Política

Decisão inexplicada afasta executiva do PPL em Goiás

Redação DM

Publicado em 8 de agosto de 2018 às 00:49 | Atualizado há 8 anos

A decisão de apoiar o candidato ao governo de Goiás senador Ronal­do Caiado (ele é do DEM), da coli­gação Unidos Para Mudar Goiás, trouxe um resultado inesperado para o comando regional do Par­tido Pátria Livre (PPL) em Goiás: a destituição da comissão provisó­ria, numa determinação imprópria, inexplicada, estranha, da direção nacional, já que a decisão regional de apoio foi embasada na realização de vários encontros, em uma con­venção oficial, na pré-convenção entre os pré-candidatos e na pró­pria executiva estadual do partido.

A decisão do comando nacio­nal pegou todos de surpresa, in­clusive o presidente regional, Co­ronel Oliveira, que a ele havia sido dada total autonomia para con­duzir o partido em Goiás. ‘Não foi feita nenhuma objeção, ninguém nos procurou para discutir a políti­ca goiana, nem as nossas definições. Pelo contrário. Apenas na véspe­ra da data da realização do encon­tro, do partido, durante o prepara­tivo final para a convenção, onde todos os presentes já haviam defi­nidos suas participações, somente nesse momento, foi-nos comuni­cado, por uma mensagem de apli­cativo, que não poderíamos fazer coligação com partido ou alian­ça que apoiasse o governadoriá­vel Caiado e o senadoriável Kajuru’.

Coronel Oliveira afirma ter es­tranhado a forma como veio a ob­servação do diretório nacional. Sem nenhuma formalidade como re­quer o momento mister. O texto impressiona até mesmo pela for­ma como tratou o senador Ronal­do Caiado e o vereador Jorge Kajuru, sem sequer citar outros membros da chapa majoritária que concor­rem ao governo de Goiás pela co­ligação Unidos Para Mudar Goiás.

MENSAGEM

Coronel Oliveira fez questão de divulgar o teor da mensagem via Whatsapp endereçada a ele: ‘Caro Coronel Oliveira, presidente do PPL de Goiás, a Executiva Nacional infor­mada de que existem membros do partido em Goiás pressionando in­devidamente nossa Comissão Pro­visória de Goiás para dar apoio ao Candidato Caiado e ao Candida­to ao Senado Kajuru. Decidiu ve­tar essa coligação com o Candidato Caiado e qualquer partido ou aliado dessa Coligação no Estado de Goiás de Goiás. Informamos também que a Executiva Nacional estará reuni­da no domingo para avaliar as con­dutas e as atas aprovadas e aquelas que tiverem contradição com a di­reção e orientação partidária sofre­rão intervenção na Comissão Pro­visória. No aguardo de sua ciência, compreensão e apoio’. O texto aci­ma, com alguns erros gramaticais e ortográficos demonstrando a sua informalidade (preservados por este repórter) chegou ao conhecimento do então presidente do PPL regio­nal sem a devida assinatura do res­ponsável pela Executiva Nacional. O texto não menciona outros políticos, mas apenas ‘Caiado’ e ‘Kajuru’, como está clarividente em seu conteúdo.

COMANDO DECIDE PELA CONVENÇÃO

Em decisão unânime, entre os pré-convencionais presentes na re­união de sexta-feira, dia que ante­cedeu a convenção do partido, foi acertada a convenção no sábado, sendo realizada e definido o apoio do partido em Goiás à coligação Unidos Para Mudar Goiás. No dia seguinte, o presidente do PPL goia­no foi notificado, também, por tele­fone, da sua destituição.

Coronel Oliveira não entendeu a decisão punitiva, mesmo ten­do a acatado, já que recebeu ‘carta branca’ para decidir pelo partido em Goiás, ainda em processo de forma­ção. Para ele, a decisão fere o artigo 50º do Estatuto do PPL que assegu­ra total autonomia da direção regio­nal para definir a política de alianças e seus candidatos nos estados. É ele próprio quem justifica suas palavras pelo referido artigo 50 da normati­va do PPL : ‘Compete à Convenção Estadual: I – escolher os candidatos do Partido aos cargos eletivos majo­ritários e aos cargos proporcionais, no âmbito do Estado ou do Distrito Federal; II – decidir sobre coligação com outros partidos; III – analisar e aprovar a plataforma dos candida­tos ao Governo do Estado’.

Coronel diz que a decisão do comando nacional foi equivoca­da, incompleta, já que não oficia­lizada, não foi expedida nenhu­ma ata ou ofício e contrapôs uma decisão colegiada, tomada em co­mum acordo pela direção regional. Coronel Oliveira continua com o mesmo propósito de apoio irres­trito a coligação Unidos Para Mu­dar Goiás, com o objetivo de ele­ger Ronaldo Caiado governador de Goiás e diz que a decisão da dire­ção nacional não representa a opi­nião da até então direção regional.

REALIDADE

Oliveira lembra, também, que a presidência nacional sequer co­nhece a realidade de Goiás e, des­de a sua implantação, nunca este­ve no Estado para discutir a política regional. Pelo contrário, ‘até hoje sempre nos havia respaldado em todas as decisões. Tanto que de­pois das conversações e das defini­ções com os pré-candidatos, o veto de um dos membros, em nome da direção nacional, nos deixou per­plexos, sem entender o real moti­vo dessa estranha proibição’.

Para Coronel Oliveira, a decisão originária do comando do PPL de Goiás foi uma decisão democrá­tica, representativa e soberana, já que foi tomada dentro dos princí­pios democráticos e, também, na conformidade do estatuto do par­tido e que a coligação com a coliga­ção de Caiado foi informada à Justi­ça eleitoral conforme determinação expressa da lei no Brasil.

Coronel Oliveira diz, também, que a decisão foi comunicada ao comando político do governadoriá­vel Ronaldo Caiado para que a co­ligação tome as medidas jurídicas cabíveis para manter o apoio. Ain­da de acordo com ele, as candida­turas até então apresentadas serão preservadas, mas o partido, deses­truturado, passa a enfrentar pro­blemas em sua consolidação em Goiás, principalmente agora que conta com um candidato à presi­dência da República e sem uma co­missão mandatória estadual.

APOIO QUE CUSTOU CARO

Ouvido, um representante da Executiva Nacional, afirmou que a coligação proporcional havia sido autorizada, mas a majoritária foi vetada, justamente, argumenta ele, por não ter o perfil ideológico do partido. A destituição, segundo o membro da Executiva Nacional, se deu pelo apoio (vetado) a Caia­do e Kajuru.

Coronel Oliveira não concorda com a explicação, já que esse assun­to, segundo ele, nunca foi discutido entre as duas executivas e não cons­ta, em momento algum, qualquer referência no estatuto do PPL. Para ele, a decisão foi autoritária, total­mente fora do contexto, e sem fun­damento legal que a amparasse ou a ampare juridicamente. ‘Basta ver como se deu e, também, ler o Esta­tuto do partido, que garante aos es­tados as coligações e candidaturas’. E completa: ‘ Em nenhum momen­to o comando nacional do partido nos aconselhou a tomar posição X ou Y. Muito pelo contrário. Sempre corroborou as nossas decisões, que a tomamos em colegiado e não de forma individualizada’.

LAMENTO

Coronel Oliveira lamenta o ocorrido, diz peremptoriamente que continuará com seus apoia­dores a defender a candidatura do governadoriável Ronaldo Caiado e que a decisão que o pune acaba, também, punindo o próprio par­tido, que estava em formação em Goiás e que, agora, passa por um débâcle, isto é, por um processo de queda, de ruína, de paralisação em suas atividades.

Coronel Oliveira, oficial da re­serva da PM em Goiás, ressalta o compromisso do senador e go­nernadoriável Ronaldo Caiado em abraçar as causas da Polícia Mili­tar goiana e, ainda, cita o encontro que o candidato teve com a corpo­ração e a sua disposição de aten­der as reinvindicações das tropas. Caiado chegou a afirmou catego­ricamente que irá anular a deci­são que efetivou milhares de PMs em Goiás ganhando a mísera re­muneração de R$ 1,5 mil mensais.

Para o governadoriável não há nada que justifique essa ninharia. Eleito, garante o democrata, pre­tende levar a isonomia a toda a tro­pa, isto é, todos vão ganhar a mes­ma remuneração. ‘Eles terão nosso reconhecimento e serão remunera­dos sem fazer divisão de categorias. Será o fim dessa divisão de 3ª clas­se criada pelo governo atual’, disse Caiado na época do encontro.

 



 A decisão do comando nacional pegou todos de surpresa, inclusive o presidente regional, Coronel Oliveira, que a ele havia sido dada total autonomia para conduzir o partido em Goiás. “Não foi feita nenhuma objeção, ninguém nos procurou para discutir a política goiana, nem as nossas definições”

 

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