Política

Caiado é oficializado pré-candidato e promete anistia a Bolsonaro

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 30 de março de 2026 às 17:40 | Atualizado há 3 meses

Caiado é oficializado pré-candidato à Presidência e promete anistia a Bolsonaro em primeiro ato | Foto: Reprodução
Caiado é oficializado pré-candidato à Presidência e promete anistia a Bolsonaro em primeiro ato | Foto: Reprodução

O Partido Social Democrático, partido de Gilberto Kassab, oficializou nesta segunda-feira (30) a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República.

Caiado, de 76 anos, disputava a chancela da sigla com o governador do Paraná, Ratinho Junior, que desistiu de concorrer ao cargo, e com Eduardo Leite, à frente do Executivo gaúcho. O comunicado à imprensa ocorreu na sede da sigla, na região central de São Paulo.

Caiado promete anistia a Bolsonaro

Em discurso, ele afirmou que, se eleito, seu primeiro ato será conceder anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

“Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita, replicando aquilo que Juscelino Kubitschek soube fazer com muita maestria a todos aqueles que se rebelaram realmente em uma verdadeira tentativa de golpe pela Aeronáutica”, disse.

Apesar da fala, Caiado afirmou que pretende romper a polarização política, dizendo que ela é instrumento de alguns, mas não dele, e buscou se distanciar da ideia de alinhamento automático ao grupo bolsonarista.

Ele citou a própria trajetória para sustentar que está preparado para o cargo e afirmou que o pai tinha razão ao defender a necessidade de preparo antes de chegar à Presidência. Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, disse: “Não se pode aprender na cadeira”.

Promessas de anistia enfrentam resistência no STF

Quando possíveis candidatos ao Planalto passaram a prometer indulto a Bolsonaro, ministros do Supremo Tribunal Federal reforçaram, desde 2025, que uma medida nesse sentido pode ser derrubada pela Corte.

A posição tem como precedente o caso do ex-deputado Daniel Silveira, que recebeu graça presidencial concedida por Bolsonaro após condenação a mais de oito anos de prisão por ataques às instituições democráticas.

O Supremo anulou o indulto em maio de 2023, por 9 votos a 2, sob o argumento de desvio de finalidade. Parte dos ministros entende que crimes contra o Estado democrático de Direito não são passíveis de perdão político.

Discurso sobre segurança e trajetória política

Caiado nunca escondeu o desejo de disputar a Presidência, o que já fez em 1989. Ele vocaliza pautas da direita ligada ao agronegócio e costuma associar seu discurso ao combate à violência e à corrupção.

Médico e cirurgião, ele se distanciou de Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, mas voltou a se aproximar posteriormente, na expectativa de obter apoio político.

Nesta segunda, voltou a citar sua formação na área da saúde como argumento de preparo, comparando a trajetória na medicina com a necessidade de experiência na política antes de disputar o cargo.

Também reforçou o discurso sobre segurança pública, afirmando que Goiás está entre os estados mais seguros do país. Criticou o Partido dos Trabalhadores e disse que pretende impedir que a sigla volte a ser opção no cenário nacional.

Reação dentro do partido e cenário eleitoral

A escolha do PSD gerou reações distintas. Enquanto Ratinho Junior elogiou a decisão, Eduardo Leite afirmou que ela “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”.

Sobre a crítica, Caiado minimizou e disse que a anistia pode contribuir para reduzir a polarização. Também elogiou a competência de Leite. “Você só alimenta um projeto político da polarização quando se beneficia dele”, afirmou.

Segundo o calendário das eleições de 2026 divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, as convenções partidárias para definição de candidaturas ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. Os registros devem ser feitos até 15 de agosto.

Oriundo de família tradicional na política, Caiado foi deputado federal por cinco mandatos, iniciados em 1991. Em 2014, foi eleito senador por Goiás. Assumiu o governo estadual em 2018 e foi reeleito em 2022.

No Congresso, atuou majoritariamente no antigo PFL, que se tornou DEM e depois deu origem ao União Brasil, legenda que deixou em janeiro por falta de apoio à candidatura presidencial.

Questionado sobre seu posicionamento ideológico, afirmou que não nega suas origens ligadas à direita e ao agronegócio, mas rejeitou rótulos de radicalismo. “Ninguém atinge 88% de aprovação sendo radical”, disse.

(Folhapress/Ana Gabriela Oliveira Lima)


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