Política

Bolsonaro agora diz que não há prova de corrupção no governo

Redação DM

Publicado em 9 de maio de 2022 às 15:47 | Atualizado há 4 anos

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que as suspeitas de corrupção no seu governo não foram comprovadas. Segundo ele, diversas acusações foram feitas sem que as provas tenham sido apresentadas. “Temos um governo que acusam, mas nada provam sobre corrupção”, disse Bolsonaro, durante discurso para uma plateia de apoiadores na Feira Nacional de Soja, em Santa Rosa (RS).

A afirmação é uma variante de declarações anteriores do presidente. Bolsonaro costumava dizer que não havia nenhum ato de corrupção no governo. Depois, passou a alegar que não tinha como garantir a inexistência de casos, mas que promoveria investigações. Agora, ele questiona a falta de provas.

O assunto vai entrar em pauta na campanha eleitoral. O principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a ser condenado e preso por corrupção, mas teve os processos anulados. Nos governos do PT, foram desvendados os casos do mensalão e do petrolão, que levaram à prisão lideranças políticas de partidos de esquerda e do Centrão, grupo que apoia Bolsonaro.

O presidente passou a ter sua imagem mais associada à corrupção por causa de casos revelados pela imprensa.

Há indícios já documentados, inclusive com depoimentos de testemunhas, de pelo menos seis escândalos no Ministério da Educação (MEC). Entre eles, estão o sobrepreço de mais de R$ 700 milhões para compra de ônibus escolares, as “escolas fake” e o gabinete paralelo de pastores lobistas, direcionando recursos da pasta.

No fim de março, o então ministro Milton Ribeiro foi obrigado a deixar o cargo diante das denúncias de que os pastores de sua confiança cobravam propina em dinheiro e barras de ouro. Os casos são alvo de investigação em diferentes, pela Polícia Federal, Ministério Público, Controladoria-Geral da União e Tribunal de Contas da União. O Palácio do Planalto, por sua vez, agiu para barrar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado. Ministros e interlocutores do presidente pressionaram senadores a retirar o apoio à comissão.

A CPI da Covid, no ano passado, obteve denúncias de cobrança de propina na aquisição de vacinas, pelo Ministério da Saúde.

Em outra frente, a PF apura o possível desvio de emendas parlamentares por parte de congressistas da base bolsonarista. Entre eles, deputados do PL, partido de Bolsonaro, como Josimar Maranhãozinho (MA).

O presidente e seus familiares, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), já foram acusados de obter verbas públicas por meio de esquemas de “rachadinha”, antes do atual mandato presidencial. Jair Renan, o filho mais novo do presidente, é investigado por suspeita de tráfico de influência e lavagem de dinheiro, em inquérito da PF aberto por causa de reuniões que ele teria intermediado para empresas no governo do pai. Todos negam irregularidades.

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