“Caiado e Eliton têm a mesma cultura política”
Redação DM
Publicado em 15 de maio de 2018 às 04:20 | Atualizado há 8 anos
Pré-candidato pelo MDB ao Governo de Goiás, o deputado federal Daniel Vilela critica a postura de seus adversários diante das especulações sobre a formação de chapas. O emedebista reprova o discurso que o senador Ronaldo Caiado (DEM) vem adotando para sinalizar possível aliança entre os dois, e afirmou se tratar de uma “herança de convivência”.
“Sendo bem sincero, é uma política de bater e esconder a mão. Aliás, é uma política típica desse grupo que está aí, do governador José Eliton, do ex-governador Marconi Perillo. E como o senador Ronaldo Caiado esteve durante 16 anos do lado de lá, talvez seja por isso essa cultura de bater e esconder a mão”, declarou Daniel Vilela, em entrevista ao Portal A Redação.
Mesmo assim, o deputado ainda cogita formalizar aliança com o DEM, desde que Caiado esteja disposto a participar de seu projeto. “Se isso não for possível, não haverá aliança”, resumiu.
Sobre parceria com o PSDB, a possibilidade “é zero”. De acordo com ele, o governo tucano caminha na direção contrária a qual ele defende. “A comoção social é pela renovação em Goiás, pela mudança de um grupo político que está há 20 anos no poder”.
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
O senador Ronaldo Caiado declarou que ainda se interessa por uma aliança com o MDB. Da sua parte, há alguma possibilidade?
Daniel Vilela–A possibilidade existe se o Democratas apoiar o nosso projeto. Se isso não for possível, não haverá aliança. Entendemos que o MDB tem a legitimidade da oposição. O senador Ronaldo Caiado esteve do lado desse grupo durante 16 anos, veio para a oposição na última eleição, depois que não conseguiu viabilizar a candidatura dele de senador do lado de lá, e nós o recebemos e apoiamos. E ainda tem mais quatro anos de mandato para ser exercido. Então a gente espera que de fato o senador possa ter um gesto de gratidão com aqueles que foram leais, que o apoiaram, e que foram decisivos na vitória dele no Senado. Estamos construindo um projeto renovador para Goiás e a gente gostaria muito de contar com esse apoio, mas não fomentamos essa política de dar pitaco em quintal alheio, em partido que não é o nosso. Não queremos nenhum tipo de tumulto no partido, e ele tem a legitimidade de ser candidato também, de buscar a postulação de uma candidatura. A decisão é deles. É lógico que a cada dia essa indefinição dificulta o bom ambiente entre os partidos e torna menos possível de uma aliança.
Então está havendo um desgaste nessa conversa entre o MDB e o DEM?
Daniel Vilela–Não é conversa. O que o senador Ronaldo Caiado tem feito é tentar promover o diálogo com alguns integrantes do MDB, ele tem tentado assediar líderes do nosso partido. Então não há um diálogo institucional entre as lideranças do partido.
Mas esse diálogo já foi feito em uma outra oportunidade…
Daniel Vilela–Foi e não houve um acordo de definição. Também não entendo que poderia ter acontecido, em razão do momento de precipitação. Esse momento [de alianças] se dá às vésperas das convenções. É o momento onde os partidos se definem, efetivamente.
Então esse suposto interesse de Caiado sobre uma aliança com o MDB seria uma tentativa de conseguir te fazer mudar de ideia sobre sua candidatura?
Daniel Vilela– Na verdade, sendo bem sincero, é uma política de bater e esconder a mão. De se apresentar como bonzinho e fomentar a discórdia, e mandar com que seus aliados promovam os ataques. Aliás, é uma política típica desse grupo que está aí, do governador José Eliton, do ex-governador Marconi Perillo. E como o senador Ronaldo Caiado esteve durante 16 anos do lado de lá, talvez seja por isso essa cultura de bater e esconder a mão.
E como anda o diálogo com o PSDB? Recentemente o Maguito declarou, em entrevista, que não descarta uma aliança com o PSDB…
Daniel Vilela- Ele não declarou isso. Ele declarou que acha que todos os políticos e partidos devem dialogar. Em nenhum momento ele falou sobre aliança com o PSDB. O que houve foi uma distorção dentro do ambiente político. Em nenhum momento ele se manifestou favorável a uma aliança com o PSDB. Da mesma forma o prefeito Iris, nesse final de semana, que falou que não seria empecilho se houvesse uma comoção da sociedade por uma aliança dessa, o que não acontece. Pelo contrário, a comoção é pela renovação em Goiás, pela mudança de um grupo político que está há 20 anos no poder, que prometeu muito e entregou pouco. Um grupo atrasado do ponto de vista de gestão, das práticas políticas, um grupo político que o principal ato do governador que assume e se coloca como candidato é nomear o cunhado do ex-governador para um cargo vitalício no Tribunal de Contas. Então a comoção é exatamente para a gente mudar essas práticas políticas e administrativas.
Nesse caso, uma aliança entre MDB e PSDB fica cada vez mais distante?
Daniel Vilela–Não há possibilidade de aliança. Zero. Impossível uma aliança com o PSDB. Totalmente descartada.
Como vem construindo a sua base? Já tem algum nome para vice?
Daniel Vilela–Essa questão de vice acaba sendo a última decisão. Mas nós temos dialogado com muitos partidos que têm relevância, história, bons quadros para uma composição eleitoral e bons quadros para uma gestão eficiente. Temos dialogado com o PP, não é novidade para ninguém. Com o PSD, PRB, PDT, alguns outros partidos menores a gente tem tido um diálogo, como a Rede, PRP e PRTB. Esses são os partidos que hoje temos interesse e temos dialogado na construção de uma aliança convergente de um projeto renovador para Goiás.
Dentro desse diálogo, o nome do Vanderlan Cardoso tem sido citado. É um nome interessante?
Daniel Vilela– O Vanderlan é um grande quadro, tanto politicamente quanto pelo fato de ser um empresário de sucesso. Politicamente falando, foi duas vezes candidato a governador, disputou a eleição de prefeito aqui em Goiânia e chegou ao segundo turno. É um ex-prefeito que foi bem sucedido na sua administração em Senador Canedo. Como empresário, construiu uma empresa através do seu esforço, com muita competência. Entendo que é uma pessoa de bem, bem intencionada, então por essas razões é lógico que a gente observa ele como um ator importante nesse cenário político. Agora, estamos buscando alianças com o PP. As decisões de composição, de indicação de nomes passam por uma definição interna deles, e não nossa.
Como está sua relação com o prefeito Iris Rezende?
Daniel Vilela–Excepcional. Tenho conversado quase diariamente com ele, tenho assumido os desafios que ele tem colocado em relação aos pleitos em Brasília. O Iris tem sido muito importante no ponto de vista político, de estimular, de me ajudar e reconhecer minha candidatura como uma candidatura que apresenta um projeto para Goiás. É o que ele deseja, que a gente possa voltar a ter um governo eficiente, comprometido e que trabalhe e fale menos. Hoje temos um governo que fala demais e trabalha pouco, e precisamos inverter essa lógica. Então Iris tem sido importantíssimo e eu tenho tido privilégio de ter alguém com a bagagem que ele tem para nos orientar.
E o Maguito Vilela? Como está a participação do seu pai na construção desse ambiente de campanha?
Daniel Vilela–É um grande conselheiro, alguém que sempre está muito próximo. Foi governador, senador, prefeito, e é lógico que a gente tem que ouvir. Nem sempre os nossos pensamentos são convergentes, mas a gente tem maturidade para dialogar e encontrar o melhor caminho. Ele tem demonstrado entusiasmo muito grande nesse projeto, acredita e reconhece essa necessidade de se apresentar um projeto inovador para Goiás. O diálogo é constante e ele temsidoumimportante conselheiro e articulador desse processo.
Na verdade, sendo bem sincero, é uma política de bater e esconder a mão. De se apresentar como bonzinho e fomentar a discórdia, e mandar com que seus aliados promovam os ataques”