Caiado enfrentará os dois maiores líderes goianos
Redação DM
Publicado em 24 de março de 2018 às 02:25 | Atualizado há 1 ano
Ao reiterar que apoia a candidatura de Daniel Vilela (MDB), Iris Rezende coloca Ronaldo Caiado (DEM) em uma situação delicada: enfrentar as duas maiores forças políticas de Goiás.
Não é impossível vencer, mas a complexidade será maior. Historicamente, as lideranças partidárias interferem em grandes bolsões de votos. Iris Rezende traz em seu grupo outra forte liderança – Maguito Vilela, que tem votos em Jataí e Aparecida de Goiânia.
Os emedebistas dominam em tese a maioria dos votos da região metropolitana. Por sua vez, Marconi Perillo (PSDB) tem acesso a várias regiões – a começar do Entorno do Distrito Federal, Norte e Nordeste.
Ocorre que as eleições de outubro podem ser pós-modernas e tanto lideranças (formadoras de opinião) quanto partidos podem ter suas forças relativizadas. É o que se vê, inclusive, nas pesquisas eleitorais divulgadas até agora. No país, Jair Bolsonaro lidera sem apoio de nenhum partido de expressão. E o mesmo ocorre em Goiás, com a liderança de Ronaldo Caiado.
No momento, é preciso observar que a sensação de opinião pública indica que nem o mandato de Iris nem de Marconi são considerados bons pelos eleitores, o que beneficia Caiado.
Diante deste cenário, sem desgastes e livre de qualquer menção na Lava Jato, o democrata se apresenta como político de oposição a tudo que foi feito em Goiás nas últimas décadas e limpo moralmente.
Caiado enfrenta, portanto, duas lideranças enfraquecidas pelo tempo. O que não significa vitória fácil.
É possível que tanto Daniel Vilela quanto José Eliton (PSDB) façam uma campanha voltada para o enfrentamento direto, sem uso de padrinhos ou caciques – pelo óbvio motivo do desgaste sazonal.
O VISÍVEL
No embate direto, portanto, onde ele é mais forte, pode ser surpreendido. Até agora, Caiado segue absoluto, com grande visibilidade e nome mais lembrado para a disputa. Sabe que jamais terá Iris Rezende como inimigo de fato– afinal, ele passou a apoiar uma candidatura emedebista após o presidente Michel Temer agir para ter palanque em Goiás.
Com este adendo, interferência de Temer, Caiado também enfrentará em Goiás o presidente, que passou a ser seu inimigo diante das denúncias de Caiado realizadas no Senado nos últimos meses.
O HABILIDOSO
Mas Caiado pode mesmo é desconfiar da arte política de Marconi, que passou a perceber o risco que será se o maior adversário dele vencer as eleições. E neste caso, Marconi é o mais habilidoso político de Goiás. Capaz de agir de fora e até mesmo dentro de partidos adversários, de forma telemática e instrumental. Anuncia-se um grande jogo eleitoral pela frente e duas ideias diferentes de disputas: tradicional e líquida, onde valores estabelecidos passam a valer pouco. Este último modelo eleitoral deu certo em São Paulo, em 2016, e com Donald Trump.
“Não cabe a mim interferir em ações de partidos aliados”, diz Caiado

“O prefeito Iris tem minha admiração e respeito”, afirmou, ontem, em nota distribuída à imprensa, o senador e pré-candidato ao governo de Goiás Ronaldo Caiado (DEM), sobre a decisão do prefeito Iris Rezende de anunciar apoio à pré-campanha de Daniel Vilela (MDB).
“Lutei muito para que Iris fosse candidato a prefeito de Goiânia e vencesse, por acreditar em sua liderança. Nada mudou e faria de novo”, disse, em outro trecho da nota.
Ronaldo Caiado ressaltou: “Não cabe a mim interferir em ações de partidos aliados. Vamos agora buscar ainda mais o diálogo, com humildade e respeito, para a união da oposição. Devemos estar aliados aos goianos que tanto desejam mudar Goiás”.