Caiado critica postura de Milei em evento do PL
Léo Carvalho
Publicado em 28 de julho de 2026 às 16:21 | Atualizado há 34 minutos
Ronaldo Caiado afirmou que o Brasil vive uma “desordem institucional” e defendeu uma postura mais firme do presidente Lula | Foto: Marcelo Ferreira
O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) criticou a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que o episódio representou um “escândalo”. Para o ex-governador de Goiás, o Brasil precisa recuperar a “liturgia” do cargo de presidente e adotar uma postura mais equilibrada nas relações políticas e diplomáticas.
As declarações foram dadas nesta terça-feira (28), durante sabatina promovida pelo jornal Correio Braziliense. Caiado afirmou que a Presidência da República não deve ser conduzida com provocações ou troca de ataques e citou episódios recentes envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Javier Milei e representantes dos Estados Unidos.
Segundo Caiado, a postura de líderes políticos precisa respeitar a importância dos cargos ocupados. Ele criticou declarações consideradas por ele como inadequadas e afirmou que o país precisa elevar o nível do debate público.
Durante o evento do PL no último sábado (25), Milei fez críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após não conseguir autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração aumentou a tensão entre integrantes dos governos brasileiro e argentino.
Caiado também comentou a relação entre Brasil e Estados Unidos após informações sobre uma tentativa de envio de funcionários do Departamento de Estado americano ao país para acompanhar questões relacionadas ao processo eleitoral. O governo brasileiro negou autorização para a entrada dos representantes.
Para o ex-governador de Goiás, a diplomacia brasileira perdeu protagonismo e passou a seguir uma linha ideológica. Ele defendeu uma atuação mais técnica do Itamaraty e afirmou que o Brasil precisa voltar a ser respeitado internacionalmente.
Relações comerciais e economia
Durante a sabatina, Caiado também abordou o aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que o governo precisa buscar negociação e acordos para proteger setores como indústria, comércio e agronegócio.
Na avaliação dele, o Brasil precisa mudar sua posição no comércio internacional e investir em tecnologia para agregar valor aos produtos exportados.
“Temos como negociar, fazer parcerias, acordos internacionais e buscar tecnologia. O Brasil precisa parar de vender apenas matéria-prima”, afirmou.
Críticas ao cenário político
Ronaldo Caiado também fez críticas ao atual equilíbrio entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O pré-candidato afirmou que o país enfrenta uma “desordem institucional” e defendeu que o presidente da República tenha maior controle sobre a execução das políticas públicas.
Ele criticou o modelo atual de distribuição das emendas parlamentares impositivas e disse que os recursos deveriam estar alinhados ao plano de governo aprovado pelos eleitores.
Combate ao feminicídio
Durante a entrevista, ex-governador de Goiás voltou a apresentar propostas na área de segurança pública e afirmou que pretende defender uma mudança constitucional para permitir a perda de patrimônio de homens condenados por feminicídio.
Segundo ele, os bens poderiam ser destinados às famílias das vítimas. Caiado afirmou que pretende adotar uma postura mais rígida no enfrentamento à violência contra a mulher caso seja eleito presidente.