“Cultura de golpe ainda existe”, diz Dilma
Redação DM
Publicado em 13 de agosto de 2015 às 23:16 | Atualizado há 11 anosÀs vésperas das manifestações antigoverno previstas em mais de 200 cidades, a presidente Dilma Rousseff disse que “a cultura do golpe ainda existe” no Brasil mas que, hoje, não há “condições materiais” de isso ocorrer. “No passado até a nossa redemocratização, sistematicamente houve tentativas de golpe”, avaliou a presidente. “Esse passado não se coaduna com a nossa democracia moderna. (…) Acho que a cultura do golpe existe ainda, mas não acho que tenha condições materiais de isso ocorrer”, concluiu.
A presidente falou sobre o assunto durante entrevista ao SBT, exibida na noite da última quarta-feira. A petista disse que as manifestações são legítimas, desde que não haja “intolerância”. “A intolerância divide o país”, afirmou. “Temos de ser capazes de conviver com as diferenças. (…) Não somos uma democracia infantilizada. Manifestações são normais. O que temos que evitar é a intolerância”, disse Dilma.
A presidente ressalvou, no entanto, que há um “processo de intolerância como não visto no Brasil a não ser nos períodos passados, quando se rompeu a democracia” Mais cedo, a presidente participou da 5ª Marcha das Margaridas, em Brasília. Na ocasição, disse que não permitirá “retrocessos” no país. “Nos maus tempos da lida eu envergo, mas não quebro”, afirmou a milhares de mulheres, citando letra de música do artista Lenine.
RENÚNCIA
Dilma disse na entrevista que não cogita a renúncia e ironizou esse tipo de especulação. “Eu acho fantástico um questionamento desse tipo”, disse. A petista afirmou que “jamais” cogitou tal hipótese e que esse tipo de pensamento não pode ser aceito por defensores da democracia. Ela voltou a afirmar que seu mandato foi legitimado pelo voto.
“Democracia exige respeito à instituição. Esse respeito à instituição é fundamental não é pra mim, para o meu caso, mas para todos os que vierem depois de mim”, afirmou. Quando questionada se o governo tinha “força” para barrar o andamento de um pedido de impeachment no Congresso, se recusou a responder. Disse que “se e quando acontecer” falará sobre o assunto. “Eu não antecipo situações”.
ISOLAMENTO
A presidente disse que não vê um isolamento do governo no Congresso, mas cobrou “responsabilidade de todos” para que o “ambiente político não contamine o ambiente econômico”. Dilma criticou a proliferação de medidas que comprometem o ajuste fiscal e disse não acreditar que “as chamadas pautas-bombas vão proliferar”.
“Não pode ter irresponsabilidade nem aceitar a teoria do quanto pior melhor”, afirmou a presidente. Ela afirmou pedidos de reajuste na casa dos 70% são inviáveis em qualquer lugar do mundo hoje e pediu compreensão às categorias que reivindicam aumento salarial.
Dilma fez elogios ao vice-presidente Michel Temer e ao presidente do Senado, Renan Calheiros. Ela afirmou que o conjunto de propostas apresentado por Calheiros nesta semana ajuda o país a discutir saídas para a crise.
lava jato
Por fim, a presidente defendeu as investigações promovidas pela operação Lava Jato. Disse que respeita a independência do Ministério Público e a autonomia da Polícia Federal, mas também o “direito de defesa”.
Dilma Rousseff afirmou que só falará sobre os nomes envolvidos no caso quando todos tiverem tido a oportunidade de se defender.