A tentativa de recuperação do PT
Redação DM
Publicado em 20 de abril de 2015 às 00:47 | Atualizado há 1 anoO PT de Goiás vive um dilema: se reconstruir em 2016. No tabuleiro, o partido fez jogadas ousadas no ano passado, perdeu, e agora precisa se recompor. Mas quem acha que o partido está morto se engana. A começar de Goiânia.
Quem viu o noticiário dos últimos dois meses percebeu que Paulo Garcia tomou a dianteira das políticas públicas na Região Metropolitana. As notícias referentes ao lançamento de obras se concentraram nele, caso da reformulação completa da Praça Cívica e do lançamento do ousado projeto de BRT – maior intervenção de mobilidade urbana na Capital.
Juntas, as duas obras – aliadas à reforma administrativa – deram novo fôlego para o partido. Com acumulado de desgastes, principalmente devido ao processo eleitoral, em que foi bode expiatório dos partidos antagonistas, Paulo Garcia não está descartado do processo político, em 2016. Pode ser catalisador de votos.
O PT tem pelo menos quatro bons nomes para a disputa: Marina Sant’Anna, deputados Humberto Aidar e Adriana Accorsi e o suplente federal Edward Madureira – ex-reitor da UFG. Cada um dos nomes acredita que é possível rearticular a legenda a partir da gestão de Paulo, que teria agora tempo suficiente para se recompor, desde que atento a uma agenda positiva.
Falta ao prefeito mais obras e um pacote de marketing, que vai desde sua postura nas redes sociais até investimento na formação de líderes de opinião que tenham capacidade de apresentar o que ele faz bem.
Desde o primeiro mandato, Paulo entra em conflito nas redes sociais com adversários e mesmo populares. E faz isso por ser autêntico. Uma análise mais detalhada mostra que é o único político do primeiro time goiano a se expor nas redes, em vez de colocar assessores para fazerem o trabalho. Mas isso tem o seu preço: a interlocução imediata com a população.
O que é uma virtude pessoal precisa, no entanto, de melhor orientação. Vitrine do PT, Paulo tem tudo para reverter seu quadro de sangramento.
O prefeito modificou parte da imagem de Goiânia, com solidando seu ar metropolitano. Mas ainda não comunicou de forma adequada os viadutos, o túnel da Avenida Araguaia e o investimento que tem realizado em educação. No primeiro mandato, Paulo reconstruiu o asfalto do Centro, mas apenas quem anda na região sabe disso.
A gestão do petista também se revela mais significativa nas áreas de direitos humanos e principalmente em cultura – Ivanor Florêncio é hoje um dos melhores gestores de cultura do Estado.
Tudo isso tem sido feito por um prefeito que inexplicavelmente foi ignorado pelo governo federal. Goiânia teve minguado o repasse de recursos federais.
O problema não é obra – já que lançá-las e prometê-las é fácil. O fator é mesmo a imagem. Se Paulo resolver o dilema da visibilidade terá outro fator favorável: a falta de alternativas do lado opositor. Em uma eleição ocorre o que se chama de “campo de oportunidades e conveniências” – na maioria dos casos, ganha quem é menos pior.
Iris Rezende pode romper com o PT e ser novamente candidato pelo PMDB. Mas as outras alternativas estão malformadas – caso das especulações em torno de Jayme Rincón, gestor no governo estadual, ou mesmo do empresário Vanderlan Cardoso.
Fora isso, é necessário não contar com especulações. Nas últimas eleições, diversos nomes foram colocados como balão de ensaio. Demóstenes Torres, antes de ser pulverizado pela CPI do Cachoeira, era nome certo para vencer. Em seguida, especulou-se o vice-governador José Eliton (PP), principalmente pela sua capacidade de gestão à frente da Celg e característica de articulador.
Por fim, a oposição escolheu Jovair Arantes – um bom deputado federal, mas sem imagem suficiente para disputar cargos majoritários. Moral da história, hoje, fora Iris, resta o PT – com larga tradição de domínio nas cidades metropolitanas de Goiás. O voto de legenda é ainda muito forte e ecoa nestas cidades – principalmente em Goiânia.
ESTRATÉGIAS
Uma das estratégias do partido é pacificar suas contradições: em Anápolis, a legenda não deve colocar em atrito João Gomes, atual gestor, e o deputado federal Rubens Otoni e Antônio Gomide – o ex-prefeito, considerado um dos melhores por conta da opinião pública. A eleição está praticamente garantida para Gomes.
O mesmo acontece em Aparecida de Goiânia, com possível acordo para o partido manter a vice. Já, em Goiânia, o PT terá a árdua tarefa de segurar o PMDB no grupo, mas já sabe que existe possibilidade de divórcio: se Paulo Garcia realmente mostrar recuperação de sua imagem pública, não pretende entregar a cabeça de chapa aos peemedebistas.
“O PT precisa crescer. Vai fazer trabalho de aproximação com pessoas interessadas em filiar ao PT. E vamos fazer isso em todo Estado. Mas Goiânia, Anápolis e Aparecida são muito importantes para nós”, diz César Donizete, presidente estadual do PT.
Existe uma tendência do PMDB seguir com o DEM – neste caso, o PT não teria interesses na união. “Onde o DEM estiver, com certeza, não estaremos. Esse é o acordo do DEM com o PT”, costuma dizer o presidente da sigla. César Donizete acredita na articulação de Paulo e em sua recuperação: “Mas é preciso saber quem será o candidato do PSDB e dos seus aliados. Só assim teremos um cenário”.


