Política

Caiado fala ao ministro: Vossa excelência é um safado

Redação DM

Publicado em 29 de outubro de 2015 às 23:56 | Atualizado há 11 anos

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) protagonizou ontem outra cena de agressões verbais com uma autoridade. A pendenga dessa vez foi com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, durante audiência pública no Senado na manhã dessa quinta-feira, 29, na Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional.

Aos gritos de “safado” e “bandido” dirigidos ao ministro, Ronaldo Caiado precisou ser contido por outros senadores e finalizou chamando Eduardo Braga para “resolver a questão” lá fora. No mesmo tom que Caiado dirigiu impropérios ao ministro ouviu reprimendas de igual calão e na resposta direta, apenas com o diferencial que o ministro não se levantou da cadeira.

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A audiência na Comissão Mista se destinava a discutir modelos de regulação da matriz energética e o assunto deveria abordar também a privatização da Celg. Caiado já havia informado ao ministro que o tema era de interesse da política goiana e que ele gostaria de acompanhar com mais cuidado. O senador goiano interpelava sobre a forma que está em curso o assunto referente às concessões das empresas distribuidoras de energia elétrica, o que diz respeito diretamente à Celg, como Caiado observara que tinha interesse.

Segundo Eduardo Braga ele consultava no celular dados referentes às cotações das empresas concessionárias e Caiado queria que a atenção fosse exclusiva para ele. “Disse ao senador que estava prestando atenção em sua pergunta e que apenas consultava dados importantes para o debate”, disse o ministro.

Levantando-se de sua poltrona Ronaldo Caiado se dirigiu à mesa onde estava o ministro e já lhe interpelou com o dedo em riste, no estilo Caiado de urbanidade. “Vossa Excelência é bandido e safado e está me desrespeitando. Olhe para mim quando falo”.

Eduardo Braga ainda esboçou pedir desculpas por estar de lado e dizer que estava ouvindo o questionamento do parlamentar. Mas, diante da iminente agressão seu comportamento foi de rechaçar a interpelação. “Vossa Excelência deveria ficar calmo, está muito nervoso. Vossa Excelência está desequilibrado”, disse o ministro.

Diante da atitude intimidadora de Ronaldo Caiado com o dedo apontado em franca postura de ameaça a reação foi de igual força e sentido contrário: “Safado é Vossa Excelência, me respeite. Bandido é você”, completou o ministro devolvendo o xingatório. O senador ainda falou mais vezes que não respeitava Eduardo Braga e reafirmou os adjetivos ditos antes: “você é bandido, é safado”.

 Negociata

Caiado ainda falou que o que girava em torno da concessão da Celg era “negociata” e que a empresa é o maior patrimônio de Goiás e manteve o desafio para ir conversar com o ministro “lá fora”.

Eduardo Braga não recuou e confirmou que poderia manter a discussão em qualquer lugar: “onde você quiser, mas seja educado, respeite o decoro parlamentar”. Ao final, quando Caiado era empurrado para fora do recinto alguém sugere de forma prudente: “dá uma água com açúcar para ele”.

Depois que Caiado foi retirado da sala outros senadores fizeram um desagravo ao ministro agredido pelo parlamentar e a atitude do goiano classificada de “destemperada”. O senador Fernando Bezerra (PSB-PE), presidente da Comissão disse que fará um relatório sobre o ocorrido e sobre a postura de Ronaldo Caiado para a mesa diretora do Senado.

O ministro lamentou o ocorrido após a audiência e disse que o comportamento do senador Ronaldo Caiado foi injustificável. “Esse senador mau caráter agiu de forma intencional para agredir e denegrir sem nenhuma justificativa uma autoridade pública que veio ao Congresso cumprir seu papel institucional”, disse Eduardo Braga.

“A Celg está em um Estado emergente com grande interesse do capital privado em resolver os problemas de oferta de energia. Soube que o Caiado era contra a privatização da Celg e as medidas para sanear a empresa e liguei para ele. Para a minha surpresa, o senador me disse que essa era uma questão da política goiana e afirmou que iria marcar posição”, lembrou o ministro.

Eduardo Braga lembrou que Caiado é declarado opositor da privatização da Celg, mesmo sabendo que a empresa, atualmente sob controle da Eletrobras, apresenta prejuízo anual de R$ 1,1 bilhão.

   Reincidência

Ronaldo Caiado já esteve no cerne de outra cena de pugilato verbal como essa no passado. Em maio de 2013, quando era deputado federal, Caiado teve um confronto com o também deputado Anthony Garotinho, do PR fluminense. O ex-governador do Rio de Janeiro havia se pronunciado sobre a Medida Provisória que dava nova regulamentação aos portos. “CPI dos porcos”. Segundo Garotinho, uma emenda aglutinativa apresentada pelo líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), tornaria a MP dos Portos em “MP dos Porcos” e em “show do milhão”. O assunto interessava a Caiado, então líder do Democratas e que foi chamado às falas por Garotinho.

O deputado goiano de então foi à tribuna da Câmara Federal e descarregou sua metralhadora contra Garotinho acusando-o até de ser bandido (outra vez) e de ter enriquecido com o dinheiro público do Rio de Janeiro. “Estou convencido de que vossa excelência faz parte do chiqueiro; está contaminado com a catinga dos porcos, sabe porque, porque sua vida pregressa me credencia falar isso, condenado a Prisão por 2 anos e 6 meses. Homem que desvia dinheiro publico e se enriquece com dinheiro no Rio de Janeiro quando foi Governador do Estado. Não tem Moral, Não tem credibilidade”, bradou.

Anthony Garotinho, que foi prefeito e governador antes de ser eleito para o Congresso Nacional e fez carreira como radialista e pregador evangélico, acostumado a uma tribuna, não se fez de rogado e foi ao púlpito responder Ronaldo Caiado. “Antes de falar a besteira que falou aqui a respeito da condenação de um juiz, deveria saber que esse juiz o fez a pedido, como eu denunciei no Conselho Nacional de Justiça, de Ricardo Teixeira e Sérgio Cabral”, reafirmou na tribuna.

O deputado fluminense dirigiu sua verve a Caiado encerrando a discussão: “Quando as pessoas não têm razão, elas partem para a violência; quando as pessoas não têm argumento, partem para o arroubo”.

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