Política

Centro-Oeste se consolida como região mais bolsonarista do país

Redação DM

Publicado em 21 de outubro de 2022 às 15:37 | Atualizado há 2 anos

No Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul,
todos os candidatos a governador ou senador eleitos no primeiro turno tinham ou
já tiveram alguma relação política com o presidente Jair Bolsonaro (PL)]

]No Mato
Grosso do Sul, único dos quatro estados onde haverá segundo turno para
definição do novo governo, os dois candidatos mais votados são aliados do
presidente. Lá, a ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP), foi
eleita senadora. No Distrito Federal, outra ex-ministra, Damares Alves
(Republicanos), também elegeu-se ao Senado.

Distrito
Federal

 


		Centro-Oeste se consolida como região mais bolsonarista do país

Reprodução


 

O governador do Distrito
Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi reeleito no primeiro turno, com 50,3% dos
votos válidos. Durante seu governo, Ibaneis manteve lealdade ao presidente Jair
Bolsonaro (PL). Encampou pautas caras do presidente: implantou escolas públicas
no modelo “cívico-militar” e abriu licitação para construção do Museu
da Bíblia em Brasília.

Primeiro governador do
Distrito Federal nascido em Brasília, Ibaneis Rocha era um estreante na
política quando concorreu ao governo do estado e venceu as eleições de 2018, em
meio à onda bolsonarista e da “renovação política”. Advogado, tinha
baixíssimas intenções de votos nas primeiras pesquisas, mas venceu o então
governador Rodrigo Rollemberg (PSB) no segundo com enorme margem de votos.

Ainda no Distrito
Federal, a ex-ministra de Bolsonaro, Damares Alves (Republicanos), foi eleita
senadora com quase 45% do votos válidos. Bolsonarista engajada, ela ganhou os
holofotes por declarações inclassificáveis, como quando disse que “menino
veste azul, menina veste rosa” ou quando defendeu, em diversas
oportunidades, medidas anticientíficas no combate à covid-19. Assessora parlamentar
por duas décadas, foi auxiliar do ex-senador Magno Malta (PL), outro aliado do
presidente Bolsonaro.

 


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Goiás

 


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Ronaldo Caiado (GO).

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Em Goiás, o governador
Ronaldo Caiado (União) também foi reeleito no primeiro turno. Caiado obteve
51,8% dos votos válidos. Caiado é integrante de uma longa dinastia de políticos
goianos. Já foi próximo a Bolsonaro, mas acabou se afastando do presidente
durante seu mandato de governador. Ainda assim, está muito ligado ao setor
agropecuário, que é base eleitoral do presidente.

Médico e produtor rural,
Caiado se tornou um dos grandes criadores de gado de Goiás. Ingressou na vida
política para defender os interesses do setor.

Foi candidato a
presidente da República em 1989, e venceu a primeira eleição em 1994, quando foi
eleito deputado federal. Não conseguiu se eleger governador na primeira vez que
tentou, em 1994, e entre 2002 e 2010 foi eleito deputado federal para quatro
mandatos. Em 2014 foi eleito senador, mas não completou o mandato, pois foi
eleito governador em 2018.

Para o Senado, foi
eleito em Goiás Wilder Morais (PL), do partido do presidente, com 25,2% dos
votos válidos. Morais já foi senador entre 2012 e 2019 e apresentou projetos
para revogação do Estatuto do Desarmamento e “fim da indústria das multas”,
pautas vinculadas ao bolsonarismo. Engenheiro e empresário, Wilder Morais
nasceu em Taquaral, no interior de Goiás. Foi suplente do ex-senador Demóstenes
Torres, cassado em 2012.

Mato
Grosso

 


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No Mato Grosso, o
governador Mauro Mendes (União) foi mais um reeleito no primeiro turno no
Centro-Oeste. Mendes teve mais de 68% dos votos válidos. Ele foi eleito
com apoio declarado do presidente Bolsonaro.

Empresário
dos setores metalúrgico, de energia e construções, Mauro Mendes chegou a ser
processado por submeter cerca de 200 trabalhadores a condições degradantes.

Na política, Mendes se lançou candidato pela primeira vez em
2008, quando perdeu a disputa pela prefeitura de Cuiabá. Dois anos mais tarde,
foi derrotado em disputa pelo governo do estado. Em 2012, porém, chegou à
prefeitura da capital mato-grossense

Mendes
chegou a presidir o PSB, mas deixou o partido e foi para o DEM (hoje União
Brasil), seu atual partido. Em 2018 venceu a eleição para o governo ainda em
primeiro turno.

Para o Senado, foi eleito por Mato Grosso Wellington Fagundes
(PL), candidato oficial de Bolsonaro no estado, que teve 65,5% dos votos
válidos. Fagundes vai para o segundo mandato consecutivo na Casa. Antes de
chegar ao Senado, foi eleito por seis vezes consecutivas para o cargo de
deputado federal, tendo sido, inclusive, o mais votado do estado em 2010. Médico
veterinário, iniciou a trajetória política na cidade de Rondonópolis, onde foi
presidente da Associação Comercial e titular da Secretaria Municipal de
Planejamento, já passou pelo antigo PDS, pelo PDT e pelo PSDB.

 


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Mato Grosso do Sul

 


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Mato Grosso do Sul é o único estado do Centro-Oeste onde haverá
segundo turno. Capitão Contar (PRTB) teve 26,7% dos votos válidos. Vai disputar
o governo com Eduardo Rudiel (PSDB), que teve 25,1% dos votos válidos.

Mais votado neste ano, Contar não liderava as principais
pesquisas de intenção de voto para o governo do Mato Grosso do Sul. Seu nome,
porém, foi citado pelo presidente Bolsonaro no debate da TV Globo dias antes da
eleição. Ganhou votos com isso.

Contar é militar de carreira, formado na Academia Militar das
Agulhas Negras, onde Bolsonaro também estudou. É deputado estadual e, em sua
campanha, usou o slogan “capitão lá, capitão cá”, fazendo referência ao
presidente.

Rudiel também se apresentava nesta eleição como o candidato de
Bolsonaro em Mato Grosso do Sul. Empresário ligado ao agronegócio, comandou a
Federação de Agricultura e Pecuária do estado, a Famasul, e foi diretor da
Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Em 2015 assumiu a secretaria de
governo de Reinaldo Azambuja e permaneceu no cargo pelos dois mandatos, se
cacifando ao governo.

Para o Senado, Mato Grosso do Sul elegeu outra ex-ministra de
Bolsonaro: Tereza Cristina (PP), que comandou a Agricultura durante quase toda
a gestão do presidente. Ela teve 60% dos votos válidos. Engenheira agrônoma,
Tereza Cristina construiu a carreira política em defesa da flexibilização do
uso de agrotóxicos. Desde que foi secretária de Desenvolvimento Agrário do Mato
Grosso do Sul, durante o governo de André Puccinelli, liderou a defesa do
Projeto de Lei 6.299, o chamado “Pacote do Veneno”.

Tereza Cristina foi eleita
deputada federal em 2014 pelo PSB, e deixou o partido em 2017, por discordar da
posição do partido em oposição ao governo de Michel Temer. Se tornou líder da
bancada ruralista e, reeleita deputada federal, não chegou a assumir o mandato,
pois foi nomeada ministra por Bolsonaro.

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