Política

Caiado: sem mudanças profundas no secretariado

Redação DM

Publicado em 28 de dezembro de 2022 às 14:50 | Atualizado há 4 anos

Se recuperando em São Paulo da cirurgia cardíaca a que foi submetido, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil)  só vai se dedicar à formatação do secretariado para o segundo mandato em janeiro, após a posse, segundo apurou a reportagem do Diário da Manhã. O governador também deverá encaminhar, em janeiro ou fevereiro, à Assembleia Legislativa, projeto que propõe a criação das secretarias de Planejamento, Infraestrutura e Emprego e Renda.

A intenção de Caiado é a de manter Adriano Rocha Lima na Governadoria, Cristiane Schmidt na Economia, Fátima Gavioli na Educação. Pedro Sales será remanejado da Agehab para Infraestrutura, Andréa Vulcanis no Meio Ambiente, César Moura na Retomada, Sérgio Vêncio na Saúde e coronel Renato Brum na Policia Militar.

O governador é adepto da máxima do futebol – “em time que está ganhando não se mexe”, pois as estatísticas mostram que a economia de Goiás cresceu acima da média nacional e tem sido favoráveis os índices de desempenho na saúde, educação e segurança pública.

Quem permanece

Adriano da Rocha Lima – Atualmente no comando da Secretaria-Geral da Governadoria, é tido como o auxiliar mais forte de Caiado, tanto é que seu nome está entre os poucos já confirmados pelo próprio governador. Ele pode ficar onde está, mas também é cotado para a Secretaria de Planejamento, que seria criada a partir de um desmembramento da Secretaria da Economia.

Andréa Vulcanis – É a atual titular da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Está na lista dos auxiliares de primeiro escalão que fez um trabalho considerado eficiente e tem boas chances de permanecer no cargo.

César Moura – Está no comando da Secretaria da Retomada, criada no contexto pós-pandemia de Covid-19, mas que deve ser extinta no segundo mandato de Caiado. Sua presença no primeiro escalão da próxima gestão é praticamente dada como certa e ele surge como um dos especulados para a Secretaria de Desenvolvimento e Inovação.

Coronel Renato Brum – Assumiu a Secretaria de Segurança Pública em 2022, mesmo com alguma resistência de setores da Polícia Civil. É favorito para permanecer na função, embora o deputado federal Delegado Waldir (União Brasil) também seja cotado.

Cristiane Schmidt – Sua gestão na Secretaria de Economia é elogiada, mas, segundo palacianos, a relação próxima com Paulo Guedes pode dificultar o diálogo com Lula. Apesar disso, já chegou a ser cotada para o governo petista e até para a equipe de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, o que dá sinais de que, se ficar em Goiás, não haveria problemas com o próximo presidente.

Fátima Gavioli – Deve permanecer porque realizou trabalho na pasta da Educação considerado satisfatório. É especialista da área e conseguiu, em quatro anos, melhorar a qualidade do ensino em Goiás. Ela apresenta índices elevados na qualidade de ensino e no aprendizado dos alunos em todos os níveis.

Andréa Vulcanis – Também realiza um trabalho adequado e correto à frente da secretaria de Meio Ambiente. Seu estilo discreto e eficiente agrada ao governador. Deve permanecer para prosseguir na execução dos programas da área.

Pedro Sales – Quatro anos à frente da Agência Goiânia de Infraestrutura Transportes (Goinfra), foi substituto por Lucas Vissotto Júnior, funcionário de carreira do Denit. Sales está na presidência da Agência Goiana de Habitação, mas deverá ser remanejado para Infraestrutura, pasta a ser criada em janeiro ou fevereiro,

Ricardo Soavinski – Atual presidente da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago), deve permanecer na segunda gestão de Caiado, no mesmo cargo ou como presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO).

Sérgio Vêncio – Assumiu a Secretaria de Saúde em novembro, já depois de Caiado ter sido reeleito, e não há sinais de que o governador pense em uma troca tão rápida na pasta.

Nomes novos

Célio Silveira – Deputado federal reeleito pelo MDB, o parlamentar é o favorito para assumir a Secretaria do Entorno do Distrito Federal, que pode ser criada por Caiado. Ex-prefeito de Luziânia, o emedebista tem base na região.

Gean Carvalho – Teve uma curta passagem pela Secretaria de Comunicação, mas deixou uma boa impressão e é tido como opção para voltar e trabalhar a imagem de Caiado também em nível nacional. Vale destacar que é próximo do vice-governador eleito, Daniel Vilela, do MDB. O atual titular da Secom, Marcos Roberto Silva, pode permanecer.

Lucas Vergílio – Seu grupo comanda a Secretaria de Esportes e, como não foi reeleito para deputado federal pelo Solidariedade, pode ele mesmo assumir o posto. 

Paulo Ortegal – Principal homem de confiança de Iris Rezende e um dos quadros mais respeitados dentro do MDB de Daniel Vilela, pode assumir a Secretaria de Governo e contribuir para a articulação política de Caiado.

Vilmar Rocha – É presidente estadual do PSD, que deve ter espaço no segundo mandato de Caiado. Seu nome surge como favorito para a Casa Civil, mas também existe a possibilidade de o partido indicar Francisco Jr, que não se reelegeu como deputado federal.

Alexandre Baldy  – É presidente estadual do Progressistas e cotado para assumir a presidência da Saneago ou secretaria de Indústria e Comércio, cargo que já ocupou e que no governo Caiado é exercido por seu irmão, Joel de Sant’Anna Braga Filho.

Base aliada começa a se preparar para eleições municipais de 2024

A partir de janeiro, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, ao lado dos dirigentes dos 12 partidos coligados, estarão com as atenções voltadas para os próximos pleitos eleitorais – municipais em 2024 e estadual e federal em 2026.

A estratégia política do Palácio das Esmeraldas é a de prosseguir com as parcerias administrativas nos municípios para contribuir com a reeleição dos prefeitos aliados. Hoje, a base caiadista conta com o respaldo de 236 dos 246 prefeitos goianos.

O prefeito de Campos Verdes, Haroldo Naves, presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), diz que a maioria esmagadora dos gestores reúne musculatura política para reeleição em 2024, já que conta com elevada popularidade em suas comunidades. Para ele, as parcerias dos municípios com o governo estadual contribuem para aumentar a musculatura político-eleitoral dos prefeitos.

Para as eleições de 2026, Caiado poderá concorrer ao Palácio do Planalto ou ao Senado da República. Ele só vai tratar da agenda eleitoral no ano do pleito.

Já Daniel Vilela poderá disputar a reeleição para o governo de Goiás, caso assuma o poder em 2 de abril de 2016 com uma eventual desincompatibilização do governador.

Nos próximos três anos, o Palácio das Esmeraldas vi priorizar a execução dos programas de obras, principalmente nas áreas de educação, saúde, segurança pública e infraestrutura, preparando o ambiente político para o pleito de 2026.

Em 2018, Ronaldo Caiado disputou o governo de Goiás com respaldo de apenas 14 prefeitos; em 2022, teve um exército em seu palanque: 236 dos 246 gestores municipais. Assim, o trabalho será o de manter sólida base eleitoral junto aos municípios goianos, já pensando nos pleitos de 2024 e 2026.

A expectativa de Ronaldo Caiado e de Daniel Vilela é a de que os partidos da base governista lancem candidatos competitivos a prefeito e vereador nas eleições de daqui a dois anos. 

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