Balanço do primeiro debate entre os governadoriáveis
Redação DM
Publicado em 28 de agosto de 2018 às 02:08 | Atualizado há 8 anos
Era para ser um debate mais quente. Afinal, as regras propostas pela rádio Interativa FM visavam criar zonas de contato entre os postulantes ao governo e provocar atritos ideológicos e propositivos. Todavia, o primeiro encontro dos candidatos ao Governo de Goiás, realizado ontem, 27, das 12h às 14h, ocorreu sem grandes percalços e polêmicas.
Daniel Vilela (MDB), Ronaldo Caiado (DEM) e Kátia Maria (PT) foram os melhores. O primeiro soube atacar com classe, apesar de vez ou outra ser um pouco desleal, como quando na mensagem final aos ouvintes [em que não cabe direito de resposta] criticou Caiado e José Eliton – o que era explicitamente vedado pela coordenação do debate.
Ronaldo se defendeu corretamente, como era de se esperar, já que lidera a disputa e não pretende se envolver em polêmicas. Foi bem-humorado e centrado. E a terceira candidata soube se expressar bem, com coesão e lógica. Atacou todos, fora o professor Weslei (PSol), e apresentou ideias gerais e divergentes. Não que seja melhor do que os outros, mas a qualquer possibilidade de confronto chamava o padrinho “Lula” e recordava dos bons tempos do PT no poder. Ou seja, criou um escudo argumentativo poderoso que era ao mesmo azucrinante e funcional. Vai funcionar em todos encontros? É uma questão a se pensar.
Professor Wesley (PSol) e José Eliton (PSDB) foram os piores da disputa comunicativa. O socialista se mostrou excessivamente afoito e se perdeu em tantas críticas e pensamentos negativos; Eliton, por sua vez, foi levado às cordas por um motivo simples: é o governador. Foi o que mais apanhou. Apenas Ronaldo Caiado, que evitou atacar, o ignorou.
Nas redes sociais, ocorreu um enfrentamento entre os defensores de Caiado, os comissionados que apoiam Eliton e petistas que desejam aproximar Kátia e Lula. A militância digital caiadista é forte e espontânea, tendo dominado o número de postagens e curtidas.
Caiado usou o tempo dado pela Interativa FM para discutir propostas e apresentar eventuais soluções para a saúde, meio ambiente, educação, geração de empregos e Entorno do Distrito Federal.
Em um determinado momento enquadrou Daniel, que se apresentava como “oposição”. Retrucou primeiro com uma contextualização: “Veja bem, tenho entrado com todas ações para evitar que espoliem mais o Estado, desequilibrem mais…Nas ações contra a Celg, Saneago, contra empréstimos de R$ 500 milhões e agora para surpresa de todos: querem vender a plataforma logística de Anápolis e entregar o aeroporto de cargas. Querem fazer a licitação do pátio único do Detran por R$ 1 bilhão já no apagar das luzes”.
Após ser criticado por Daniel, que disse que o democrata não é oposição de fato, mas que ficou “cego, surdo e mudo” por longo anos, Caiado usou a tréplica e foi incisivo com o emedebista e deixou nas entrelinhas a resposta: “A todos ouvintes: ninguém se intitula oposição, principalmente oposição consentida, quando realmente não tem atos que possam comprová-la: não tive a ajuda de vossa excelência na luta pela Celg, não tive apoio de vossa excelência quando tiravam dinheiro da Celg para Caixa Econômica Federal e endividar o Estado, não tive o apoio de vossa excelência, candidato, quando enfrentei o saque dos depósitos judiciais, nãoestoutendooapoionosmomentos de enfrentamento a todas as barbáries que têm sido feitas pelo governo. Agora, em relação à corrupção, votei pelas dez medidas de combate à corrupção da Lava Jato”.
ÓLEO DE PEROBA
O bombardeio maior ocorreu contra o governador José Eliton (PSDB), que enfrentou críticas, algumas vezes injustas, de Wesley, Kátia e Daniel. Os críticos se esqueceram que Marconi Perillo é quem governou Goiás durante tanto tempo e não Eliton.
Em um dos ataques, Daniel Vilela chamouElitonparaenfrentarasruas: “Saiadopalácio, candidato. Deixeseu staff. Tenho um desafio: sair nas ruas depois do debate e ver se a população está contente com seu governo”.
Wesley Garcia (PSol), por sua vez, atacou Eliton pela venda da Celg, que não teve respostas. O candidato socialista sugeriu que Eliton usasse óleo de peroba já que faria, segundo ele, mais propaganda do que ações em prol da população. Kátia Maria questionou a política educacional do governo goiano e descredenciou o tucano, que tentou responder com números e estatísticas positivas os vários temas que foi argumentado.
Em outro momento, Daniel voltou a atacar Zé Eliton pelas obras inacabadas e demonstrou estar afiado para debates mais combativos.
Em nenhum momento, todavia, foi questionado em seu calcanhar de aquiles – caso das investigações da Lava Jato ou de situações que envolvem o MDB na recente história política de Goiás, como a venda de Cachoeira Dourada. Pode ser que nos próximos debates os candidatos mudem a conduta com Daniel, que em vez de atacar terá também que se explicar.
ACOMPANHANTES
Dentro do estúdio da Interativa era possível ver quem acompanhava os políticos, caso do staff de Eliton, que integrado por Jaime Rincón, ex-dirigente da Agetop e um dos alvos das críticas da oposição. Do grupo de Eliton, uma curiosidade: Gean Carvalho, tio de Daniel Vilela, acompanhava exatamente Eliton – principal alvo do sobrinho.