Política

Caiado: “Todas as vezes que Goiás for chamado, estará presente”

Redação DM

Publicado em 3 de novembro de 2022 às 15:00 | Atualizado há 4 anos

O governador Ronaldo Caiado afirmou que seu tratamento com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva será respeitoso e republicano. Ressaltou ainda que Goiás estará presente em todas as discussões em que for chamado com o Governo Federal a partir de 2023. “É do jogo democrático (a vitória de Lula). Estamos preparados para ele. Ganhando ou perdendo, o jogo continua. E a democracia está cada vez mais forte”, salientou o chefe do Executivo Estadual durante coletiva à imprensa no lançamento da Operação Nordeste Solidário.

Lula venceu as eleições neste domingo (30/10) com 50,90% dos votos válidos. Ainda ontem à noite, o governador, que venceu as eleições no primeiro turno, reconheceu a vitória com uma mensagem nas redes sociais. “Venceu o desejo soberano do povo brasileiro! Faço política com total respeito à democracia. Parabenizo o presidente Lula e, como Governador de Goiás, continuarei trabalhando por parcerias”, escreveu Caiado.

O governador reforçou que não há espaço para animosidade na relação entre o governo estadual e federal. “A relação tem de ser respeitosa. Não existe outra que não seja essa”, afirmou. “Todas as vezes que Goiás for chamado para se reunir, estará presente, levando suas reivindicações e participando das discussões”, explicou.

O governador sustentou que, na atividade política, há a necessidade de tratamento respeitoso entre os agentes públicos. “Não cabe dizer tranquilo ou intranquilo, tem de ser respeitoso. Eu sou governador do estado de Goiás e sei impor as minhas prerrogativas e os meus direitos, da mesma maneira que cabe ao presidente da República também se comportar como presidente. Aí, sendo de forma respeitosa, tudo se resolve”.

Ele sustentou que Goiás é referência nacional em programas sociais – setor citado como prioridade por Lula e que é marca dos governos petistas – e citou o resultado das eleições para o União Brasil como um reforço no atendimento às demandas dos governos junto à União. Caiado disse ainda não ter o que comentar sobre a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL). “O Mães de Goiás é copiado por muitos governadores, a Bolsa Aluno mostrou como combater a evasão escolar, e o Aluguel Social tem sido referência para atendimento de situações emergenciais”.

Caiado lembrou que há uma interação entre os órgãos federais e estaduais para dar ritmo às gestões:  “Lógico que tudo isso tem uma sequência lógica de ações da saúde, de educação, da segurança. Há toda uma metodologia que as secretarias vão apresentar aos ministérios as necessidades para que haja a contrapartida”

O governador lembrou que, na saúde, está em andamento o processo de regionalização de hospitais. Vamos expandir a estrutura, precisamos ter todas as estruturas habilitadas. Será feita solicitação de audiência ao próximo ministro da Saúde. Estamos demolindo todas as escolas de placa para reconstruir de alvenaria, também será uma demanda ao Ministério da Educação. Segurança pública, da mesma forma. Se tivermos mesmo esse aumento das chuvas, é lógico que vamos precisar do repasse de verba federal”.

Derrota de Bolsonaro

Questionado sobre como recebeu a derrota do presidente Jair Bolsonaro, Caiado disse fazer parte do jogo político ganhar e perder eleições: “Eu já perdi eleições, já ganhei eleições. Eu não tenho de achar nada. Cabe a mim dizer que, quando eu, deputado federal, via o painel dizer quantos votos o meu projeto teve ou não teve, eu me curvar a ter a alegria da vitória ou entender que não tive capacidade de ter a maioria dos votos. Quando eu fui candidato, se fui eleito, muito bem; se fui derrotado, nunca responsabilizei terceiros pela minha derrota. Eu sempre as assumi. Então não tem o que explicar. Esse é o jogo democrático e estamos preparados para ele. Ganhamos, ganhamos. Perdemos, perdemos. E o jogo continua, a democracia cada vez mais forte, e vamos nos preparar para as próximas eleições”

Paralisações

Na conversa com jornalistas, o governador também comentou as paralisações de caminhoneiros descontentes com o resultado da eleição presidencial, que bloqueiam rodovias federais e estaduais em várias partes do país. “Já tomei as providências possíveis”, informou. Segundo ele, as forças de segurança estão orientadas a garantir o livre trânsito de carros de passeio, bem como de ambulâncias, veículos que transportam produtos perecíveis e essenciais à saúde. “Tudo será resolvido dentro do bom diálogo”, reforçou.

União Brasil e PT lideram ranking de governos estaduais com quatro estados

Após o segundo turno em 12 estados no domingo (30), estão definidos os governadores das 27 unidades da federação pelos próximos quatro anos. O União Brasil e o PT foram os partidos que mais “conquistaram” governos estaduais, com 4 estados cada.O União Brasil elegeu seus candidatos no Centro-Oeste e no Norte, com candidatos alinhados ao presidente Jair Bolsonaro (PL): Mauro Mendes, no Mato Grosso; Ronaldo Caiado, em Goiás; Marcos Rocha, em Rondônia; e Wilson Lima, no Amazonas. Todos eles tiveram o apoio do presidente.Já o PT tem todos os seus estados localizados no Nordeste. São eles: Bahia, com Jerônimo Rodrigues; Ceará, com Elmano Freitas; Piauí ,com Rafael Fonteles; e o Rio Grande do Norte, com Fátima Bezerra.Três partidos empatam com três domínios estaduais: o MDB (Alagoas, Distrito Federal e Pará), o PSB (Espírito Santo, Maranhão e Paraíba), e o PSDB (Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Sul).O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que teve votação expressiva no Congresso, sendo o que mais conquistou cadeiras à Câmara e ao Senado, terminou as disputas do governo com dois estados: Rio de Janeiro (com Cláudio Castro) e Santa Catarina (com Jorginho Mello).PP, PSD e Republicanos, com dois estados cada; Solidariedade e Novo, com um cada, completam a lista.Em seguida na lista, vêm PSDB, MDB e PSB, com três estados cada um. Em crise e rachados na disputa deste ano, os tucanos reverteram os cenários do primeiro turno e conquistou três governos: Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Sul.PSB ganhou no Maranhão no primeiro turno e na Paraíba e no Espírito Santo na eleição de hoje, com dois reeleitos. Já o MDB havia vencido no Distrito Federal e no Pará e neste domingo acrescentou Alagoas na sua lista.Neste ano, houve uma distribuição menor de governadores eleitos por partido, o que pode ser explicado pela união do DEM com o PSL em 2021, formando o União Brasil.Solidariedade e Novo preenchem as últimas posições, com apenas um governador eleito cada um.Bolsonaristas e lulistasEleito presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá que lidar com 14 estados governados por apoiadores do Bolsonaro, assim que tomar posse. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste é a que mais concentra oposição ao futuro presidente. Praticamente todos os estados – a exceção é o Espírito Santo – são governados por aliados bolsonaristas.Rio Grande do Sul, com Eduardo Leite, e Pernambuco, com Raquel Lyra, ambos do PSDB, não se posicionaram nas eleições presidenciais. Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO) também não declarou apoio oficial, mas seu partido é da base de Bolsonaro e o mesmo de Tarcísio Gomes de Freitas, eleito em São Paulo.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia