“A hora da coragem”
Redação DM
Publicado em 10 de janeiro de 2017 às 00:53 | Atualizado há 10 anos
“Experiência e coragem” formam o lema de Jovair Arantes. O deputado federal pretende dar uma direção à sua campanha visando a Presidência da Câmara Federal baseada nos princípios de que é preciso ter coragem para realizar as mudanças qualitativas que o Parlamento precisa empreender como resposta aos anseios da população. “O próximo presidente precisa ter coragem para mudar, para tomar decisões que equacionem as mudanças que o País exige e que a população quer, coragem para enfrentar desafios e para quebrar paradigmas”, explica.
Jovair Arantes lança hoje, em Brasília, a campanha à presidência da Câmara Federal. Em seguida, ele pretende percorrer o País, em busca de votos às diversas bancadas parlamentares, de todos os partidos. “Tem candidato prometendo lote na lua, de frente para o mar”, alfineta Jovair, referindo-se ao atual presidente da Casa, Rodrigo Maia, possível adversário na disputa.
O deputado goiano cita os seis mandatos como deputado federal e a larga experiência como líder do PTB e do governo como o diferencial necessário para qualificar o próximo presidente da Câmara. “Precisamos dar certeza para deputados, para o governo e para a sociedade de que haverá certeza nas votações, que não vão acontecer mais sessões secretas e nas madrugadas, como as que criaram tanta celeuma com a população e que haverá uma gestão diferenciada para privilegiar a transparência e o respeito ao que a sociedade espera do Parlamento”.
Dois aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entram na briga pela presidência da Câmara Federal contra o atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ): o líder do PTB, deputado Jovair Arantes e o líder do Centrão, deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF).
Rosso controla o Centrão, bloco que deu sustentação à eleição de Cunha e ao impeachment da presidente Dilma (PT-MG). Nas eleições feitas em julho do ano passado, após o afastamento de Cunha da presidência, Maia derrotou Rosso por 258 votos a 170. O candidato do DEM teve o apoio das bancadas do PPS, SD, PSDB e também de deputados do PT, PDT e do PC do B, que no primeiro turno haviam votado na eleição do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) e no segundo turno, votaram em Maia, para derrotar Rosso, identificado diretamente com Cunha e o impeachment.
Jovair foi o relator do processo de impeachment de Dilma Roussef, e por isto deve ter consigo os votos do Centrão, mas, assim como Rosso, não deve contar com os votos dos partidos de esquerda e centro-esquerda na Casa (PSol, PT, PC do B, PDT). Sua principal base continua sendo o Centrão formado por doze partidos: PP, PR, PSD, PTB, Pros, PSC, SD, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL. Pelos cálculos dos líderes desses partidos, somados eles representam 225 deputados, considerando-se também parlamentares que estão licenciados.
Um fator pode beneficiar indiretamente Jovair: a possibilidade do STF (Supremo Tribunal Federal) declarar ilegal a reeleição de Rodrigo Maia. O atual presidente alega que cumpre um mandato-tampão, e portanto, está apto para levar seu nome a apreciação numa disputa. Jovair não entende assim, e alega que se for eleito, Maia irá dirigir a Câmara Federal sub-judice, ou seja, tendo o seu mandato questionado pela Justiça.
Plataforma
Na sua plataforma de campanha, Jovair Arantes defende as votações da Reforma da Previdência e da Reforma Trabalhista. A primeira aumenta a idade mínima de aposentadoria e o tempo de contribuição para homens e mulheres poderem se aposentar. A segunda reforma implica literalmente no fim da CLT (Consolidações das Leis de Trabalho), o que na prática significa o fim da Carteira de Trabalho, fim das férias, fim do FGTS, fim do 13º Salário, fim do descanso semanal remunerado e o aumento de 8 horas para 12 horas trabalhadas por dia.
Em Goiás fazem parte do Centrão os deputados federais Sandes Júnior e Roberto Balestra, do PP; Thiago Peixoto e Heuler Cruvinel, pelo PSD, Magda Moffato (PR) e Alexandre Baldy (PTN).
O Palácio do Planalto tende a manter o apoio a Rodrigo Maia, dado o aumento da influência do PSDB sobre o governo de Michel Temer. Mas as eleições da Mesa Diretora são sempre muito disputadas. Por enquanto pode-se dizer que ambos os candidatos tem chances iguais. A capacidade de articulação de cada um é que vai definir quem reúne mais votos nas eleições que estão marcadas para 1º de fevereiro.