CNBB recomenda voto em candidato “ficha limpa”
Redação DM
Publicado em 22 de agosto de 2022 às 14:20 | Atualizado há 4 anos
Os bispos do Regional Centro Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgaram, sexta-feira (19) uma nota oficial com orientações para as eleições deste ano. A nota diz que a Igreja não é partidária e “não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça”, citando a encíclica Deus caritas est, de bento XIV. A entidade é presidida por dom Walmor Oliveira de Azevedo.
A nota aconselha seis critérios aos eleitores:
1. Avalie o histórico do candidato, seu itinerário político, se tem uma vida honesta e não está envolvido em fraude ou corrupção. Vote a penas em candidato “ficha limpa”;
2. Conheça a proposta de governo do candidato, veja
se é um plano consistente e comprometido com o bem comum, em particular com os
pobres e excluídos, com a defesa da Casa Comum, da cultura da paz, com uma
economia a serviço da vida, e se o candidato é capaz de cumpri-lo;
3. Apoie candidatos defensores e promotores da vida humana e de sua dignidade, que sejam contrários ao aborto e à eutanásia;
4. Divulgue a verdade dos fatos e não espalhe notícias
falsas (fake news). Estas são uma ofensa às pessoas, destroem a democracia e a
sua disseminação é um delito com consequências morais e jurídicas;
5. Aos sacerdotes e religiosos sob a nossa jurisdição
canônica fica vetado o uso das redes sociais, das celebrações litúrgicas, ou
outros momentos eclesiais para manifestações político-partidárias, sob pena
prevista no Código de Direito Canônico (Cân. 285, §3; 1371, §1};
6. Exceto em locais sagrados, é importante promover
encontros com candidatos de partidos diversos, moderados por um membro da
comunidade eclesial, visando conhecer suas propostas.
“Missão apostólica”
Os bispos ressaltaram na nota que estão fazendo isso
“movidos pela missão apostólica, amor e compromisso com a nação brasileira”.“Somos cientes da força transformadora
do Evangelho de Jesus Cristo ancorado em nossas terras há 522 anos. Aquele que
o acolhe vê sua vida ser transformada por Cristo Ressuscitado e descobre que
“somos todos irmãos” (Mt 23,8). Por isso, se abre para a comunhão e a
solidariedade”.
A nota também diz “que a fé católica, antes de ser um
sentimento religioso, é resposta livre e consciente a Deus que se revela
plenamente em Jesus Cristo.”
Os bispos citam o que são João Paulo II disse na encíclica Centesimus annus: a democracia “assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno”.
Fakes news
“Os comunicadores
cristãos precisam inspirar transformações”. Assim motivou o arcebispo de Belo
Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, na abertura do curso “Fake news,
Religião e Política”. “Cada um de vocês
assumiu o bonito compromisso de testemunhar o Evangelho por meio das muitas
linguagens que configuram o campo da comunicação”, afirmou dom Walmor. Além de
dominar técnicas, o comunicador cristão “exerce o seu discipulado buscando
configurar-se a partir de Jesus, aquele que é o caminho, a verdade e a vida”.
No contexto
das fake news, a inspiração de transformações deve
ocorrer ante o “clima hostil que toma conta das redes sociais, em que
muitos se acham no direito de dizer o que bem entendem sem a devida fidelidade
à verdade e aos princípios éticos”. “Fake news contaminam os processos de decisão,
induzindo muitos a escolhas equivocadas, com incidências graves na própria
vida, no contexto social, na vivência da espiritualidade. São, pois, um
perverso mecanismo de manipulação, enraizado em interesses nada nobres,
antiéticos. Buscam destruir, inclusive, reputações para beneficiar seus
disseminadores, que se acham no direito de alcançar vitórias a qualquer preço”,
afirmou o presidente da CNBB.
A atuação dos
comunicadores, nesse sentido, de ter como ponto de partida “não se deixar contaminar pelo ódio e pela animosidade que
inviabiliza as relações. A nossa voz, as nossas muitas linguagens,
sejam instrumentos para edificar a paz, construir pontes e inspirar conversão”.