Caiado acusa Marconi de Crime de Responsabilidade
Redação DM
Publicado em 8 de junho de 2018 às 02:21 | Atualizado há 8 anos
O Governo do Estado de Goiás vem deixando de investir o mínimo constitucional em saúde e áreas prioritárias por causa de Conta Centralizadora. A denúncia é do Senador Ronaldo Caiado, que abordou o assunto duas semanas atrás em uma emissora de rádio da Capital. Entrevistado pelo Diário da Manhã sobre o tema, o senador, que é candidato ao governo do Estado na eleição deste ano, assumiu o compromisso de encerrar esta “Conta Centralizadora” se eleito for. “Vamos extinguir esta conta para gerenciar os recursos públicos com transparência”.
O senador Ronaldo Caiado denuncia que, ao longo da gestão de Marconi Perillo, e agora de José Eliton, foi criada e tem sido mantida uma “conta centralizadora”, usada , segundo o senador, “para desviar recursos de investimentos de vários órgãos do Estado”.
Diz o senador Democrata: Sob o argumento de obter melhores resultados para os recursos aplicados da administração direta e indireta, Marconi retirou o dinheiro dessa conta para pagamento de despesas correntes, em vez de dar a destinação correta para agências, estatais e fundações. Além de desviar dinheiro de áreas prioritárias, como saúde e educação, Marconi Perillo e José Eliton usam essa conta centralizadora para maquiar o resultado final das contas públicas, fato reiteradamente comprovado por relatórios anuais do Tribunal de Contas do Estado”.
Caiado explica que as infrações cometidas pelos governos tucanos pressionam o orçamento dos município, “já que a dupla deixa de aplicar o mínimo constitucional em saúde e educação e obriga os prefeitos a exceder o que é determinado em lei para aplicação nas áreas sociais”.
Segundo Caiado, tomando por base relatórios do Tribunal de Constas do Estado, a “conta centralizadora” acumula déficit de R$ 1,5 bilhão, apesar desse rombo não ser contabilizado na prestação de contas anual do governo do Estado”. Por outro lado, prossegue o senador, “o ex-governador deixou de aplicar o percentual mínimo constitucional de 12% sobre as receitas do Estado em ações e serviços de saúde entre os anos de 2014 e 2017, conforme relatório do TCE-GO. No período, quase R$ 700 milhões deixaram de ser aplicados em saúde”, assinala.
Caiado diz que “auditores do TCE chegaram a detectar depósitos fictícios provenientes da conta centralizadora para fundos de saúde e educação para simular que Marconi Perillo teria cumprido os percentuais mínimos constitucionais para estas áreas”.
O ex-governador, conforme avalia Caiado, “criou essa conta centralizadora, na verdade, para maquiar o orçamento, esconder sua incompetência em administrar as contas públicas e desviar recursos que deveriam ser aplicados em setores essenciais para população. Enquanto 55 mil goianos esperam na fila para fazer uma cirurgia, outros tantos esperam há 20 anos o hospital prometido para sua cidade e os professores têm salário semelhante ao custo mensal de um presidiário, Marconi e seu grupo político se utilizam dessa conta e acintosamente sonegam a verdade para a população e para o próprio Tribunal de Contas do Estado”, denuncia.
Caiado afirma que “Marconi e Eliton cometem crime de responsabilidade ao desviar esses recursos, sujeitando-se e ser, o segundo, punido com perda de mandato e, o primeiro, com a cassação dos direitos políticos”. Para o senador Democrata, o que ele denuncia, com base em relatórios do TCE-GO“ é a famosa pedalada fiscal que custou o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff”, baseado na Lei 1.079/1950 que regula o crime de responsabilidade cometido por presidente da República, ministros de Estado e do Supremo Tribunal Federal, governadores e secretários de Estado.
“Será uma das minhas primeiras ações, caso chegue ao governo do Estado, acabar com essa conta centralizadora. Não haverá mais desvios. Dinheiro da saúde deve ser investido na saúde. Chega de maquiagem orçamentária. A mudança no Estado começa pela transparência na gestão dos recursos públicos”, proclama Ronaldo Caiado.
O ROMBO NA CONTA
O TCE-GO, aliás, vem há tempos recomendando que a conta centralizadora seja extinta já que contraria o artigo 35 da Lei 4320/1964. A recomendação é repetida pelo órgão de controle a cada relatório anual das contas do Estado. Marconi Perillo criou a conta em 2001. Desde 2011, o deficit da conta cresceu significativamente. Em 2012, o déficit era de R$ 522 milhões; em 2013 subiu para R$ 858 milhões e depois deu um salto para R$ 1,5 bilhão em 2014, ano em que ele foi reeleito governador.
No final do ano passado, o Ministério Público de Contas do Estado de Goiás representou contra o então governador Marconi Perillo por improbidade administrativa e um dos fundamentos é justamente a “contabilidade irregular do rendimentos auferidos através da aplicação de recursos da conta centralizadora”. A representação cita o relatório do TCE-GO de 2015 que constatou que esses rendimentos da conta centralizadora não foram regularmente contabilizados na conformidade da Lei 4.320/64.
Pela lei, o governo deveria aplicar os recursos da conta centralizadora e distribuí-los, de acordo com a destinação correta, de cada órgão do estado a que se atribui os recursos investidos. De acordo com o Decreto 6.542/2006, embora a gestão dessa conta seja feita pelo Tesouro Estadual, os recursos pertencem aos órgãos e entidades do estado e, portanto, o rendimento do dinheiro aplicado dessa conta não pode ser considerado receita do Tesouro.
Marconi Perillo, no entanto, afirma Caiado, “se utilizou desses recursos para pagamento de despesas correntes – folha de pessoal, compra de equipamentos etc,–e não devolveu esses recursos para a respectiva conta centralizadora.” Esse desvio, segundo Caiado, “gerou um rombo de R$ 1,5 bilhão nessa conta, valor que não é contabilizado pelo governo no resultado das contas públicas, ou seja, o governo continua fechando a contabilidade estadual como se ainda houvesse saldo positivo na conta”