Carlos Bolsonaro relata crise de azia do pai e anexa foto a pedido ao STF
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14:02 | Atualizado há 5 meses
Carlos Bolsonaro divulgou a foto ao relatar agravamento do estado de saúde do pai | Foto: Reprodução redes sociais/ REUTERS/Mateus Bonomi
O vereador Carlos Bolsonaro (PL) divulgou no último domingo (11) uma carta na qual afirma que o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro teria piorado durante o período em que ele permanece preso. De acordo com o parlamentar, foi necessário chamar um médico até a unidade prisional após o ex-presidente apresentar crises frequentes de soluços, que evoluíram para um quadro contínuo de azia.
Segundo Carlos, os sintomas têm dificultado a alimentação e o descanso de Jair Bolsonaro. “O médico do meu pai foi acionado hoje, domingo, 11 de janeiro de 2026, na prisão, depois de sermos informados de que as crises persistentes de soluços evoluíram para uma azia constante, impedindo-o de se alimentar de forma adequada e de dormir”, escreveu.
Na carta, o vereador também relata que o ex-presidente estaria enfrentando um forte impacto emocional. Ele afirma que o quadro psicológico foi agravado pelo fato de Bolsonaro permanecer isolado em uma cela solitária. “É visível o grave abalo psicológico que ele sofre, intensificado pela permanência sozinho na solitária”, destacou.
Carlos Bolsonaro informou ainda que a defesa do ex-presidente protocolou um novo pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário no Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme o vereador, a solicitação foi apresentada neste fim de semana, mas ainda não havia sido analisada pela Corte até a divulgação da carta.
O parlamentar mencionou também a inclusão de uma imagem anexada ao pedido, que, segundo ele, retrata Jair Bolsonaro em condições delicadas de saúde. Carlos afirmou que a foto mostra o ex-presidente enfrentando crises intensas de vômito, que ele atribui às sequelas do atentado a faca sofrido em 2018, novamente associando o ataque a um “antigo militante do PSOL”.
No texto, Carlos Bolsonaro contesta as condenações que resultaram na pena de 27 anos de prisão do ex-presidente. Ele cita os crimes pelos quais Jair Bolsonaro foi condenado, entre eles destruição de patrimônio, destruição de patrimônio tombado, organização criminosa armada, golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Ao abordar os atos de 8 de janeiro, o vereador afirma que Jair Bolsonaro não estava no Brasil na data. “Jair Bolsonaro encontrava-se em Orlando, nos Estados Unidos. Não estava na Praça dos Três Poderes e, portanto, não destruiu absolutamente nada”, escreveu. Sobre a acusação de organização criminosa armada, Carlos argumentou que nenhuma arma teria sido apreendida naquele dia e classificou os acontecimentos como uma manifestação sem participação ou liderança do ex-presidente.
Carlos Bolsonaro também criticou as condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, não haveria como caracterizar golpe sem atos concretos de execução. “Não existe golpe sem ato executório. Não se dá golpe em um domingo, contra prédios públicos vazios”, afirmou. O vereador ainda apontou o que considera uma contradição nas decisões judiciais, ao afirmar que participantes dos atos foram condenados sob a tese de crime de multidão, sem liderança definida, enquanto Jair Bolsonaro teria sido responsabilizado como líder, mesmo estando fora do país no momento dos acontecimentos.