Política

Anselmo Pereira entra na disputa

Redação DM

Publicado em 18 de dezembro de 2015 às 23:31 | Atualizado há 11 anos

Esteve na redação do Diário da Manhã, na tarde da última segunda-feira, o vereador goianiense Anselmo Pereira, presidente da Câmara de Vereadores. Ele veio anunciar que que é postulante da candidatura de prefeito pelo PSDB, eleição que acontecerá no próximo ano. Anselmo é, a partir de agora, como se diz na gíria, “pré-candidato”.

Esta postulação, ou pré candidatura, vem somar-se a outras: Fábio de Sousa, Delegado Valdir, deputados federais, há tempos se lançaram na disputa. O também deputado federal Giuseppe Vecci também tem o seu nome cogitado nos meios tucanos. Correndo por outra raia, o ex-deputado federal Luiz Bittencourt, filiado ao PTB, já se lançou pré-candidato com pretensões de ser, mercê de circunstâncias favoráveis, o candidato único da base marconista.

Ocorre que o PSDB há muito firmou posição em favor de candidatura própria. Somente um ato de força do Governador Marconi Perillo levaria o partido tucano a ceder a primazia a candidatos de outras siglas, como já ocorreu no passado, quando Marconi apoiou o petista Sandes Júnior. É uma possibilidade remotíssima Marconi usar a força de seu cargo para impor à seção goianiense do seu partido uma candidatura biônica. Até o momento, por tudo que tem dito e feito, o universo tucano acredita que Marconi atuará no sentido de buscar unidade e consenso, abstendo-se de fazer imposições.

Mesmo porque a experiência vem demonstrando que candidaturas impostas manu militari não empolgam a militância. Já nascem derrotadas. Vide o exemplo de Mauro Miranda em 2002. Tidi e PMDB queria Luiz Bittencourt. Mauro Miranda porém tinha um trunfo que faltava ao rival: a velha e inabalável amizade que lhe dedicava Íris Rezende. Mauro foi imposto candidato por Íris a uma convenção coagida. O resultado foi vexaminoso. Mauro foi o último colocado. Ao anunciar apoio a Pedro Wilson, do PT, no segundo turno, foi esnobado. Ninguém queria o apoio dele.

Os partidos aliados de Marconi vêm cometendo o mesmo erro a cada eleição em Goiânia, emulando o comportamento do PMDN em nível estadual. Comprovam que, ao contrário do que reza a crença popular e proclamam os cientistas, o raio sempre cai no mesmo lugar. O erro consiste em lançar candidatos com perfil elitista, ruins de voto. Candidatos que, afirmam os zombeteiros, só têm eleitores em Alphaville.

Anselmo diz que pretende quebrar a escrita. Ele é um dos poucos políticos tucanos que têm penetração no proletariado, no povão falado das periferias. Prova disso são suas sucessivas reeleições à vereança. Todos sabem que eleger-se vereador em Goiânia é mais difícil do eleger-se a deputado estadual, ou mesmo federal.

Anselmo e o vereador Maurício Beraldo são os políticos tucanos que têm inserção no chamado “movimento popular comunitário”. Apesar do movimento comunitário andar meio baleado nos últimos tempos, ainda é uma poderosa usina de votos operando nos bairros periféricos da cidade. O PMDB e o PT têm forte penetração nestes movimentos. Não é casual que as duas siglas vêm se revezando no poder municipal desde a reinstituição das eleições diretas para prefeito. Com exceção da eleição de 96, em que o PT não polarizou o pleito devido a fortes dissenções internas ( o PSDB venceu aquele pleito com Nion Albetrnaz), em todas as ocasiões a disputa principal fica entre o PT e o PMDB. Depois que os dois gigantes municipais se aliaram, é que outras siglas começaram a ocupar um dos polos.

Num contexto político claramente anti-tucano, é sempre um equívoco insistir em candidaturas sem apelo popular. Também é bem equívoco achar que basta ter o apoio militante de Marconi para vencer a eleição. Apesar das inúmeras obras do governo estadual em Goiânia, e do esforço de Marconi em em ajudar a prefeitura, o próprio governador nunca venceu uma eleição em Goiânia nas vezes quem que disputou e se elegeu governador e senador. O melhor desempenho de Marconi em Goiânia foi nas últimas eleições, quando perdeu aqui para Íris por irrisória diferença. Tudo levava a crer que, desta feita, venceria. Eu mesmo perdi uma garrafa de uísque apostando que Marconi venceria em Goiânia.

Agora, temos Íris Rezende candidato a prefeito no ano que vem. Certo, ele ainda não anunciou oficialmente sua pretensão. Mas também jamais a negou. Bem ao estilo de Íris, ele deixa para assumir a coisa no derradeiro instante. Neste momento, Íris é o franco favorito.

Daí que, para enfrentar a fera, só um candidato que possa disputar com ele no mesmo terreno. No terreno do povão. Anselmo é o tal. Ele pensou muito antes de se lançar, afinal não faz parte da elite tucana. Mas, quem diz que para ser candidato a prefeito de Goiânia é preciso ser deputado federal ou Estadual? O regimento do partido exige patente? Não, é claro que não.”Por que um vereador não pode disputar a prefeitura de Goiânia?” – questiona o postulante.

Na ótima de Anselmo, ele estaria melhor qualificado do que os demais tucanos para disputar a prefeitura. Não pelo fato de nadar em águas proletárias, mas por ter uma visão profunda da problemática municipal. Os anos de forte atuação como vereador deu-lhe uma visão privilegiada dos negócios municipais, qualificando-o para debater em alto nível com qualquer outro candidato.

E as propostas, e o programa? Anselmo afirma que as tem em quantidade. “Espera” – adverte o postulante, afirmando que nesta primeira etapa de fixação de sua pretensão, a questão da plataforma eleitoral pode esperar. Ele adianta, contudo, que Goiânia precisa de um governante visionário, com metas arrojadas, impactantes, e não discursos tecnocráticos que não passam de fraseologia oca.

Pois é: Anselmo Pereira comprou fichas.

Helvécio Cardoso

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