Política

Artistas de esquerda e hashtags bolsonaristas duelam por jovens

Redação DM

Publicado em 20 de abril de 2022 às 13:28 | Atualizado há 4 anos

A reta final para emissão do título de eleitor tem movimentado as redes sociais de direita e esquerda na tentativa de convencer jovens que ainda não tiraram o documento a votar. O prazo termina no dia 4 de maio e até o final de março pouco mais de 1 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos haviam emitido o título, o que corresponde a 17,1% dessa população no país.

Nessa faixa etária, o voto é facultativo. O cadastramento pode ser feito por quem for completar 16 anos até a data do primeiro turno, em 2 de outubro. A emissão do título de eleitor pode ser feita de forma online pela página TítuloNet do TSE ou presencial, no cartório eleitoral mais próximo. Para isso, basta apresentar a documentação obrigatória. Não é necessário autorização de responsáveis legais para solicitar o documento.

No PT, a movimentação para conscientizar os jovens sobre a participação política e incentivar a emissão do título começou em dezembro, com o lançamento da campanha “Meu Primeiro Voto”, com ações de conscientização em escolas, universidades e outros locais públicos.

Em março, em meio à campanha de alistamento eleitoral promovida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a cantora Anitta tuitou que só tiraria foto com fãs maiores de 16 anos se eles mostrassem uma foto do título de eleitor. A postagem teve mais de 250 mil curtidas, 5.800 comentários e 16,8 mil retuítes.

Anitta é uma das vozes críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PL) e já discutiu na rede social com o presidente e seus apoiadores, como o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. No último sábado (16), ela bloqueou o presidente no Twitter.

A onda de incentivo cresceu ainda mais no final do mês, quando manifestações políticas feitas pelas cantoras Pabllo Vittar e Marina no festival Lollapalooza foram enquadradas pelo ministro do TSE, Raul Araújo, como propaganda eleitoral antecipada.

Para tentar atrair o voto dos jovens, o PL lançou o movimento “Filia Brasil”, com o objetivo de aumentar o eleitorado do partido e difundir bandeiras conservadoras.

Segundo levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (Daap/FGV), entre o dia 1º de março e 6 de abril foram publicados 287,7 mil tuítes com hashtags incentivando a participação de adolescentes nas eleições.

Os marcadores bolsonaristas predominam. Enquanto a hashtag #lulapalooza, em referência à manifestação de Pabllo Vittar no festival em São Paulo, foi usada 2.752 vezes, o marcador #soujovemsoubolsonaro22 — usado por bolsonaristas para compartilhar fotos de adolescentes que tiraram o título para ajudar a reeleger o presidente— apareceu 146.948 vezes.

Cientistas políticos destacam que, mesmo com o movimento feito nas redes sociais bolsonaristas para tentar atrair o eleitorado jovem, os dados existentes até então apontam que a maior parcela desse público se identifica com a esquerda.

De acordo com a pesquisa Datafolha de março, Lula alcançava 51% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos, enquanto Bolsonaro era preferido por 22%. No eleitorado em geral, Lula registra 46% das intenções de voto e Bolsonaro, 26%.

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