucional.”

Recente pesquisa Datafolha mostrou que o apoio à democracia na população em geral era de 75%.

Em relação às polícias, a que mais apoia a democracia e a posse dos eleitos são a Federal e a Científica, com índices próximos de 65% de total concordância em ambos os casos. A adesão menor, simbolizada aqui pelo apoio em parte ao enunciado das duas perguntas, está na Polícia Penal (11% em relação à democracia e 18% sobre a posse dos eleitos) e nas Polícias e nos Corpos de Bombeiros Militares (10% e 17%, respectivamente).

Os dados da pesquisa sugerem afastamento da possibilidade de corpos policiais serem mobilizados por alguma força política que queira questionar o resultado das urnas eletrônicas, a exemplo do que fez o presidente ao condicionar o reconhecimento de eventual derrota ao que ele chamou de eleições “limpas e transparentes”.

Integrantes do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias e Corpo de Bombeiros Militares estiveram reunidos com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, para discutir a segurança nas eleições. O presidente do órgão, coronel Paulo Coutinho, afirmou que não há hipótese de as polícias se unirem em uma ofensiva contra o sistema democrático. Afirmou ainda que seja qual for o resultado das urnas, ele será respeitado. Segundo ele, não há risco de quebra da hierarquia ou disciplina.

Riscos

Para o presidente do fórum, o sociólogo Renato Sérgio de Lima, embora a adesão dos policiais à democracia seja alta, é preciso lembrar que Bolsonaro nunca se disse contrário a essa forma de governo. “O problema é que para Bolsonaro a palavra democracia tem outro sentido e comporta a contestação do resultado das urnas eletrônicas.”

De fato, os dados da pesquisa mostram que, ao serem confrontados com a pergunta sobre se “em alguns casos seria justificável que os militares apoiassem ou tomassem o poder através de um golpe de Estado”, apenas 55,6% dos entrevistados discordaram da afirmação, enquanto 14,7% concordaram ou concordaram totalmente com uma ruptura, e 19,1% concordaram em parte.



“PMs consideram quebra de hierarquia indiscutível”

Presidentedo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais da PM (CNCG), o coronel Paulo Coutinho afirmou ao que não há hipótese de as polícias se unirem numa ofensiva contra o sistema democrático. Segundo Coutinho, que também é o atual comandante-geral da PM da Bahia, a hierarquia das PMs nos Estados está prevista no “mandamento institucional” e “não é um processo eleitoral que vai gerar qualquer tipo de mudança”.

O coronel participou de encontro na quarta-feira, 24, com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, para discutir a segurança nas eleições. Ele assegurou que, qualquer que seja o resultado das eleições, a decisão será respeitada e as polícias estaduais defenderão o regime democrático.

Como avalia a reunião do presidente do TSE com os comandantes-gerais das PMs? – Foi uma reunião de alinhamento por ocasião das eleições que se aproximam. Houve um posicionamento claro de todos os representantes das polícias militares de que as nossas forças de segurança estarão disponíveis, sobretudo no dia da eleição, na antevéspera e no dia posterior, dando plena segurança à Justiça Eleitoral. Também houve alinhamento de procedimentos, uma prática muito salutar quando se avizinha um grande evento como será a festa da democracia. Como comandante-geral e presidente do Conselho Nacional de Comandantes, posso asseverar que estaremos juntos à nossa sociedade civil na defesa do Estado Democrático de Direito, sempre, fazendo prevalecer todo e qualquer resultado que existir nas urnas, levando o cidadão brasileiro a votar e a Polícia a oferecer segurança.


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