Caso Master deve invadir período de campanha, e centrão vê Mendonça como peça-chave na eleição
Redação Online
Publicado em 5 de março de 2026 às 19:20 | Atualizado há 3 meses
Reação dos parlamentares do centrão à nova prisão de Vorcaro foi mista
As investigações sobre o Banco Master devem invadir o período de campanha e levar o ministro André Mendonça, do STF, a proferir decisões que podem embaralhar o xadrez político às vésperas das eleições. Auxiliares do magistrado admitem que esse cenário é inevitável, diante do potencial envolvimento de autoridades com foro nas fraudes financeiras.
No Congresso, a nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e o avanço do inquérito do INSS sobre um dos filhos do presidente Lula reforçaram a percepção de que o magistrado terá papel decisivo na eleição de outubro. Mensagens interceptadas mostram que Vorcaro tinha relações com diversas pessoas do mundo político.
Governo e oposição apostam numa disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, que já aparecem empatados no segundo turno em algumas pesquisas. Nesse cenário, qualquer fato pode influenciar a eleição, e Mendonça tem sob seu escrutínio os dois inquéritos que mais causam inquietação na República atualmente.
Mendonça tem afirmado que, no cenário ideal, decisões de grande impacto devem ser evitadas durante o período eleitoral. Contudo, como os crimes apurados são considerados de extrema gravidade, o ministro estaria disposto a enfrentá-los, ainda que suas determinações possam ser exploradas politicamente.
Ao assumir a relatoria da investigação sobre o Master, Mendonça constatou que 111 celulares apreendidos estavam praticamente intocados, indicando que ainda há muito material pendente de análise. A reação dos parlamentares do centrão à nova prisão de Vorcaro foi mista.
A PF encontrou menções ao ministro Dias Toffoli em um celular de Vorcaro, levando à suspeição do antigo relator. Outro desgaste foi o contrato de R$ 3,6 milhões mensais do banco com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça, avaliam políticos, terá poder para influenciar a eleição na medida em que pode ditar o ritmo da investigação e da divulgação de informações. Indicado por Bolsonaro, o ministro mantém relação próxima com lideranças conservadoras.
Foto: Rosinei Coutinho/STF