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“Acha que segunda já tenho que estar fora?”: Vorcaro questiona Moraes dois dias antes da prisão

Redação Online

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 16:16 | Atualizado há 26 minutos

Daniel Vorcaro manteve contatos atribuídos a Alexandre de Moraes nos dias anteriores à prisão | Foto: Reprodução
Daniel Vorcaro manteve contatos atribuídos a Alexandre de Moraes nos dias anteriores à prisão | Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal. As mensagens também registraram pedidos de encontros com o magistrado para tratar de assuntos relacionados aos negócios que passaram a integrar as investigações.

Vorcaro enviou a Moraes, em 15 de novembro de 2025, um sábado, a mensagem: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, informou que estava em voo, indicou o horário previsto para o pouso e afirmou que seguiria diretamente para encontrar o ministro.

As mensagens analisadas pela investigação registraram uma sequência de tentativas de contato nos dias anteriores à prisão. A PF apontou que Vorcaro enviou a Moraes 12 prints relacionados a encontros. Os documentos, porém, não esclarecem se todas essas reuniões efetivamente ocorreram.

A Polícia Federal prendeu Vorcaro em 17 de novembro de 2025, quando ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29. Horas depois, o empresário foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo.

Um dia antes da prisão, o ex-banqueiro também perguntou ao ministro se havia possibilidade de alguma medida ocorrer na manhã seguinte. Em outra mensagem, quis saber sobre o juiz Ricardo Augusto Soares Leite e questionou se Gabriel Galípolo tinha conhecimento da situação. No próprio dia da detenção, voltou a buscar informações.

Parte dos diálogos integra documento encaminhado ao STF, sobre o qual o ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte, pediu manifestação da PGR. Segundo Mendonça, conversas mantidas por Vorcaro com “outra pessoa ainda não identificada” constituem elementos para a hipótese de que o empresário soube com antecedência significativa da decisão que determinaria sua prisão.

Mendonça considerou essencial identificar o interlocutor para permitir o mapeamento dos integrantes de uma suposta “rede de influência e monitoramento” atribuída ao empresário. Sem indicar nomes, o ministro apontou a possibilidade de participação de pessoas com foro especial e sujeitas a julgamento pelo plenário do STF.

Em outra frente da apuração, a Polícia Federal apontou suspeita de que Moraes seja o destinatário de mensagens nas quais Vorcaro pediu atuação de “Andrei e Paulo”. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Em um dos diálogos, Vorcaro afirmou ser importante reforçar o contato com Andrei e Paulo. Em outra mensagem, pediu que o interlocutor tentasse sensibilizar o diretor-geral da PF para adiar uma ação policial para a semana seguinte.

O avião ligado à holding patrimonial de Vorcaro partiu de Belo Horizonte para Brasília em 16 de novembro e chegou à capital federal às 17h30. Três horas depois, a aeronave deixou o Distrito Federal com destino a São Paulo. No mesmo dia, o ex-banqueiro enviou mensagem na qual afirmou que iria diretamente encontrar Moraes após o pouso. Os documentos da PF, contudo, não confirmam a realização desse encontro.

Naquele domingo, Vorcaro também decidiu antecipar o anúncio público de que a Fictor Holding Financeira compraria o Master em parceria com investidores internacionais. Nas conversas atribuídas a Moraes, o empresário afirmou que trabalhava para adiantar a operação e tentar evitar a quebra da instituição financeira.

A extração do celular de Vorcaro não permitiu conhecer o teor de possíveis respostas de Moraes. Segundo as informações disponíveis, os interlocutores usariam imagens de visualização única com capturas de textos escritos em aplicativo de notas. O procedimento recuperou apenas conteúdos enviados pelo ex-banqueiro.

Após reportagens anteriores sobre mensagens de WhatsApp atribuídas a Vorcaro no dia de sua primeira prisão, Moraes afirmou, em março, que “não recebeu essas mensagens” e classificou como “ilação mentirosa” a afirmação de que os conteúdos teriam sido enviados a ele.

No mesmo dia em que Vorcaro se preparava para embarcar para o exterior, o Banco Central decidiu pela liquidação do Banco Master. A medida seria anunciada publicamente na manhã seguinte, em 18 de novembro.


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